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<< BRASIL Das águas ao coração do povo brasileiro Brasil celebra Nossa Senhora Aparecida e os 300 anos do encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul

Publicada em 11/10/2017 às 22:24
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(Foto: Fotos Públicas)
DIA DA PADROEIRA
 
A imagem é pequena, 40 centímetros, mas sua casa é grande, e a fé do povo, maior ainda, quando se trata da devoção a Nossa Senhora manifestada na imagem de Aparecida. Nesta quinta-feira (12), o Brasil homenageia sua Rainha e Padroeira e celebra o Jubileu dos 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do Rio Paraíba do Sul. 
 
A devoção à imagem resgatada das águas começou num momento de desespero, quando, em 1717, os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, foram encarregados de conseguir peixe para o banquete que a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá iria oferecer a Dom Pedro de Almeida e Portugal, o Conde de Assumar. 
 
Contudo os três homens tentaram por diversas vezes trazer peixes nas redes, mas sem sucesso; diferente do que esperavam, no emaranhado, os pescadores tiraram das águas escuras do Rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora, que veio em dois pedaços, primeiro o corpo e, em seguida, rio abaixo, a cabeça.
 
Após darem abrigo à imagem no barco, o trabalho que era considerado perdido pelos três pescadores, por não terem conseguido pescar nada, tornou-se numa abundância de peixes. Mas foi Silvana da Rocha Alves, mulher de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João, que reuniu as duas partes da estátua com cera e a colocou num pequeno altar em sua casa.
 
Assim seguia uma devoção que se estende até hoje. Nos sábados, moradores da região reuniam-se na casa de Silvana para rezarem o Terço e cantarem a Ladainha. Com a fama da Santa, entre 1717 e 1732, a imagem peregrinou pelas regiões de Ribeirão do Sá, Ponte Alta e Itaguaçu, o que levou à construção do primeiro oratório aberto ao público.
 
Por conta da expansão da devoção a Nossa Senhora Aparecida, o vigário de Guaratinguetá, padre José Alves Vilela, e alguns devotos, construíram no ano de 1740 uma pequena capela, onde ocorria a reza do Terço de Nossa Senhora o cântico das ladainhas, mas não se celebrava a Eucaristia. 
 
 
De capela a maior Templo Mariano 
 
A fé na intercessão da Virgem Aparecida não parava de crescer, tanto que, em 1743, o padre João Alves Vilela fez um relatório dos milagres atribuídos à Santa e enviou ao bispo do Rio de Janeiro, dom frei João da Cruz, para que aprovasse o culto e autorizasse a construção da primeira igreja em louvor à Virgem.
 
Assim, o primeiro Santuário foi construído no Morro dos Coqueiros, atual colina, onde se situa Aparecida. Construído em taipa de pilão, não resistiu ao tempo e, em 1844, apresentou risco de desmoronamento, levando o setor administrativo da capela à construção de um templo maior. 
 
Com o passar do tempo, em 1888, dom Lino de Carvalho, bispo de São Paulo, inaugurou a igreja conhecida como Igreja do Monte Carmelo, a Basílica Velha, que teve como personagem principal frei Joaquim do Monte Carmelo, que se dedicou integralmente à obra. O templo conta, ainda, com aquarela do austríaco Thomas Ender.
 
A construção do novo Santuário, que recebe hoje milhares de romeiros, surgiu em 1917, por conta do bicentenário do encontro da imagem. Assim, as atividades no Santuário, em definitivo, passaram a ser desenvolvidas a partir do dia 3 de outubro de 1982, quando se deu a transladação da imagem de Aparecida da antiga Basílica para a nova.
 
Para acolher quase 12 milhões de peregrinos anualmente, o Santuário Nacional oferece área superior a 1,3 milhões de metros quadrados, com quase 143 mil metros de área construída. A área específica da Basílica compreende quase 72 mil metros quadrados e é composta por pavimentos, térreo, arcada e Tribuna Sul, Cúpula, capelas e Torre Brasília. 
 
O nicho da imagem da Padroeira fica num retábulo de 37 metros de altura. Nesse pavimento, de 25 mil metros quadrados, são feitas as Celebrações Eucarísticas que chegam a reunir 30 mil devotos em torno do altar central; nas celebrações externas, a capacidade é para 300 mil. 
 
 
Fé e milagres que atravessam séculos 
 
É grande o número de milagres atribuídos a Nossa Senhora Aparecida, mas alguns destacam-se no histórico da Padroeira, como o que aconteceu no início da devoção, na casa de Silvana da Rocha Alves; em um dos momentos de oração, as velas do altar da Santa apagaram-se e, antes que alguém fosse acendê-las, as chamas voltaram misteriosamente. 
 
Em 1874, Gertrudes Vaz e sua filha, cega de nascença, levaram três meses de viagem de Jaboticabal (SP) a Aparecida (SP). A garota havia ouvido falar da “pesca milagrosa” e queria visitar Nossa Senhora Aparecida. Ao se aproximarem da igreja, ainda na estrada, a menina fixou os olhos no horizonte e disse: “Olha, mamãe, a Capela da Santa!”
 
A Nossa Senhora também é atribuído o milagre na vida do escravo Zacarias, que voltava acorrentado com seu feitor para o local de onde havia fugido. Ao passar pelo Santuário, pediu para fazer orações aos pés da Mãe Aparecida e, inexplicavelmente, o milagre aconteceu; as correntes soltaram-se e Zacarias ficou livre. 
 
A família do menino Marcelino clamou a ajuda da Santa em 1862, quando o garoto, 3 anos, que morava nas margens do Rio Paraíba do Sul, caiu no rio durante uma brincadeira num barco. Sua mãe, Angélica, e sua irmã, Antônia, ajoelharam-se e pediram que Nossa Senhora intercedesse pelo menino; na mesma hora a criança começou a boiar, sem engolir água. 
 
Um dos mais conhecidos milagres é do cavaleiro que não tinha fé e zombava dos devotos de Aparecida. Ele era de Cuiabá (MT) e não acreditava no poder da intercessão da Mãe de Jesus Cristo. Um dia, subiu em seu cavalo e quis entrar assim na igreja, porém as patas do animal ficaram presas no primeiro degrau da escada. 
 
 
Pequena, mas une milhares 
 
A imagem da Virgem Maria, de terracota, com as mãos postas, faz referência a Nossa Senhora da Conceição; providencialmente, Maria, na cor morena, manifesta-se numa época de escravidão e mostra que para Deus não há exclusões, prisões nem preconceitos, mas que todos são acolhidos.
 
Dom Pedro I, durante sua viagem ao Rio de Janeiro e São Paulo, passou pelo Santuário de Aparecida, em 1822, e prometeu consagrar-lhe o Brasil caso resolvesse sua situação política; 15 dias depois, em 7 de setembro, nascia o Brasil independente, pelo brado histórico daquele que seria o primeiro imperador como nome Dom Pedro I.
 
Já a Princesa Isabel participou das festividades da Santa em 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, em 1868, com seu marido, Conde d’Eu, na esperança de conceberem um herdeiro. Como devoção, ela doou um manto à imagem, com 21 brilhantes, representando as 20 Províncias do Império, mais a capital. 
 
Anos depois, em 1884, a princesa voltou para agradecer a graça recebida; pois estava acompanhada de seus filhos, os príncipes Dom Pedro, Dom Luís e Dom Antônio. Novamente ela honrou a Santa com uma coroa de ouro 24 quilates, 300 gramas, cravejada de brilhantes, que foi usada na solene coroação da imagem, por ordem do Papa São Pio X.
 
Em 1967, o beato Papa Paulo VI, por ocasião dos festejos dos 250 anos do encontro da imagem, ofereceu uma Rosa de Ouro. Em 1980, São João Paulo II esteve no Brasil e consagrou e concedeu o título de Basílica Menor ao Santuário de Aparecida; ele doou o Mosaico dos Quatro Evangelistas e do Cordeiro, instalados na Capela do Santíssimo. 
 
Em 2007, durante a V Conferência Geral Latino-Americano e Caribenho em Aparecida, o Papa Bento XVI ofertou a segunda Rosa de Ouro a Nossa Senhora. Neste ano, o papa Francisco enviou ao Santuário Nacional outra Rosa de Ouro, por conta do Jubileu de 300 anos do encontro da imagem aparecida nas águas do Rio Paraíba. 
 
 
Celebrações em Sorocaba
 
No Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no bairro Aparecidinha, as Missas nesta quinta-feira (12) serão celebradas às 6, 7h30, 9, 10h30, 12, 13h30, 15, 16h30 e 18 horas. Desde segunda-feira (9), devotos preparam-se para a festa da Padroeira com um tríduo, que se encerrou nesta quarta-feira (11).
 
Já na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, situada na Vila Angélica, na Avenida Ipanema, a programação começa com Missa às 7 horas, prosseguindo, das 8 às 11 horas, com a recitação do Rosário de Nossa Senhora; das 11 às 12 horas, será meditado o Ofício da Imaculada Conceição e feita a Coroação de Nossa Senhora. A Missa Solene será presidida pelo arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, SAC, às 15 horas, e, em seguida, sairá a procissão pelas ruas do bairro. 
 
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