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Diário de Sorocaba

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<< SOROCABA Secretário do prefeito confirma conflito, mas não agressão CPI aguarda, agora, respostas por escrito de Crespo para concluir relatório e encaminhá-lo ao Ministério Público

Publicada em 04/08/2017 às 18:01
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(Foto: Divulgação)
CPI DO DIPLOMA
 
Ao prestar depoimento nesta sexta-feira (4) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possível crime de prevaricação por parte do prefeito José Crespo (DEM), no episódio dos diplomas da ex-assessora Tatiane Polis, o secretário de Gabinete Central da Prefeitura, Hudson Zuliani, confirmou o entrevero do chefe do Executivo com sua vice-prefeita Jaqueline Coutinho (PTB), mas não houve agressão física. 
 
Conhecida como CPI do Diploma, o objetivo da CPI é apurar atos do prefeito diante da denúncia da vice-prefeita Jaqueline Coutinho sobre a escolaridade da ex-assessora, que estava lotada em cargo comissionado de nível superior. Sobre o desentendimento envolvendo ele, Crespo e a vice-prefeita no dia 23 de junho, que teria sido motivado pela denúncia, Zuliani confirmou que estava presente na reunião e que houve alteração de voz mútua, em uma discussão de trabalho, sem aproximação física, segundo ele. O secretário afirmou que a reunião foi motivada por nova denúncia relacionada ao diploma de Ensino Fundamental da assessora, destacando que a Corregedoria do Município já havia averiguado a primeira denúncia, também anônima, de que o diploma de Ensino Médio de Tatiane Polis teria uma irregularidade. 
 
Em uma segunda viagem do prefeito, Hudson Zuliani foi chamado mais uma vez pela prefeita em exercício, assim como a assessora, e Jaqueline Coutinho disse que teria recebido nova denúncia anônima, agora sobre irregularidade no Ensino Fundamental. No momento, segundo ele, Tatiane Polis afirmou que tinha o diploma, mas se sentiu ofendida pelo novo questionamento. “A prefeita se impôs como autoridade e exigiu que a assessora apresentasse o diploma”, contou, acrescentando que a assessora começou a chorar e que a prefeita em exercício falou para “que não se comportasse como mulherzinha e não utilizasse de artimanhas”. No dia seguinte, Crespo, voltando de viagem, teria marcado a reunião, com a presença dos envolvidos e do corregedor, para esclarecer o ocorrido. Segundo o depoente, o que teria incomodado o prefeito foi o fato da vice-prefeita inquerir diretamente a assessora e que, na oportunidade, Crespo ainda não tinha conhecimento da nova denúncia. 
 
O secretário afirmou ainda que a exaltação do prefeito se deu quando a vice-prefeita se negou a se retratar com a assessora quanto ao uso do termo `mulherzinha´ e de sua parte por querer a continuidade da reunião, que foi dada por encerrada pelo prefeito, uma vez que precisava esclarecer ao prefeito sobre a chegada dos novos fatos. Disse ainda que a próxima reunião do prefeito no gabinete, marcada na sequência, ocorreu normalmente. 
 
Em resposta a outro questionamento, Zuliani afirmou que não havia motivo para estender a investigação inicial, de que o diploma de Ensino Médio de Tatiane Polis seria falso, pois foi verificado que havia uma publicação no Diário Oficial, afastando o argumento de prevaricação em sua opinião, ressaltando que a própria vice-prefeita se convenceu na ocasião. Também lembrou a primeira representação no Ministério Público quanto ao ensino superior de servidores, quando foi realizada uma varredura no Executivo, sendo que a faculdade Esamc foi oficializada e confirmou a validade do diploma da assessora do prefeito. Outros dois servidores foram exonerados.  
 
Em outro ponto da oitiva, a presidente da CPI, a vereadora Fernanda Garcia (Psol), questionou Hudson Zuliani se era comum a assessora Tatiane Polis buscar o prefeito no Aeroporto e ele afirmou que isso deve ter ocorrido para apresentar a agenda do chefe do Executivo, quando ela, em sua opinião, deve ter aproveitado para relatar seu encontro com a vice-prefeita.  
 
Em resposta ao vereador Renan Santos (PCdoB), que quis saber se a Corregedoria pedirá o ressarcimento aos cofres públicos por parte da ex-assessora, uma vez que foi comprovado pela Polícia que seu diploma de Ensino Fundamental não tem validade, o secretário disse que a Corregedoria não trabalha com contraditório e ampla defesa, cabendo à Secretaria Jurídica dar andamento a esta questão. 
 
A vice-prefeita Jaqueline Coutinho esteve presente e acompanhou parte do depoimento de mais de duas horas de ontem, na Câmara, sentada na assistência. Ao final, o relator vereador Hudson Pessini (PMDB) informou que o ciclo de oitivas está concluído e, agora, a CPI aguarda as respostas do prefeito aos questionamentos formulados por escrito pela Comissão. Em seguida, de acordo com a presidente Fernanda Garcia, o relatório final da CPI será elaborado e encaminhado ao Ministério Público.
 
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