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<< SOROCABA Sorocaba se mobiliza contra a Aids Número de novos casos tem diminuído no Município; homens são maioria entre contaminados pelo HIV

Publicada em 24/11/2017 às 19:34
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(Foto: ABr)
DEZEMBRO VERMELHO
 
A próxima sexta-feira, 1° de dezembro, chega cheia de significado para uma população cada vez mais atenta aos cuidados com a saúde. O Dia Mundial de Luta Contra a Aids começou a ser comemorado no Brasil no final dos anos 1980, com o objetivo de unir as esferas municipal, estadual e federal contra uma doença que assombra milhares ou milhões de pessoas em todo o mundo – cerca de um milhão de pessoas perderam a vida pela epidemia em 2016, segundo um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).
 
Aids é a sigla em inglês para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Acquired Immunodeficiency Syndrome). Muitos utilizam erroneamente a palavra como um sinônimo de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, do inglês Human Immunodeficiency Virus). O professor dr. Carlos Alberto Lazar, da Faculdade de Medicina de Sorocaba, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP), explica que o HIV é o vírus que transmite a doença de nome Aids. “Ou seja, o Dia Mundial de Luta é contra a doença”, observa.
 
Em Sorocaba, atualmente há 2.481 casos de crianças e adultos vivendo com HIV e Aids, segundo registros desde 2007 do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net). Apesar do número fechado, a Secretaria Municipal de Saúde ressalta que pessoas vivendo com HIV são aquelas em tratamento adequado e sem doenças oportunistas. As pessoas vivendo com Aids tiveram o tratamento frustrado ou em abandono e têm doenças oportunistas.
 
O dr, Carlos Alberto Lazar aponta quatro vias de transmissão do HIV: “Tem a sexual, bastante importante de lembrar; a parenteral, através do acesso venoso e, principalmente, em drogados; a transplacentária, ou seja, de mãe para filho; e a hematogênica que, por conta dos cuidados com o sangue, tem sido rara”, esclarece o médico.
 
O comparativo municipal dos últimos anos ainda indica melhora. Em 2017, a Prefeitura contabiliza 101 novos casos na cidade (11 de Aids e 90 de HIV); no ano anterior, foram 200 e, em 2015, 270. Os homens são os que mais sofrem com a doença. Neste ano, eles são 85,5% do total de pessoas com HIV e 81,8% com Aids. “Acredito que seja pelo fato das mulheres terem menos contatos sexuais que os homens”, afirma Lazar. “Os números também mostram que há mais drogados homens que mulheres”.
 
PREVENÇÃO E TRATAMENTO – Os cuidados em relação à doença estão diretamente relacionados aos meios de transmissão. O professor Lazar atenta, primeiramente, à necessidade do uso de preservativos. “É indicado também manter fidelidade”, comenta.
 
Nos casos parenterais, o ideal seria que cada pessoa tivesse uma seringa apenas para si. “É muito difícil, porque isso tem um custo”, lamenta o especialista. “E, no caso da mulher gestante infectada, é necessário o tratamento durante a gestação e acompanhamento pré e pós-natal”.
 
Após a confirmação do diagnóstico do HIV, a Prefeitura informa que, em Sorocaba, todos são encaminhados ao Serviço de Assistência Municipal Especializada (Same) e recebem atendimento de um enfermeiro (vinculação e acolhimento ao serviço), coleta de todos os exames necessários para avaliação e acompanhamento de condição de saúde, psicológico, serviço social, odontológico e consultas médias (infectologia e dermatologia). Posteriormente, há o recebimento de medicações específicas para o tratamento e outras, bem como orientação farmacêutica e as imunizações necessárias. O tratamento é gratuito.
 
No mundo, mais da metade dos 36,7 milhões de soropositivos estavam recebendo medicamentos contra o vírus em 2016. Isso representa 53% de pacientes tomando antirretrovirais e com uma expectativa de vida ‘quase normal’.
 
CAMPANHAS – Durante todo o ano, a Prefeitura sorocabana informa também cuidar para que a população esteja consciente sobre a existência da Aids e os cuidados para prevenir e identificar a doença. As 32 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade fornecem materiais educativos (folders e cartazes) e insumos de prevenção (preservativos e gel).
 
No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), situado à rua Manoel Lopes, 220, em Vila Hortência, além do aconselhamento (os usuários podem esclarecer dúvidas a respeito das doenças sexualmente transmissíveis), também há distribuição de insumos e a realização de testes rápidos (HIV, Sífilis e Hepatites B e C) gratuitamente. No mesmo endereço, funciona o Same, que atende crianças e adultos para tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e realiza a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), feita em até 72 horas da exposição ao risco, com a realização dos testes rápidos e o fornecimento dos medicamentos profiláticos para evitar o contágio do HIV.
 
A Campanha “Fique Sabendo” vai garantir, por outro lado, que, de 27 de novembro a 1° de dezembro, 24 Unidades Básicas de Saúde do Município ofereçam o teste rápido e/ou convencionais. Mensalmente, mais de 2 mil testes rápidos são executados, ação de grande importância no combate às DSTs igualmente.
 
 
São Paulo tem cartilhacontra discriminação
 
A Defensoria Pública de São Paulo lançou em 5 de setembro, no Museu da Diversidade, na Estação República do Metrô, na Capital, uma cartilha para combater a discriminação contra pessoas que vivem com HIV/Aids. A publicação “Pelo Fim da Discriminação das Pessoas que Vivem com HIV/Aids” apresenta a lei federal 12.984/2014, que criminaliza esse tipo de prática e prevê pena de prisão de um a quatro anos e multa, e a lei estadual paulista 11.1990/2002, que veda qualquer atitude discriminatória aos portadores do vírus HIV ou às pessoas com Aids, sob risco de multa para empresas ou entidades e punições administrativas a servidores públicos que infringirem a norma legal.
 
“A cartilha traz exemplos de situações de discriminação, de como a discriminação ocorre e mostra como a pessoa pode reagir a essa situação, buscando a Defensoria Pública ou delegacias de Polícia”, explica o coordenador auxiliar do Núcleo de Diversidade e da Igualdade Racial da Defensoria, Rodrigo Leal da Silva. Entre os exemplos de discriminação citados na cartilha, estão a exigência de testagem de HIV para ingresso em algum emprego ou quando a pessoa é pressionada a revelar sua condição sorológica a terceiros ou tem essa condição revelada sem seu consentimento. “Essas pessoas têm direito de ser respeitadas e reconhecidas como cidadãs e o direito ao sigilo. Ninguém é obrigado a revelar sua condição sorológica”, destaca.
 
Para o presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, a cartilha ajudará a tornar as leis mais conhecidas. “Ainda existe muita discriminação com as pessoas vivendo com HIV, mas estamos hoje em outro processo. A lei existe, mas precisamos fazer com que ela pegue, seja efetivada”, insiste Pinheiro, recomendando às pessoas que sofrem discriminação a usar a lei para combater esse tipo de prática e lembrando que quanto menos discriminação houver, mais se poderá fortalecer o combate à epidemia de Aids no Brasil.
 
A cartilha, feita em parceria com o Unaids e pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV), tem distribuição gratuita e também poderá ser consultada em breve no site da Defensoria Pública de São Paulo.
 
 
Dezembro Vermelho intensifica ações
 
A lei que institui a campanha nacional de prevenção ao HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, denominada Dezembro Vermelho, foi publicada no Diário Oficial da União em 8 de novembro. De acordo com a lei, sancionada pelo presidente Michel Temer, a campanha tem foco na prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos humanos das pessoas que vivem com HIV/aids e é constituída de um conjunto de atividades e mobilizações relacionadas ao enfrentamento da doença.
 
A Prefeitura de Sorocaba, de sua parte, informa que aderiu ao Dezembro Vermelho. A campanha é constituída de um conjunto de atividades e mobilizações em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), integrado em toda Administração, com entidades da sociedade civil organizada e organismos internacionais. As UBSs devem intensificar ações para a conscientização sobre a importância do diagnóstico da doença.
 
MESA REDONDA – Para celebrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids (1° de dezembro), a Prefeitura local, por meio da Coordenadoria de Políticas para a Diversidade Sexual, realizará ainda na próxima sexta-feira, 1º de dezembro, a mesa redonda “Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs): Tod@ mundo pode ter”, que vai promover o debate sobre gênero, sexualidade e preconceito. O evento ocorrerá, das 14 às 18 horas, no auditório da Secretaria da Igual e Assistência Social, no antigo Lar São Vicente de Paulo, à rua Santa Cruz, 116, no Centro.
 
A ação visa apresentar o panorama das ITs no município de Sorocaba e no Brasil e provocar a reflexão acerca dos impactos do estigma e da discriminação na saúde da população. A participação é aberta a todas as pessoas interessadas. 
 
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