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<< SOROCABA, 363 ANOS Minha paixão por Sorocaba

Publicada em 14/08/2017 às 18:01
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(Foto: Secom)
Luiz Marins
 
Para entender minha paixão por Sorocaba é preciso conhecer e entender a nossa história. Sorocaba, sem exagero, é uma das mais importantes cidades na formação e desenvolvimento do Brasil e quiçá das Américas.
 
Sorocaba é a única cidade das Américas (de porte grande) que nasceu e se desenvolveu em torno de um Mosteiro, como Copenhagen e outras importantes cidades europeias. O nosso Mosteiro é um dos mais importantes do mundo. É um dos únicos com mais de 350 anos de presença ininterrupta de monges. No Brasil é um dos únicos com partes totalmente originais. A prova de sua importância histórica foi atestada pela edição de uma Medalha Oficial do Brasil pela Casa da Moeda e de um Selo Nacional pelos Correios do Brasil quando da comemoração dos 350 anos de nosso Mosteiro, em 2010. A história do Mosteiro de São Bento de Sorocaba merece, portanto, ser mais conhecida e difundida.
 
O Bandeirismo também teve em Sorocaba um de seus berços. O fundador, Capitão Baltazar Fernandes, e seu genro, o Capitão André de Zuñega Y Leon, os primeiros moradores da Vila de Sorocaba, eram Bandeirantes, que ampliaram as fronteiras do País. Paschoal Moreira Cabral, os irmãos Antunes Maciel, os Sutil de Oliveira, os Almeida Falcão e muitos outros desbravaram primeiramente o sul do Brasil; mais tarde aprofundaram-se para o sul do Mato Grosso, Campos de Vacaria, onde montaram um entreposto para comerciar com os espanhóis, ponto de partida para explorações por toda a extensão das selvas amazônicas. Em 1715, Paschoal Moreira Cabral parte com uma grande Bandeira para o Mato Grosso e, em 8 de abril de 1719, fundou o Arraial de Nossa Senhora do Coxopó, que foi mudado em 1722 para a atual localização de Cuiabá, após Miguel Sutil de Oliveira ter encontrado quantidades imensas de ouro nas próprias ruas daquele arraial. Com isso, sorocabanos fundaram Cuiabá e desbravaram para o Brasil um dos seus mais ricos Estados.
 
Sem dúvida a mais importante contribuição histórica de Sorocaba pode ser considerada o Tropeirismo, que do início do Século XVIII até o final do Século XIX foi responsável pelo desenvolvimento urbano de várias regiões do Brasil, principalmente a Região Sul. Aos que desejarem entender melhor a nossa cidade, meu conselho é que estudem o tropeirismo e sua influência. As marcas dos tropeiros sorocabanos estão em todo o lugar de Viamão a Sorocaba e de Cruz Alta até aqui, cidades foram fundadas e desenvolvidas por sorocabanos.
 
Temos ainda a figura de Rafael Tobias de Aguiar, o Brigadeiro Tobias, que comandou a Revolução Liberal de 1842 juntamente com o padre Diogo Antônio Feijó para combater a ascensão dos conservadores durante o início do reinado de Dom Pedro II. Esse importante sorocabano foi, por duas vezes, presidente da província de São Paulo, tendo fundado a Polícia Militar em 1831.
 
Outro motivo de nosso orgulho é a Estrada de Ferro Sorocabana. Fundada em 1875, teve muitas ampliações em suas linhas e em 1907 foi arrendada para a "The Sorocaba Railway Co.", empresa de capital inglês. Em 1918, passou à propriedade do Estado de São Paulo, até que um acordo permitiu sua incorporação à Rede Ferroviária Federal S.A. e posteriormente a sua privatização. A partir de 1850, registra-se a decadência das feiras de muares devido à criação das linhas férreas, o que propícia para a região o início de outra atividade econômica, o das indústrias têxteis.
 
A primeira fábrica de tecidos em Sorocaba foi inaugurada por Manuel José da Fonseca em 1882, com o nome de Nossa Senhora da Ponte. Nos anos seguintes, outras iniciativas foram concretizadas: Fábrica da Banha (1883), de Francisco Mattarazzo; Fábrica de Tecidos Santa Rosália (1896), de George Oeterer, Frank Speers e Francisco de Paula Mayrink; Fábrica de Tecidos Santa Maria, de Alexandre Marchisio. No início do Século XX, outras indústrias importantes surgiram. Um grande empreendimento implantado na região, em parceria com os ingleses, deu-se em 1890, com a construção da barragem de uma usina hidrelétrica nas corredeiras do Rio Grande (Itupararanga). Em seguida, surgem as Indústrias Votorantim. Sorocaba passa a ser conhecida como a “Manchester Paulista”.
 
Toda essa rica história e mais a composição étnica de sua formação fez do sorocabano um povo especial, diferente e único. Sem aristocracia rural, esta gente, essencialmente mercantil, simples, desconfiada, avessa às coisas sofisticadas, traz até hoje as marcas de sua história. Não temos nomes de famílias importantes. Não temos elite que não seja puramente mercantil. Não temos clubes fechados e exclusivos. Temos poucos restaurantes considerados “chics”. O nosso trajar é simples, mas não barato. Nosso amor aos automóveis – Sorocaba é considerada a capital nacional do carro usado – resquício do tropeiro que vai para várias regiões do Brasil comprar carros para serem vendidos em nossas dezenas de lojas é outra marca registrada de nossa gente. Ostentamos nossos carros como os tropeiros faziam com suas mulas. Como ainda tropeiros simples, somos grandes viajores. O sorocabano é um dos povos que mais viajam, segundo me afirmou um pesquisador da área.
 
Por tudo isso é que sou apaixonado por Sorocaba, sua história e seu presente. Aqui você pode ser o que quiser ser. Aqui você se veste como quiser. Aqui você vai a qualquer lugar sem se sentir discriminado. Aqui os amigos valem por ser amigos e não pelo nome de família ou pelo dinheiro que possam ter. Aqui o seu papel social não lhe dá status. Somos todos iguais e nos orgulhamos disso. A simplicidade, que beira ao simplório, é a grande marca de nossa gente. Viva Sorocaba!
 
Luiz Marins é professor, antropólogo, e consultor de empresas 
 
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