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<< SOROCABA, 363 ANOS Baltazar Fernandes, o primeiro apaixonado por Sorocaba

Publicada em 14/08/2017 às 17:44
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(Foto: Arquivo/Secom)
O capitão Baltazar Fernandes, nascido bastante provavelmente no ano de 1580 no Ibirapuera, Vila de São Paulo, vindo a residir logo depois com a mãe Suzana Dias, os irmãos, enfim, a família, em Santana do Parnaíba, pode ser apresentado como o primeiro grande apaixonado por Sorocaba. Estas paragens onde principiou em 1654 (alguns historiadores chegam a afirmar que por volta de 1648 já teria aberto por aqui seus primeiros currais de gado) a edificação do Povoado de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba lhe pertenciam por herança familiar. A historiografia paulista, inclusive, apresenta os três irmãos Fernandes como ilustres bandeirantes e povoadores. André, seu irmão mais velho, fundara Santana do Parnaíba por volta de 1580 e elevada à condição de Vila em 1625, e Domingos Fernandes, em 1610, Itu.
 
Bandeirante como os irmãos, Baltazar Fernandes já deveria estar por volta de seus 70 anos de idade quando deixa a lida que o levou por muitas vezes ao sertão à caça de índios - em 14 de maio de 1653 ainda assinava como procurador de Santana do Parnaíba na Câmara de São Vicente - sede de toda a Capitania - composição amigável para a volta dos padres jesuítas - para estabelecer-se nas paragens de Sorocaba. Assim, em fins daquele ano de 1654, já tendo construído sua casa-grande nas proximidades do local onde hoje é o bairro do Lageado e a capela (a atual igreja de Santa Ana, do Mosteiro de São Bento), reuniu Baltazar Fernandes toda a família - inclusive genros, outros parentes e amigos, bem como seus quatrocentos escravos índios - e se estabelece definitivamente nas paragens de Sorocaba. "Estávamos no segundo semestre do ano de 1654, quando a grande caravana de gente, animais e bens materiais aportava à paragem, denominada Apoteribu, mais exatamente a três léguas e meia do Morro de Araçoyaba, onde é fundada uma capela em honra a Nossa Senhora da Ponte e em torno da qual os parnaibanos se fixam", narram em seus escritos os historiadores sorocabanos.
 
Ao chegarem, os povoadores de Sorocaba, liderados pelo capitão Baltazar Fernandes, encontraram - além da casa-grande do fundador no Lageado e da pequena e primitiva capela - a rudimentar ponte sobre o rio Sorocaba, na altura da atual rua XV de Novembro, deixada por Afonso Sardinha quando de sua presença na região em fins do século XVI, para exploração de minérios junto ao Morro de Araçoyaba.
 
BENEDITINOS AJUDARAM A GARANTIR A ESTABILIDADE DO POVOADO - O Povoado de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba progrediu muito em menos de cinco anos apenas e o seu fundador, Baltazar Fernandes, mostrava-se radiante. No entanto, ainda não dava por consumada a sua obra colonizadora; faltavam ainda dois passos importantíssimos. Passou, então, a ocupar-se da vinda de sacerdotes. De nada adiantava a simples existência de uma capela no Povoado se inexistia nele a assistência eclesiástica devida e permanente, tanto reclamada pelos seus próprios familiares e amigos povoadores, que traziam no sangue elevado espírito cristão. Os Padres Beneditinos, que inclusive já tinham um mosteiro na Vila de Santana do Parnaíba, eram a principal alternativa para cuidar da assistência espiritual dos moradores do Povoado e também para administrar os Sacramentos da Igreja.
 
Assim, a 21 de abril de 1660 a história registra a presença do capitão Baltazar Fernandes novamente em sua Vila de Santana do Parnaíba, reunido com os representantes dos padres de São Bento, do Mosteiro local, quando então, por escritura pública, fez doação à Ordem Beneditina da Capela de Nossa Senhora da Ponte, além de alguns outros bens imóveis de sua Sorocaba, em troca da vinda de sacerdotes para zelar pela espiritualidade de seu povo. Pelo documento firmado, Baltazar Fernandes doava aos beneditinos, além da Capela de Nossa Senhora da Ponte (depois de 1667, com a construção da primeira Igreja Matriz, possuidora de outros oragos, até chegar a Santa Ana), terras no centro do povoado, "um touro, doze vacas, moço índio para atender a sacristia e moça para a cozinha, doze índios fortes para cuidar da lavoura e da criação, uma roça de mandioca para começo, a propriedade da vinha e do moinho", embora reservado o uso-fruto de parte desses bens até a sua morte, ocorrida em 1667. Em contrapartida, a Ordem de São Bento, por sua vez, ficava obrigada a, entre outras coisas, prover o lugarejo de padres para celebrar missa diariamente, realizar batizados e casamentos e também administrar os outros Sacramentos da Igreja, prestando toda a assistência religiosa de que necessitassem os moradores. Também seriam os beneditinos professores dos filhos dos colonos, ensinando-lhes Canto e Latim e permitindo, assim, que viessem a ser `homens bons', como eram considerados na época os que exerciam profissões manuais, com exceção apenas da lavoura. Eles ainda, pela escritura que possibilitava a fundação de um Mosteiro de São Bento em Sorocaba, ficavam obrigados a dar aos mortos sufrágios religiosos por suas almas, para que pudessem, assim, gozar do descanso eterno "sem serem esquecidos nas orações dos vivos".
 
Uma outra exigência contida em tal documento é esta: em troca das doações, o capitão Baltazar Fernandes exigia também que os padres beneditinos, além de lhe dar sepultura digna na então Capela de Nossa Senhora da Ponte, após sua morte rezassem treze missas anuais em intenção de sua alma e para todo o sempre, sendo uma em cada mês do ano e a décima-terceira no dia da festa litúrgica de Nossa Senhora da Ponte, a padroeira do Povoado, agora comemorada em 15 de agosto. Como o fazem até hoje...
 
A VILA A 3 DE MARÇO DE 1661 - Os Padres Beneditinos ainda não tinham principiado a construção de seu mosteiro em Sorocaba quando o capitão Baltazar Fernandes teve a auspiciosa notícia da presença, na Vila de São Paulo, do governador do Rio de Janeiro e das Capitanias do Sul, Salvador Corrêa de Sá y Benavides, expulso que fora por fluminenses amotinados. Sabendo da presença em São Paulo do governador e sendo este muito amigo da Família Fernandes, composta de famosos desbravadores e povoadores da época, Baltazar foi até lá e, a 2 de março de 1661, entregava a ele pedido para que elevasse o Povoado de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba à categoria de Vila. Já no dia seguinte - para os sorocabanos, o célebre 3 de março de 1661 -, Baltazar conseguia despacho favorável do governador que - depois de `pró-forma' e agradando ao Ouvidor do Donatário, além de verificada a verdade do requerimento que recebera no dia anterior, autorizou a mudança do pelourinho de Itavuvu para Sorocaba, com o nome de Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba.
 
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