Terça-Feira, 22 de Maio de 2018 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< EDUCAÇÃO A influência das redes sociais no cotidiano das pessoas

Publicada em 05/01/2018 às 18:51
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Foto: Divulgação)
Hoje é comum, depois de uma conversa com alguém na rua, perguntar como está seu nome no `Face´ ou em alguma outra rede social. A tecnologia digital está cada vez mais intrínseca em nossa cultura, fazendo parte fundamental do que acreditamos e do que somos hoje. De acordo com o levantamento da empresa eMarketer, feito em julho do ano passado, estimava-se que, até o fim de 2017, 2,46 bilhões de pessoas fariam uso de uma plataforma social média, ao menos, uma vez por mês. 
 
No País, os usuários previstos eram 107,1 milhões, deixando o Brasil na quarta posição entre os países que mais usam redes sociais no mundo, ficando atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos, sendo o primeiro na América Latina. O crescimento recente das redes sociais na região foi estimulado, ainda de acordo com a pesquisa, pela acessibilidade dos smarthphones, que estão ficando cada vez mais baratos.
 
Porém, essa nova maneira de se comunicar tem influência direta sobre comportamentos individuais principalmente, como afirma a psicóloga sorocabana Cristiane Silvestrini, que não titubeia ao declarar que as pessoas hoje têm novos problemas, pois as circunstâncias são outras. “Não tenho pacientes que vêm até mim se queixando das redes sociais, mas, ao longo do processo, em muitos casos nós descobrimos que elas tinham inegavelmente forte influência no quadro do paciente”, afirma.
 
Cristiane diz ainda que as redes sociais estão imersas nos mínimos detalhes do dia-a-dia e nem sempre as pessoas percebem essa influência. Seja de uma comida que fazem questão de fotografar e postar imediatamente ou de uma anedota que busca o quanto antes compartilhar na rede. “Creio que é irreversível tudo isso que está acontecendo, porque faz parte do processo de globalização”, completa a psicóloga. Para ela, as redes, hoje, fazem parte fundamental da vida das pessoas.
 
Esse é o caso de Thiago Messias, 17, que fica conectado cerca de 10 horas por dia. “Sinto que preciso tirar fotos, comentar e interagir o dia todo com as pessoas. É bem louco isso, porque quando, por algum motivo, não posso ficar no celular, isso muda completamente meu humor”, reconhece.
 
O estudante conta também que, para ele, ter muitas curtidas em poucos minutos é `status´ e que, em seu círculo pessoal, isso vale muito. “Meus amigos têm a mesma rotina virtual que eu. Interagimos mais pelas redes do que frente-a-frente, na real. Para eles, é uma vantagem muito grande ter curtidas, é como ter fãs. Uma pessoa com fotos bastante curtidas costuma ser a mais popular e mais respeitada”, comenta Thiago.
 
O PRAZER DAS CURTIDAS NO FACEBOOK - De acordo com estudo conduzido pela pesquisadora Moira Burke, que atualmente é a cientista de dados do Facebook, essa sensação de prazer ao ser curtido ou comentado nas redes sociais está ligado ao fato de ter alguma importância para os outros. Uma vez que você comenta algo que alguém postou, é como se aquela pessoa se importasse com sua opinião, assim como quando algo seu é comentado, onde você é tão importante que ela precisou demonstrar isso comentando ou curtindo.
 
Hoje existem sites especializados em proporcionar curtidas `falsas´ para usuários, inclusive: você se cadastra, escolhe o número de curtidas, seguidores ou comentários que quer e ele te interliga com pessoas que também estão cadastradas, criando uma grande corrente de curtidas. Quem explica isso é a jovem de 30 anos, que prefere ser chamada de Sarah: “Descobri esse site através de uma pesquisa na Internet. Eu quase não entro nas redes sociais, porém tenho muitos amigos, mas nós quase não interagimos. Por isso, quando eu postava fotos, elas tinham 10 curtidas, sempre das mesmas pessoas”, reclama.
 
Sarah conta que procurou, então, esses `sites de curtidas falsas´ para suprir a carência de interação dos seus amigos, mas não queria levantar suspeitas. “Comecei com 20 curtidas, para que as pessoas não soubessem que usava esse tipo de recurso. Hoje, depois de quase dois meses de uso do site, já consegui cerca de 600 curtidas nas minhas fotos”, comemora.
 
Segundo estudo realizado pela pesquisadora Hanna Krasnova, da Humboldt University de Berlim, a estética do Instagram (fotos) cria a ilusão de que o outro tem uma vida incrível e que você precisa ter uma vida assim também. Segundo ela, em comparação às outras redes sociais, o Instagram tem essa tendência mais recorrente de forjar uma vida perfeita. “Em uma foto, você tem sinais mais explícitos e implícitos de como é ser uma pessoa feliz, rica e bem-sucedida do que teria a partir de uma atualização de `status´. A foto provoca comparação social imediata, o que pode desencadear sentimentos de inferioridade e até depressão”, afirma a pesquisadora. 
 
O DIREITO DE RESPOSTA – Porém, a popularização de redes sociais deu direito de resposta às pessoas, permitindo que todos possam discutir sobre os conteúdos recebidos, seja do governo ou da grande mídia. Essa tendência é chamada de Web 2.0. Esse conceito, criado em 2003 por Tim O’Reilly, diz que, com a chegada da  Internet, as pessoas deixaram de ser receptoras passivas de informações para se tornarem também ativas. Por exemplo, antigamente as notícias chegavam para as pessoas através dos veículos de comunicação. Se alguém notasse que havia algo errado naquela informação, os meios para contestar eram muito limitados. Hoje, com a Internet, as pessoas têm espaço de fala para que possam expressar suas opiniões sobre os fatos, como um reflexo da globalização.
 
“É incrível como a opinião das pessoas é (ou parece ser) importante para os outros. No Facebook hoje, por exemplo, temos até os chamados `Militantes de Facebook´, que são pessoas que opinam, muitas vezes, por causas que nem conhece, só para parecerem cultas para seus amigos. Para eles, é um prazer discordar”, completa Thiago Messias, que confessou já ter feito isso. Para ele, ter liberdade de falar é ótimo, mas nem todo mundo tem um filtro sobre o que deve e o que não deve ser dito. “E é contagiante, pois você se revolta com a revolta do outro e cria uma onda de pessoas revoltadas sem saber exatamente o que as revolta”, brinca.
 
Para provar isso, o Facebook fez uma pesquisa secreta sobre o humor de seus usuários, dividindo um grupo de 60 mil pessoas, escolhidas aleatoriamente, em dois blocos. O primeiro foi bombardeado com conteúdo feliz e `fofo´. Essas pessoas, ao longo da semana em que o estudo foi realizado, postavam coisas felizes. Já o outro grupo, que recebeu conteúdo triste e revoltante, retribuía da mesma forma.
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar