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Diário de Sorocaba

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<< SOROCABA Discos guardam memória afetiva e garantem profissão

Publicada em 17/11/2017 às 17:40
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(Foto: Divulgação)
DIA DO COLECIONADOR
 
Um disco da Xuxa tocava sem parar na casa de Lucas Abate há quase três décadas, quando, muito novo, ele juntava-se ao primo para ouvir músicas infantis. Aniversários e Natais chegavam e tudo o que ele queria eram mais LPs – abreviação para Long Play ou, simplesmente, disco de vinil. Hoje, aos 27 anos de idade, o assistente de e-commerce tem nada menos que sete mil LPs em sua coleção. “Meu pai sempre gostou de música e colecionava (LPs) antes de eu nascer”, explica, referindo-se ao funcionário público José Carlos Leme, 58 anos. “Foi natural a vontade de ser colecionador também, além do interesse por música em geral”, destaca ele.
 
Lucas conta que o primeiro disco que adquiriu fora do segmento infantil foi “She’s So Unusual”, da cantora Cyndi Lauper. Cada item na coleção do jovem traz um sentimento especial. “Especialmente os que ganhei na infância”, diz, lembrando de visitas a feiras de barganha com o pai.
 
Há um cômodo na casa apenas para acomodar os LPs. “Foi necessário ampliar o quarto para caber tudo”, revela Lucas. Entre tantos discos, “Stripped”, da americana Christina Aguilera, é seu favorito. “Fiquei muito feliz quando saiu a edição em vinil e foi presente de uma pessoa especial que trouxe de uma viagem”.
 
Colecionadores, inclusive, já presentearam o jovem após desapego de itens próprios. “Sempre vêm acompanhados de muitas histórias e memórias afetivas dos antigos donos”, observa. E acrescenta que acaba conhecendo e criando amizade com muitas pessoas de interesses similares por conta da atividade.
 
E para quem pensa que os vinis ficam na estante acumulando poeira, engana-se. “Adoro ligar a vitrola em um sábado à tarde e separar alguns discos para ouvir, especialmente se é novidade na coleção”, garante Lucas. 
 
INVESTIMENTO – A maioria das aquisições do colecionador é feita on-line, principalmente “quando aparece algo que quero muito com aquele preço imperdível”. “Mas sempre ‘garimpo’ em lojas, feiras e sebos, especialmente quando viajo para alguma cidade ou país diferente”, conta.
 
Lucas admite que é o hobby é caro: “Acho que o colecionador nunca está satisfeito com a sua coleção, tem sempre algum disco faltando”, comenta. “Os discos fabricados hoje em dia são bem mais caros do que na época do auge e os antigos raros dificilmente aparecem baratos para venda. Se não quer gastar, tem que ter paciência”.
 
CAMINHO PROFISSIONAL – Ser filho de colecionador, tornar-se um e dedicar uma vida a garimpar itens de qualidade proporcionou a Luca muito mais que lazer; agora é profissão. “Fui aprendendo sobre valores, o que torna um disco caro ou não e, quando ia procurar discos para mim, acabava achando um ou outro que valeria a pena comprar para revender”, afirma. “Com o tempo, tornou-se uma segunda fonte de renda”, reconhece.
 
Lucas abriu uma loja virtual que já possui 2.800 produtos à venda. Dos seus discos, porém, não abre mão. “Raramente vendo algum disco meu, só se consigo repetido de algum modo. Por desapego é difícil”, conta.
 
Apesar do acesso a tanto material, o colecionador deseja muitos LPs que ainda não conseguiu. “A lista é longa!”, brinca. “Se alguém estiver com discos em casa e não sabe o que fazer com eles, entrem em contato”, pede, aos risos.
 
 
Recordista tem mais de 5 mil jogos de videogame
 
Cinco mil e doze. Este é o número de diferentes jogos físicos completos de videogame que o servidor público Edson Godoy, 37 anos, possui em sua residência, em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Cada item possui caixa e manual, o que permitiu que ele conquistasse o recorde de “Maior Coleção de Jogos de Videogame Completos”, do RankBrasil´2017.
 
O início da coleção de Edson remonta ao ano de 1998, quando ele abriu uma loja de videogames em sua cidade natal, Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. “Comecei a comprar consoles e jogos que foram significativos para mim na infância e também aqueles que eu sempre quis ter mas não tive a oportunidade”, revela.
 
De acordo com o recordista, os jogos foram adquiridos nos mais diversos lugares. Ele explica que, quando se coleciona algo, qualquer passeio representa um lugar em potencial para adquirir itens. “Além disso, com a Internet, o mundo todo fica logo ali, à distância de um clique”.
 
A criação do site Video Game Data Base (VGDB) em 2014, conhecido como o Museu Virtual Brasileiro de Videogames, deu um significado ainda maior à coleção de Edson. “Acaba saindo da minha sala de jogos para o mundo inteiro, mesmo que virtualmente”, celebra. A ideia é que o site seja a ferramenta definitiva de pesquisa sobre jogos no País.
 
Para o colecionador de 37 anos, o reconhecimento do recorde pelo RankBrasil significa uma honra enorme e uma oportunidade de elevar o VGDB a um novo patamar. “Vai dar mais visibilidade ao projeto, para que o site seja conhecido e utilizado por gamers de todo o Brasil”, assevera.
 
GAME ROOM – Tamanho são o carinho e cuidado pela importante coleção que os jogos ficam expostos no Game Room da casa de Edson (Sala de Jogos, em português). O espaço foi especialmente construído depois de quase 20 anos colecionando. Entre os destaques, Edson aponta as coleções de Atari Jaguar e Jaguar CD, que possui o fullset, ou seja, todos os jogos lançados. “Tenho também o fullset americano do SEGA 32X e estou perto de completar o do primeiro Xbox, já que possuo mais de 820 jogos, de 969 que foram lançados para a marca”, conta.
 
Sobre os jogos mais raros na época em que adquiriu, estão “Battlesphere” e “Battlesphere Gold”, do Atari Jaguar, comprados no início dos anos 2000; “Garou: Mark of the Wolves”, do NatGeo AES, e “Vistual Lab”, do Virtual Boy, ambos adquiridos entre 2011 e 2012.
 
O recordista acredita que raridade e preço de um jogo são aspectos bastante relativos, principalmente para uma pessoa que não se sente atraída pelo assunto. “Sou do tipo de colecionador que só se preocupa com esses dois fatores enquanto o jogo ainda é objeto de desejo”, diz. “Depois que consigo o item, a raridade e especialmente o preço deixam de ter relevância, porque não pego um jogo pensando em revendê-lo”.
 
Edson, afinal, vê a coleção como o resgate de sentimentos vividos na infância e uma garantia de diversão permanente.
 
 
 
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