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Publicada em 11/11/2017 às 23:55
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Ruth, 77 anos, adora relembrar histórias engraçadas (Foto: Germano Schonfelder)
Os usuários sorocabanos de redes sociais viram seus feeds de notícias encherem-se de fotos emocionantes na última semana. A campanha “Eu adoto esse sonho de Natal”, lançada pelo segundo ano consecutivo no Lar São Vicente de Paulo, contabiliza quase 7 mil curtidas e 3 mil comentários no Facebook. 
 
Oitenta e oito imagens dos vovôs e vovós da casa de repouso segurando lousas nas quais revelam o que gostariam de ganhar de Natal comoveram internautas e, em 40 minutos, todos foram adotados. “No primeiro dia, teve 90 mil visualizações. A gente sabe que a população sorocabana é muito solidária, mas foi uma surpresa”, comemora o presidente da entidade, o confrade vicentino Ivanildo de Souza. “Isso traz para a gente um público diferenciado, pessoas para vir conhecer a nossa casa e ajudar a gente a administrar esse trabalho tão importante”.
 
A procura para a doação de presentes foi tão grande que o Lar não conseguiu selecionar apenas uma pessoa por idoso; há três para cada um. “Os outros que queriam adotar podem vir visitar, trazer outro presente, ajudar com fralda geriátrica ou uma pequena quantia em dinheiro no telemarketing”, sugere Souza.
 
A ideia partiu de um grupo de voluntários que acreditou ser possível fazer algo a mais pelos internos. O sucesso de 2016 deu o impulso para a continuidade em 2017. “A gente até percebeu na Internet que muitas entidades aderiram e foram bem-sucedidas”, relata o presidente do centenário Lar São Vicente de Paulo, hoje em novas e modernas instalações nos altos da avenida Ipanema, à entrada de Vila Bethânia.
 
A data de entrega dos presentes ainda não foi definida, mas deve acontecer na penúltima semana de dezembro. No dia da festa de Natal, os ‘adotadores’ podem entregar os agrados pessoalmente e participar da celebração, mas o Lar também se disponibilizou a receber entregas ou ir buscá-las.
 
No caso de um idoso ter mais de um padrinho, ele receberá o presente que pediu e os outros serão guardados para uso comum, de modo que ninguém fique com excesso ou escassez, explica Souza. “Não seria para uma pessoa só, mas para o Lar. As pessoas têm consciência disso e ajudam do mesmo jeito”.
 
As surpresas de dezembro não param de chegar. O presidente do Lar conta ainda que as torcidas organizadas dos quatro maiores times do País – Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo – vão promover a entrega de camisas oficiais aos idosos. “São quatro torcidas unidas com o mesmo objetivo e sem nenhum tipo de encrenca entre eles. Surpreende!”, conta emocionado.
 
SEM PAPAS NA LÍNGUA – “Pedi uma caixa de cerveja”, brinca Ruth Francisco da Silva, 77 anos, que, na verdade, escreveu que gostaria ganhar um par de sandálias. “No ano passado foi lindo, um Natal maravilhoso. Ficamos até meia-noite cantando, foi muito bonito”, recorda-se dona Ruth. Para ela, a melhor parte do Natal é a reunião de toda a família: “Adoro a festa e o significado de que o ser mais divino que já esteve na face da Terra nasceu. Nunca antes nasceu alguém igual a Ele e nunca mais vai nascer”.
 
A idosa, no entanto, frisa que a tradição da troca de presentes surgiu por outro motivo: “Um russo se vestia de vermelho e colocava uma barba postiça para ajudar pessoas que tinham perdido tudo. Era o Papai Noel”, entende, talvez querendo se referir a São Nicolau.
 
Em poucos minutos, Ruth lista ainda uma série de histórias sobre a época natalina e outras. Cita quando foi cumprimentar um representante budista com uma reverência e bateu de cabeça com ele. Ou quando pediu a um desembargador de Justiça, sem conhecer seu posto, que denunciasse o presidente da entidade por não lhe dar uma cerveja gelada. Desbocada, garante divertir-se no Lar com os colegas há quase oito anos. “É igual a casa da gente!”.
 
SAMBANDO FELICIDADE – “Será que eu mostro?”, sussurra uma acanhada Laura Borges Rodrigues, 90 anos, segundos antes de levantar-se do banco branco no qual estava sentada, aparentando fragilidade, e começar a esboçar passos de samba. Longeva e sorridente, a idosa esbanja esperteza e alegria com a chegada do Natal também. “Adoro celebrar o nascimento de Jesus”, declara, com os olhos semicerrados pelas lembranças de comemorações passadas. Na campanha, a vovó pediu um terço novo. “Sou muito religiosa”, justifica.
 
Laura é outra felicíssima no Lar e lembra, com carinho, dos tempos de jovem, quando passava madrugadas sambando na praça Coronel Fernando Prestes, no Centro. “Agora, tem que aproveitar enquanto tem saúde e o espírito da gente é animado. Depois que ficar bem mais velha, já fica ‘quebradona’ e não dá mais para sambar. Acho que até uns 120 anos dá, né?”, brinca.
 
TODOS PODEM AJUDAR – O Lar São Vicente de Paulo tem 121 anos e credibilidade na cidade. Muitos parceiros colaboram para mantê-lo, mas Souza lembra que a participação da comunidade é essencial não apenas no Natal, como no ano todo – e não exclusivamente no sentido financeiro. “Tem gente que acha que vai chegar aqui e encontrar um monte de pessoa doente e chorosa”, comenta Souza também, citando o projeto “Voluntário Ouvinte”, no qual as pessoas disponibilizam uma hora para ir ao Lar, aberto diariamente, para passar o tempo com os internos. “A gente tenta fazer do dia a dia uma festa natalina para transformar a vida deles”, afirma o presidente. “A cada dia de sobrevivência há uma festividade”!
 
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