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Diário de Sorocaba

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<< SOROCABA Carreira de modelo tem desafios e alegrias Sorocabana que viralizou nas redes sociais em campanha conta como persistiu na carreira

Publicada em 08/09/2017 às 18:14
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(Foto: Reprodução/Facebook)
SEGUINDO O SONHO
 
Avenida Paulista, 28 de agosto de 2017. Sete modelos de biquíni roxo e salto alto preto, segurando faixas com frases como “Sem preconceito” e “Seja ousado”, atravessam faixas de pedestre com o sol a pino para chamar a atenção de motoristas e pedestres que mantinham o fluxo intenso característico da região.
 
A ação de marketing para uma agência de publicidade mobilizou até demais: o condutor de uma caminhonete branca chegou a bater o carro ao se distrair; não houve feridos ou grandes danos materiais, mas o fato viralizou nas redes sociais e foi noticiado em veículos de comunicação por todo o País. “Quando o carro bateu, foi engraçado”, admite a modelo sorocabana Micaela Cavichioli, 19 anos, que participou da ação junto a outras colegas de diferentes cidades paulistas. 
 
Deixando o incidente de lado, Micaela conta que o grupo ficou surpreso com a demonstração de respeito para com o trabalho que elas ali desenvolveram. “Não era só chegar na avenida Paulista e sair mostrando o corpo. A gente tinha uma meta a cumprir. Foi um mês de planejamento”, defende.
 
A sorocabana começou a modelar aos 6 anos de idade, mas não durou muito tempo na nova realidade. “Eu era pequena, não entendia. Não dava para ficar num lugar cheio de outras pessoas, esperando muito. Fiquei desconfortável”, explica.
 
Com a insistência de terceiros para que ela tentasse a carreira de modelo, Micaela deu nova chance à atividade aos 11 anos. Apesar do cansaço em precisar locomover-se constantemente a São Paulo e, às vezes, ficar sem alimentação para pagar o transporte, persistiu. “Fiz todos os cursos, mas é muito investimento. Pensei em parar de novo”, relembra. O patrocínio, porém, a deu mais uma chance.
 
ESCALADA PARA O SUCESSO – Contratada em uma agência e com diversos cursos no currículo, a paixão pelo mundo da moda reacendeu a força de Micaela. “Achava muito legal ver as moças desfilando e queria fazer aquilo”, conta.
 
O trabalho em Sorocaba é cansativo e escasso, segundo a modelo. “As meninas acham que se entrar na agência já vai desfilar, mas acaba indo entregar panfleto no farol e fazer promoção de rádio”, revela. “Quando faz foto, é difícil receber”.
 
A falta de pagamento e oportunidade foi um dos motivos que levou Micaela a desvincular-se da agência em que estava. “Quando percebi que não daria certo, fui conversando com as pessoas com as quais eu trabalhava. Eles me chamavam de por fora”.
 
Porém, o caminho não é fácil. “Tem muita coisa que não aprovo, que eu não faria”, explica a modelo. “Tem que ter muita força de vontade para crescer sem recorrer aos meios errados. Mas eu não me envolvo. Quero conseguir pelo meu próprio esforço”.
 
Atualmente, mais de uma década após seu primeiro contato com a moda, Micaela também estuda Jornalismo na Esamc. “Já fui apresentadora da TVCom Sorocaba, talvez eu siga por isso”, comenta.
 
Apesar dos desafios diários em manter-se na carreira, a jovem não pensa em desistir. “O maior desafio é conseguir trabalho todo dia, mas a maior alegria é realizá-los com sucesso e receber elogios”, comemora.
 
DICAS – A pouca idade não impede Micaela de já ter uma bagagem de experiência para aconselhar os jovens que desejam entrar no universo da moda.
 
“Não gaste dinheiro com book de agência”, defende ela, de supetão. “Tem que fazer um novo a cada seis meses e cobram, no mínimo, R$ 1.500. Melhor contratar um bom fotógrafo e fazer sozinha”.
 
O controle financeiro é outro ponto que merece atenção. “É preciso correr atrás do sonho sem gastar tanto”, afirma Micaela. “Procure patrocínios. A carreira tem muito investimento; a gente consegue aos poucos”.
 
Por fim, a estudante sugere a produção de um videobook, no qual as fotos feitas em ensaio fotográfico sejam ordenadas em um vídeo. “As agências não falam isso, mas entregar o material em emissoras de TV traz oportunidades”, afirma.
 
 
Moda deve valorizar a diversidade de belezas
 
Apesar do mundo da moda inspirar jovens cada vez mais, nem todos têm oportunidades iguais na carreira. Logo, alguns artifícios vêm sendo desenvolvidos para que a profissão torne-se cada vez mais inclusiva.
 
Em 2009, instituiu-se que, ao menos, 10% dos modelos que desfilassem no São Paulo Fashion Week (SPFW), o maior evento de moda do País, deveriam ser negros, afrodescendentes ou indígenas. A cota foi estabelecida por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em maio daquele ano entre o Ministério Público do Estado de São Paulo e a organizadora do evento.
 
Um inquérito civil instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social (GAEIS) do MP apontou um baixo número de negros e indígenas entre os modelos participantes do evento. Por essa constatação, sugeriu o estabelecimento da medida como forma de inclusão social.
 
Para Helder Dias Araújo, diretor da HDA Models, agência especializada em modelos negros, a medida foi necessária, apesar de ressaltar que “gostaria que não houvesse essa necessidade da Justiça impor para uma entidade a contratação de negros”.
 
A falta de negros nas passarelas não se deve somente ao preconceito, na opinião de Araújo. O problema ocorreria porque os estilistas preferem copiar fórmulas de sucesso do Exterior, em vez de criarem com base nas características tipicamente brasileiras, como a diversidade racial.
 
A organização do SPFW declarou, na época, que “acredita ser fundamental o apoio à inclusão social dos diversos tipos étnicos presentes na população brasileira, dentro de um processo sociocultural com reflexos históricos”. “Como evento de repercussão internacional, revelou várias modelos, que fazem sucesso por uma característica de nosso País: a mestiçagem, fruto de nossa diversidade, que faz do Brasil um celeiro reconhecido de belezas únicas”, concluía.
 
TODOS PARTICIPAM – Um desfile de beleza indígena organizado para os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), em Palmas, no Estado do Tocantins, em 2015, deu início a uma série de atividades que valorizam as modelos representantes de diversos países desde então. A apresentação já era tradicional nas festividades indígenas, mas ampliou o espaço para mais etnias.
 
Um tapete vermelho foi colocado no meio da arena e os atletas que mais cedo, no período da tarde, participaram das demonstrações das modalidades tradicionais, se sentaram para prestigiar e torcer pelas representantes de suas aldeias. “Esse momento dos Jogos foi pensado para mostrar a beleza da mulher indígena. Essa prática é muito comum nas aldeias. Não é uma disputa. Queremos mostrar que a beleza não é definida porque a mulher é magra ou não. A finalidade é mostrar a beleza peculiar de cada etnia”, explicou o articulador dos Jogos Mundiais Indígenas, Carlos Terena.
 
Cerca de 50 mulheres se apresentaram, cada uma com pinturas e adereços típicos de suas etnias. Entre as representantes das etnias brasileiras, o que se viu foi uma diversidade grande de pinturas corporais, colares, cocares e adereços que traziam para o tapete vermelho do desfile as características de cada povo.
 
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