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<< SOROCABA Levantamento mostra situação precária de construções irregulares no Nova Esperança De cerca de 500 moradias vistoriadas, pelo menos 170 apresentam graves problemas estruturais que podem comprometer a segurança dos moradores

Publicada em 03/01/2018 às 18:16
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(Foto: Divulgação)
URBANISMO
 
Realizada em parceria com o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Sorocaba (Uniso), a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária da Prefeitura já tem em mãos, tabulado, um interessante levantamento feito em cerca de 500 moradias localizadas no Jardim Nova Esperança I, Zona Norte da cidade, no fim do ano passado. Os dados mostram que 170 delas foram construídas de forma irregular e apresentam situação precária em suas estruturas, como rachaduras, desnivelamento de colunas de sustentação, falta de acesso adequado para entrada e saída, infiltrações e goteiras, entre outros problemas que podem comprometer o imóvel e a segurança dos moradores. Mas uma das principais constatações observadas nos imóveis foi a falta de janelas em muitas moradias, gerando umidade excessiva e, consequentemente, bolor, o que é altamente prejudicial à saúde.  Outras casas também apresentam o chamado ‘pé direito’ – altura do imóvel - extremamente baixo, o que dificulta a circulação do ar.  
 
O levantamento faz parte de um projeto que vem sendo desenvolvido sob a orientação do professor Tiago da Guia, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniso e também servidor público municipal lotado na Secretaria da Habitação, visando melhorar as condições das casas, oferecendo assistência técnica aos moradores de imóveis que ficam na periferia da cidade. Com base nesse estudo, o professor Tiago da Guia tenta, agora, obter recursos públicos (por meio de editais) para financiar as reformas e a urbanização do bairro e que hoje podem chegar a R$ 1 milhão. “O projeto é extenso e pretende mexer com todo o bairro e, futuramente, levar o mesmo projeto a outros bairros carentes de Sorocaba”, destaca o professor.
 
O LEVANTAMENTO - O levantamento `in loco´ foi feito no mês de outubro e contou com a colaboração de alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniso e de arquitetos voluntários também, além de servidores públicos do Setor de Vazios Urbanos da Secretaria da Habitação.  Durante três dias, 25 pessoas divididas em equipes percorreram as ruas do Nova Esperança I (que fica mais próximo à avenida General Osório, na região de Vila Barão), em visitas a residências para analisar e mapear as condições dos imóveis.  Muitos deles, entretanto, não puderam ser visitados, ou por estarem vazios no momento da coleta dos dados ou pela recusa dos moradores.  
 
O arquiteto Tiago da Guia lembra, porém, que essa situação não é nova, já que o bairro foi ocupado há muitos anos, nas décadas de 70 e 80, e por falta de recursos muitas famílias acabaram construindo os imóveis sem a orientação de um profissional da área e no improviso, não se dando conta de que aquela construção pode lhe trazer muito mais prejuízos do que benefícios, como os chamados `puxadinhos´, feitos para aumentar a área do imóvel.  “Os dados levantados no bairro também estão sendo utilizados na elaboração de uma lei municipal de assistência técnica que permita formalizar convênios com universidades e parcerias com entidades profissionais, criando-se mecanismos para o recebimento de recursos públicos (federais e estaduais) que sejam destinados ao Fundo Gestor de Habitação, para que o próprio Município tenha como implementar ações nesses bairros periféricos da cidade”, acrescenta o professor. 
 
O texto da lei que está em elaboração pretende envolver diversos atores, como universidades, IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), Conselho Municipal de Habitação, legisladores e diversas secretarias da Prefeitura, a fim de tornar o processo democrático e participativo, comenta ainda Tiago da Guia. Conforme o cronograma do projeto, a lei deve ser votada na Câmara até a metade de 2018.
 
PROJETO AMPLO PARA TODA A CIDADE, INCLUSIVE AQUECENDO O COMÉRCIO DE CONSTRUÇÃO CIVIL - O programa em tela não pretende, por outro lado, apenas oferecer projetos de reformas e construções, mas também trabalhar em parceria com lojas de materiais para construção, com o objetivo de ofertar materiais mais baratos e, assim, aquecer a economia da construção civil, tanto para lojistas, quanto para mão-de-obra. Ainda segundo o professor Tiago da Guia, “a ideia é que futuramente a Prefeitura consiga oferecer aos moradores qualificação em construção civil, elétrica e hidráulica também, para que eles próprios tenham conhecimento mínimo e possam fazer alguns serviços em suas residências”.
 
De acordo com a equipe que idealizou e realizou a ação no Jardim Nova Esperança I, foi uma experiência que abre os olhos para as realidades vividas por muitos sorocabanos e que vão de casas trincadas e telhas furadas a cômodos sem janelas e pisos. “Essa oportunidade de trazer a arquitetura para os mais carentes e envolver a participação dos alunos é fundamental para que possamos sonhar com uma cidade mais justa e em que todos tenham melhores oportunidades”, finaliza o professor Tiago da Guia.
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