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<< SAÚDE Audiência pública vê problemas de hospitais conveniados ao Município

Publicada em 05/12/2017 às 11:30
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(Foto: Divulgação)
LEGISLATIVO
 
O Legislativo sorocabano realizou na manhã desta segunda-feira (4), por iniciativa do vereador Hudson Pessini (PMDB), audiência pública para debater os problemas da saúde pública no Município, em especial quanto às instituições conveniadas, reunindo diretores e representantes dessas entidades conveniadas, que passam por muitas dificuldades financeiras e administrativas. Na mesa de trabalhos, estavam o padre Flávio Jorge Miguel Junior, diretor-presidente da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia; Ricardo Diacovi, administrador do GPACI (Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil): Deise Pessini Lopes, representando o secretário municipal da Saúde, Ademir Watanabe; o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Francisco Valério, e Carlos Aparecido Teles Drisostes, superintendente do Hospital Santa Lucinda, ligado à Fundação São Paulo/Puc-SP.
 
O vereador Hudson Pessini, que é presidente da Comissão de Economia da Câmara, lembrou que foi aprovado junto ao Plano Plurianual neste ano um percentual para as  entidades do Município, justamente com a pretensão de minimizar essa questão do financiamento. Citou ainda que o SUS (Sistema Único de Saúde) paga apenas 10 reais por consulta. “Queremos aqui mostrar a importância dessas entidades e o risco que elas correm de fechar, que é na verdade um risco para os munícipes”, resumiu. 
 
MUITAS AGRURAS – Diante da realidade de que 47% dos hospitais do Estado de São Paulo são filantrópicos, com mais de 20 mil leitos ofertados ao SUS, também o Hospital Santa Lucinda tem no custeio seu maior gargalo. Com 67 anos de existência, possui 160 leitos, incluindo UTI Adulto e Neonatal, com 238 funcionários e convênio com o Município desde 2006, emendas dos vereadores no valor R$ 676 mil para 2018, se concretizadas pela Prefeitura, serão utilizadas na renovação dos instrumentos de videocirurgia. Com relação à Santa Casa, o padre Flávio também falou sobre os problemas do hospital, que passa agora por auditoria e gestão hospitalar. Afirmou ainda que “os vereadores foram muitos generosos” com as emendas parlamentares, que somaram R$ 7 milhões, reforçando a necessidade de reconstrução do hospital, que não pode ser realizada com recursos SUS. “Tenho sentido muito apoio por parte de políticos, da sociedade de Sorocaba e da Prefeitura”, assegurou, destacando que os planos vão no sentido de se ampliar de 20 para 40 os leitos de UTI com os recursos das emendas, além da compra de equipamentos hospitalares para as salas cirúrgicas, com recurso de R$ 2 milhões do Ministério da Saúde, e ainda a finalização do projeto de radioterapia.
 
Outro hospital conveniado com a Prefeitura é o do Câncer Infantil/GPACI. Com gestão municipal, o hospital presta o serviço de oncologia pediátrica, além de urgência e emergência para crianças até 12 anos. São 81 leitos, sendo 80% do atendimento SUS. O planejamento financeiro para 2017 previa arrecadação de R$ 28 milhões, com custo de R$ 30 milhões. Além de doações, o hospital trabalha com empresas parceiras que ofertam serviços. Recentemente, o GPACI recebeu como doação um tomógrafo, que será ofertado para o convênio com a Prefeitura. Para 2018, o planejamento é ampliar a estrutura para cadastrar o serviço de transplante de medula óssea.
 
O repasse do SUS para as consultas também foi lembrado pelo gestor como impeditivo, porém: “Uma entidade sem fins econômicos não consegue contratar ninguém com
tabela SUS. A revisão da tabela é o que o GPACI mais busca”, afirmou Ricardo Diacovi, que também cobrou que as emendas parlamentares possam ser aplicadas para custeio e não apenas investimento.
 
MUNICÍPIO CRITICADO - A vereadora Iara Bernardi (PT), presente à audiência, não poupou críticas, contudo, à gestão de recursos públicos no Município pelo Executivo, citando como exemplo de boa gestão o GPACI e a atual administração da Santa Casa. Também pediu esclarecimento sobre a Policlínica, se será ou não terceirizada. Segundo a representante da Secretaria de Saúde, o problema do SUS é nacional, apesar de admitir que existam falhas de gestão. Sobre as terceirizações, confirmou que a intenção da Prefeitura é terceirizar unidades pré-hospitalares e mesmo a Policlínica, “mas que isso seria tema para outra audiência”.
 
Já o vereador João Donizeti Silvestre (PSDB) lamentou a ausência de representantes do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, reforçando a importância de discussão acerca do serviço prestado pelo Estado, enquanto outros participantes também questionaram a possibilidade de terceirização e falaram dos problemas de gestão da Rede Municipal e do Hospital Regional, além do déficit de leitos e de profissionais de saúde na cidade.
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