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<< ECONOMIA Shoppings revelam como estão superando a crise Preocupação e esforço estão concentrados na atração e fidelização dos consumidores

Publicada em 15/09/2017 às 19:09
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(Foto: Divulgação)
OTIMISMO NA ECONOMIA
 
Marasmo. A palavra é a primeira que vem à mente ao encarar corredores vazios nos shoppings de Sorocaba. Quem tem frequentado os locais nos últimos meses percebe que menos pessoas têm escolhido os estabelecimentos como opções de lazer e compras e nem todo mundo que entra, consome. “O movimento deu uma caída em relação ao ano passado e, consequentemente, as vendas tiveram queda”, confirma a gerente de um ponto comercial em shopping da cidade.
 
Vendedores à espera de clientes e responsáveis em busca de soluções. Na reportagem especial deste fim de semana, o DIÁRIO mostra como os shoppings da cidade estão passando por este momento delicado da economia brasileira e quais as alternativas para superar a tão temida crise.
 
APOSTA NO MIX – Aproximadamente 400 lojas, sendo 359 delas em funcionamento e com previsão de 376 ocupadas nos próximos meses. Considerando-se o principal empreendimento para moda, gastronomia e entretenimento da região e garantindo renovação constante de seu mix de ofertas, o Shopping Iguatemi Esplanada, nos altos do Campolim, mantém-se otimista em meio ao atual cenário econômico.
 
O centro comercial tem duas entradas: a da Ala Sul pela avenida Gisele Constantino, 1.850, do Parque Bela Vista, em Votorantim, e a da Ala Norte pela avenida Izoraida Marques Peres, 401, no Parque Campolim, em Sorocaba. Além de estar em dois municípios, o Iguatemi Esplanada revela receber, mensalmente, mais de um milhão e meio de pessoas, oriundo de diversas cidades da região.
 
Para que o número de frequentadores do Shopping seja equivalente ao de consumidores, a proposta é gerar uma grande experiência de consumo, na qual o processo de compra seja uma consequência. A direção do Iguatemi Esplanada explica ter apostado em novas ações de entretenimento/lazer e opções que incrementem o mix, tornando-o mais atrativo. Porém, como tantos outros estabelecimentos comerciais pelo País, aquele centro de compras também não passou imune pelo cenário econômico, principalmente em relação aos investidores. “O que sentimos atualmente é uma demanda crescente de novas marcas chegando ao empreendimento e no movimento que tende a vinda de marcas inéditas na região e operadores que até então estavam presentes como comércio de rua e passam a migrar”, comenta a assessoria do Shopping.
 
O Iguatemi Esplanada vê as instabilidades na economia como uma oportunidade de negócios. Para o Shopping, o momento foi de aproximação com os lojistas, troca de experiências e ideias e delineamento de estratégias que minimizassem impactos e trouxessem benefícios a curto e médio prazo.
 
“A grande lição é que podemos e continuamos a atuar bem. Nesses movimentos, vimos a geração de um novo vetor dentro dos shoppings, com pequenos empreendedores que apostam com novas ideias e formato de negócios, como as lojas temporárias”, explica ainda a assessoria do Esplanada Iguatemi.
 
O varejo não tem uma fórmula engessada de atuação, segundo o estabelecimento, mas este procura entender pontualmente cada loja e desenvolver um planejamento específico para conversão de vendas. O trabalho de cross selling, ou parceria com outras lojas, é tido como essencial.
 
O DNA forte para o vanguardismo, o ineditismo e a entrega de uma experiência de consumo única são as bases que, de acordo com o próprio Iguatemi Esplanada, o definem como um marco na região, que tem e faz história. Para os próximos meses, mais empreendimentos estão previstos, como novas salas de cinema e área de uso misto, com instalação de um hotel e torre residencial. O projeto fará do Shopping o décimo maior e mais completo do País.
 
LOCALIZAÇÃO AJUDA – As instalações no número 823 da avenida Dr. Afonso Vergueiro, no Centro da cidade e ao lado do Terminal Santo Antônio, são um dos motivos apontados pelo Pátio Cianê Shopping para a garantia de sucesso comercial mesmo em tempos de instabilidade econômica.
 
Nos últimos anos, o Pátio Cianê afirma ter se tornado uma escolha privilegiada dos investidores na Região Metropolitana de Sorocaba; a localização garante um grande fluxo diário de pessoas. No comparativo com o ano passado, o número de frequentadores e consumidores cresceu cerca de 10%.
 
O Pátio Cianê tem mais de 120 lojas, com a inauguração de três unidades recentemente. “No entanto, como este posicionamento é dinâmico, o empreendimento está sempre trabalhando para ampliar a diversidade de operações de seu mix de lojas”, explica a assessoria do Shopping. “A abertura de novos negócios, como quiosques e franquias, também torna mais dinâmico o nosso movimento comercial”.
 
Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) apontados pelo Pátio Cianê, a taxa de ocupação de lojas dentro dos shoppings no Brasil é uma das mais altas do mundo. “Em geral, em momentos de crise, as que encerram operações são as lojas mais novas porque demoram mais para conquistar o público”, informa. No entanto, o momento de instabilidade no Brasil não passou despercebido pelo centro comercial: “É inegável que a crise político-econômica que afeta o País, produziu reflexos também no varejo nacional, como um todo”, observa a assessoria do Pátio Cianê, reconhecendo que o empreendimento procurou, então, manter a atração de clientes, garantindo o mix de produtos e oferecendo uma programação diversificada e de qualidade de eventos culturais e de lazer ao longo do ano.
 
Um relacionamento de transparência e respeito com os lojistas é considerado essencial para o sucesso do empreendimento. Em relação ao consumidor, o Pátio Cianê conta estar empenhado em identificar o perfil do público para corresponder a preferências e necessidades. Com todo o esforço, o Shopping adianta já conseguir observar, nos últimos meses, que os números da economia começaram a dar algum sinal de alívio e retomada. Para o Pátio Cianê Shopping, aliás, garantir-se como diferencial para quem busca diversidade de opções de lazer, gastronomia e serviços em um único lugar independe da questão econômica do País.
 
 
Setor deve crescer 5% até o fim do ano
 
Após um 2016 com números positivos, o setor de shopping centers previu crescimento também em 2017, com aumento de 5% nas vendas feitas pelos estabelecimentos. “Isso mostra um panorama da importância e da eficiência na gestão dos empreendimentos, que possibilita mesmo em momentos adversos que conseguimos crescer,” reconhece o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai. 
 
A Abrasce divulgou no fim de janeiro os resultados de 2016 e as tendências para o setor este ano. No ano passado, o setor faturou R$157,9 bilhões nos mais de 500 empreendimentos do País, resultando no crescimento de 4,3%. 
 
O Censo Abrasce mostrou ainda, por outro lado, que em 2016 foram inaugurados 20 novos empreendimentos, totalizando 558 shoppings em operação no Brasil, o que representa 3,7% de aumento em relação ao ano anterior. “Mesmo diante de um cenário adverso, conseguimos inaugurar 20 novos centros de compras em todas as regiões do País”, comemora Humai.
 
Para 2017, estão previstos 30 novos negócios no País em treze cidades que receberão o primeiro shopping. Este ano, o setor deve investir R$166 bilhões entre novos empreendimentos, expansões e modernizações. O número de empregos nos centros de compras também cresceu: em 2016, foram registrados 26.302 novos postos de trabalho, o que representa 2,7% a mais do que o ano anterior. Para este ano, a expectativa também é otimista para quem procura uma vaga: a meta é que o setor empregue 52 mil pessoas.
 
Apesar dos resultados satisfatórios, a vacância média do setor encerrou 2016 com 4,6% a mais de espaços desocupados nos centros comerciais do que o ano anterior. “O número está em linha com o ano passado, que já foi difícil, mas uma vacância ainda administrável”, considera o presidente da Abrasce.
 
Entre as tendências para o setor, está o crescimento do número de outlets (shoppings especializados que apresentam preços inferiores aos que são oferecidos nas lojas convencionais). De acordo com a superintendente da Abrasce, Adriana Colloca, o empreendimento tem crescido por ser econômico: “Eles têm um custo de operação mais baixo, por ser a céu aberto e estar no térreo”, diz, informando  que, no momento, são 11 outlets em operação e que até 2019 a previsão é de que sejam abertos outros cinco.
 
 
‘Boom’ de inaugurações já passou
 
Desde 2012, a cidade de Sorocaba viu seu número de shoppings crescer espantosamente. As opções, até então, eram o Sorocaba Shopping, o primeiro do Município e o terceiro do Brasil, inaugurado em 1981; o Panorâmico Shopping Center, do mesmo empreendedor, aberto oito anos depois; e o Shopping Esplanada, que iniciou suas atividades em 1991. Então, em um período de 17 meses, cinco outros empreendimentos surgiram: em junho de 2012, o Plaza Shopping Itavuvu; em dezembro do mesmo ano, o Shopping Villagio, no bairro de Santa Rosália; em setembro de 2013, o Shopping Cidade Sorocaba, nos altos da avenida Itavuvu também, na Zona Norte; no mês seguinte, o Shopping Pátio Cianê; e, em novembro de 2013, a reformulação do Esplanada Shopping, com a associação ao Iguatemi.
 
Dos seis estabelecimentos anunciados há cinco anos, apenas três seguem em atividade. Na conta, inclui-se ainda o Tangará Shopping, na região da avenida General Carneiro, no Cerrado, que tinha inauguração prevista para 2014, adiada depois para 2017, mas que, até agora, sequer tem previsão para continuidade das obras de construção.
 
Para este ano, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) não tem previsão de inaugurações na cidade.
 
DADOS NACIONAIS – Em 2017, 562 shoppings mantêm-se em funcionamento no País. Estimativas da Abrasce mostram que mais de um milhão de empregos são gerados nos empreendimentos.
 
O Estado de São Paulo é o que tem mais shoppings, com 180, além de mais dois até o fim de 2017. Enquanto isso, Acre e Rondônia, por exemplo, têm apenas um shopping cada.
 
 
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