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<< SOROCABA Doação de rim do filho dá nova chance ao pai Apesar do carinho de sempre, um transplante estreitou ainda mais o amor entre pai e filho

Publicada em 11/08/2017 às 19:02
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(Foto: Divulgação)
Dores insistentes nas costas foram um ponto de virada na vida do caminhoneiro Ailton Maguerroski dos Santos, 62 anos. Morador de São Bento do Sul, em Santa Catarina, ele passou 36 anos na estrada e teve de deixar a profissão ao descobrir que os rins não funcionavam mais.
 
“O médico dizia que era coluna, mas foi piorando e comecei a inchar”, lembra. Em quatro anos sob forte medicação, a saúde de Ailton não melhorava; logo, o tratamento de hemodiálise foi necessário. Após mais dois meses de sofrimento, a solução surgiu espontaneamente: o filho Edson Maguerroski dos Santos, 40 anos, doaria o órgão necessário.
 
O motorista executivo não teve medo ou dúvida sobre ajudar. “Quando olhei para o meu pai, fragilizado na máquina de hemodiálise, não pensei duas vezes ao compreender que eu poderia mudar a história da vida dele”, afirma Edson. Com instruções da Fundação Pró-Rim, ele garante que os exames, acompanhamentos e até palestras deram suporte para que o pré-operatório transcorresse com tranquilidade.
 
Em 2011, o transplante de rim foi efetuado com sucesso. “Meu filho é um herói. Ele faz tudo por mim”, emociona-se Ailton. “Você faz todo o possível para ajudar o próximo, que dirá alguém da família”, justifica Edson. “Penso que todo filho faria o mesmo que eu.”
 
Ailton agora é taxista e já recuperou completamente a função renal. “Agora posso beber água e me alimentar sem as restrições impostas a um paciente em hemodiálise”, explica. “Cuido muito mais de mim e nunca desanimei; sou um cara de cabeça erguida.” Já Edson diz que a única coisa que mudou após o transplante foi um detalhe físico. “Uma cicatriz na barriga”, brinca. “Vivo absolutamente normal.”
 
O relacionamento dos dois sempre foi muito forte; eles não abrem mão dos almoços em família nos domingos e estão juntos sempre que possível. A cada Dia dos Pais, o abraço é mais longo e significativo. “Meu pai é um exemplo. Ele não é 10, é 100”, diz Edson. “Nesta hora, a gente não consegue nem falar, até porque nenhuma palavra consegue expressar o que sentimos um pelo outro”, destaca Ailton.
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