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Diário de Sorocaba

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<< SOROCABA, 363 ANOS Uma cidade a ser descoberta todos os dias

Publicada em 14/08/2017 às 17:53
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(Foto: Divulgação)
Werinton Kermes
 
Foi esta terra rasgada que acolheu meus pais. Aqui nasci, nasceram meus irmãos e foi onde eu, criança, brincava na rua até escurecer, quando entrava em casa, encardido e suado, para o banho, a “janta” e dormir.
 
Meu mundo tinha o tamanho da Vila Angélica daquele tempo. Ali meu pai fez o campinho em que os moleques vizinhos vinham jogar bola; fui à escola, cantei o hino, hasteei bandeira, fiz fila para a entrada; corri livre nas ruas de terra; soltei pipa; comi doces; ralei o joelho; briguei; sofri; vi pessoas sofrerem e se ajudarem.
 
Na Vila Angélica, minha mãe teve uma banca, e foi por meio de revistas, com fotografias de lugares próximos e distantes, que percebi o quanto Sorocaba parecia pequena para meus sonhos. Mas foi a mesma Sorocaba que me ajudou a ser quem sou, a fazer o que faço, a olhar para cada espaço velho-conhecido: a Concha Acústica, onde quase fui preso por expor imagens em uma bandeira do Brasil; a Grande Otelo, onde entendi que a cultura é capaz de transformar vidas; o DIÁRIO DE SOROCABA, que tornou o sonho realidade, pois foi onde exerci a atividade de repórter fotográfico, passando daquele que via as fotografias nas revistas a alguém que as produzia e podia publicá-las; a praça Coronel Fernando Prestes, onde encontrei amigos; a Praça do Canhão; onde me intriguei com a história; o Quinzinho de Barros, lugar de sonho na infância.
 
Amo Sorocaba pelas coisas que permanecem: Zé Franco com o mesmo sorriso de tantos anos, no mesmo Mercado Municipal, com o mesmo cheiro de café moído na hora. Amo Sorocaba pelas coisas que se transformam: uma entrada da cidade mais que malacafenta e triste, que me recebia alegre quando eu voltava todos os dias da labuta fotográfica em São Paulo, e que hoje é só lembrança, pois se transformou tremendamente: com flores, com a marginal, agora toda arborizada, as ciclovias, os parques e gente correndo, caminhando, de patins, de skate, bicicleta.
 
Amo Sorocaba dos meus filhos e sobrinhos. Amo porque não a conheço mais e assim posso descobri-la a cada dia. Porque há sempre algo novo e fora de controle para se apreender, dominar, entender, conhecer e amar ou detestar.
 
Amo a perfeita imperfeição de Sorocaba, cheia de problemas, mas também de memórias, afetos, artistas de todas as áreas, amigos antigos e recentes.
Amar Sorocaba é o que me faz respirar fundo a cada retorno, quando, de longe e do alto da estrada que me traz de volta para casa, percebo-a iluminada nas primeiras horas da noite, arrastando-se pelos poucos espaços ainda vazios e preenchendo minha existência com raízes fundas, fortes e cheias de vida.
 
Werinton Kermes é secretário municipal da Cultura
 
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