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<< SOROCABA, 363 ANOS O sonho de contribuir para que a cidade alcançasse excelência na Saúde

Publicada em 14/08/2017 às 18:03
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Dr. José Francisco Moron Morad
 
Meus avós, com exceção da minha avó materna, vieram do Líbano e da Espanha. Já meus pais e irmãos nasceram em Sorocaba, assim como eu. É onde constituí uma família junto à minha esposa e convivo com meus filhos e netos. Só por esses fatos, pode-se imaginar o quão forte é minha relação com esta cidade.
 
Aqui, também me formei médico, na década de 70. Lembro-me com alegria dos tempos de estudo na honrosa Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP – nacional e popularmente conhecida como PUC-Sorocaba –, da qual, com muito orgulho, participo como docente até os dias atuais.
 
Como cirurgião vascular, meu sonho era contribuir para que nossa cidade alcançasse excelência na área da Saúde. Por esta razão, sempre estive disposto a exercer cargos diretivos, como, de fato, exerci na Diretoria Regional de Saúde do Estado de São Paulo. Contudo (e infelizmente), o setor público não consegue oferecer recursos e estruturas adequadas à prática de uma medicina referencial.
 
Lá pelo final dos anos 90, fui convidado a ser um dos diretores-executivos da Unimed Sorocaba, da qual sou cooperado há mais de três décadas. Já em 2012, após doze anos ininterruptos neste cargo, tive a honra de ser eleito pelos meus colegas para ocupar a presidência da instituição. A seguir, em 2016, fui reeleito pelos mesmos colegas.
 
Foi na Unimed Sorocaba, ao lado de todos os demais dirigentes, cooperados e colaboradores, que consegui ver realizado o antigo sonho de esta cidade ter, realmente, uma medicina de qualidade inquestionável.
 
É por isso – na condição de médico e dirigente de uma organização que possui um dos hospitais mais respeitados em todo o País e com mais de mil colegas médicos extremamente qualificados – que me sinto à vontade para opinar sobre a saúde em Sorocaba.
 
Nas últimas décadas, houve uma significativa retração na quantidade de leitos para internação ofertados ao setor público, tendo por base a legislação que estabelece esses parâmetros de disponibilidade no modelo de atendimento hospitalocêntrico e curativo. Isso me preocupa. E não foi somente o crescimento populacional que causou o problema: muitos hospitais particulares encerraram suas atividades ou romperam seus convênios para atendimento SUS.
 
Para piorar, nos últimos anos, em decorrência da crise, muitas pessoas deixaram de ser cobertas por planos de saúde e passaram a procurar pelo atendimento público. Isso me preocupa ainda mais.
 
O negativo cenário econômico do País trouxe sérias consequências e uma redução importante nos recursos financeiros alocados para a Saúde. Esta escassez atingiu diretamente a municipalidade. Reconhecemos o esforço dos gestores, mas, com o que se dispõe, fica muito difícil a implantação de uma política de Saúde eficaz.
 
Diante dessa problemática, alguns defendem a ideia de Sorocaba ter seu próprio hospital. Respeitosamente, divirjo desse ponto de vista. A municipalidade, ao meu ver, deve se responsabilizar diretamente pelo atendimento às clínicas básicas e especialidades médicas (atendimento primário e secundário), com ênfase no atendimento integral à saúde e com equipes multidisciplinares, apoiada nos programas de atendimento primário à saúde, além de contar com uma rede credenciada de hospitais, apoiada nos recursos estaduais e federais (atendimento terciário).
 
Administrar uma instituição de saúde é complicado. Afinal, um erro de gestão pode comprometer irreversivelmente sua solidez financeira – e exemplos disso não faltam. Vale ressaltar que o poder público brasileiro (seja municipal, estadual ou federal), via de regra, não consegue ser um gestor realmente eficaz, até por desalinhamentos políticos nos diferentes níveis de poder. Precisamos ter uma política de saúde que não sofra com influências político-partidárias.
 
A requisição da Santa Casa não resolve a questão. Na verdade, até piora: quando administrada pelo município, perde quase todos os benefícios fiscais decorrentes da sua condição filantrópica. Entre eles, estão a isenção de impostos, repasses e doações federais e estaduais, o que acaba exigindo mais aportes dos cofres públicos.
 
De modo geral, vejo a saúde nesta cidade com preocupação; porém, com a plena certeza de que, com poucos ajustes, assertivos e corajosos, podemos colocá-la numa rota de ascendência. É muito provável que tenhamos mais recursos à disposição, uma vez que a arrecadação municipal ganhará um novo adicional: uma lei aprovada pelo Congresso, e que deverá valer a partir de 2018, obrigará o recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS) com base no local onde o tomador do serviço está lotado.
 
Apenas considerando as operadoras de planos de saúde, já que algumas - diferentemente da Unimed Sorocaba - não têm sede em Sorocaba, terão de recolher o imposto para este município. Será, certamente, um valor bastante considerável.
 
Para finalizar, sempre digo aos meus filhos e netos que nunca pensei em sair de Sorocaba. Muito pelo contrário – nas poucas vezes em que estive fora, seja em cursos ou especializações, só pensava em voltar para cá. Minha vida é aqui, nesta cidade que amo e respeito.
 
Dr. José Francisco Moron Morad é cirurgião vascular e presidente da Unimed Sorocaba
 
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