Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< SOROCABA Turistas dão dicas para economizar em viagens A liberdade de viajar por conta própria exige atenção para não cair em ciladas

Publicada em 14/07/2017 às 19:54
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Foto: Arquivo pessoal)
FÉRIAS COM ECONOMIA
 
Direcionar parte da renda para o lazer não é a realidade de muitos nestas férias; uma viagem chega a ser vista como uma atividade de luxo. Passear, no entanto, não precisa causar danos ao orçamento. Turistas que conseguem ir para fora do País, aproveitar e economizar dão dicas de como fazê-lo.
 
A advogada Aline Carli da Costa, 31 anos, viaja todo ano. Apesar de já ter contado com o auxílio de agências de turismo, hoje prefere montar a própria viagem e conta com a tecnologia para isso. “Antigamente, eu era um pouco desorganizada, não tinha tantos aplicativos”, conta Aline. “Hoje, pesquiso os melhores preços, tanto de vôos, como de hotéis. Pesquiso as atividades na Internet e já vejo tudo que quero e vou fazer”.
 
Com seis meses de antecedência, Aline decide com o marido para onde ir através das indicações de quem já viajou. Depois, acessa a pasta de aplicativos de viagens em seu celular e começa as buscas para fechar o melhor negócio. “Para reservar hotel, uso o ‘Hoteis.com’ e o ‘Booking.com’. Voo eu vejo no ‘Decolar’ e no ‘Skyscanner’; neste você já deixa um alerta de aviso da passagem, do dia e local que você quer ir”, explica Aline. “O ‘Melhores Destinos’ avisa quando o preço está baixo em qualquer destino”, acrescenta.
 
Em sua próxima viagem, a jovem conseguiu comprar uma passagem barata através do aplicativo. “Vou para Montevidéu e comprei tudo em milhas, nem paguei”, comemora. Além da capital do Uruguai, ela também vai conhecer o Canadá e os Estados Unidos. “Entrei em contato direto com a escola e não pagarei a taxa da agência do Brasil, pois vou estudar inglês”, destaca.
Aline resume a chance de economia em uma frase: “É só pesquisar!"
 
PERFIL DEVE SER CONSIDERADO – Fazer uma viagem elaborada uma vez por ano é a prioridade do orçamento da funcionária pública Juliana Yumi, 31 anos, e do administrador de empresas Leonardo Pereira, 33 anos, também. Com férias previstas parra todo mês de maio, o casal sempre se programa para sair da rotina, mesmo em tempos de crise econômica. “Não tenho coisas que muita gente tem e não gasto com quase nada”, observa Leonardo. 
 
Há sete anos viajando por conta própria, o casal acumula dicas do que fazer e não fazer. Contratar guia turístico, por exemplo, foi um arrependimento no passeio ao Chile, em 2010. “Se a gente tivesse feito sozinho, seria muito melhor”, comenta Juliana.
 
Leonardo reconhece que há muitas pessoas que preferem viajar por agência. “Tem a comodidade de chegar lá, comprar o pacote e não se preocupar com nada”, diz. “Mas nosso perfil é mais de liberdade. A gente prefere gastar tempo pesquisando e programando a viagem; é um estímulo para nós”, acrescenta.
Não ter de seguir horários convenientes para outras pessoas é outro ponto positivo observado pelo administrador de empresas. No entanto, ele cita que os pais, por exemplo, não se adequariam. “Eram idosos e inseguros”, explica.
 
Para Juliana, facilita saber o tipo de turista que você é: “Para não assumir compromissos que não vai conseguir cumprir”, pontua. “Você não entra em ‘furada’ e respeita seus limites”.
 
TENTATIVA E ERRO – Ao longo dos anos, o casal Juliana e Leonardo Pereira descobriu diversas coisas que funcionam ou não quando em uma viagem ao Exterior. As ações que os levariam a economizar foram memorizadas no decorrer de todos os passeios. Juliana optou por um trem noturno de Milão a Paris para não gastar uma noite a mais em hospedagem. “Não faria de novo”, garante. “Você pensa ‘ah, nada demais, a gente está na Europa’. Dentro de uma cabine cabem seis camas e é tudo escuro. A experiência não foi muito boa”.
 
Uma alternativa escolhida por Leonardo foi o aluguel de carros quando a viagem era em grupo. “Ao invés de todo mundo pagar uma viagem de trem, que é cara, a gente aluga um carro e dilui por todos. Fica muito mais barato”, conta.
 
O cuidado com a ajuda repentina de estranhos é uma outra recomendação de Juliana. “A gente viajou pela América do Sul, Europa e Brasil e, no final das contas, as pessoas são todas iguais”, brinca. “Se alguém te oferecer ajuda, não é porque ela é legal; provavelmente ela vai te pedir dinheiro e extorquir”, alerta.
 
Leonardo aconselha a se hospedar perto do Centro e das atrações turísticas, mesmo que o investimento seja um pouco maior. “Senão dificulta bastante o deslocamento, você perde muito tempo e tira o charme da viagem”, explica. Em contrapartida, recomenda não comprar água: “Na Europa, é caro. Dizem que a água de torneira é potável, então confie nisso”, ri.
 
Destinos próximos e na América Latina não são sinônimos de economia, adverte Juliana. “Quando a gente foi para o Peru, pensamos na passagem aérea mais barata, viagem mais curta e moeda próxima do Real”, lembra. “Quando chegamos lá, pagamos tudo em dólar e euro. Encaram a gente como turista mesmo”, acrescenta, contando que, para aliviar o bolso, subiram as montanhas de Machu Pichu de ônibus, mas voltaram a pé. “Ficamos doloridos sem conseguir descer degraus por três dias!”.
 
A troca de moedas deve ser feita impreterivelmente ainda no Brasil, frisa Leonardo. “Acompanhe a oscilação do câmbio por uns 30 dias e você vai saber qual o melhor momento de comprar”, orienta também, enquanto que Juliana lembra que, na última viagem, fez compras no cartão de crédito e teve de pagar juros altos. “O Joesley (Batista) tinha feito a delação do (presidente Michel) Temer e o dólar estava super alto”, lamenta.
 
A conclusão do casal é de que ir para um lugar muito frequentado por turistas deixa o custo inevitavelmente mais alto. Leonardo se recorda, a propósito, que o Reino Unido foi o local mais caro que conheceu. “Não aguentava mais ver meu saldo diminuindo”, brinca, lembrando ainda que o Leste Europeu foi uma boa escolha: “Ainda não é uma região muito procurada”.
 
Uma ideia de Leonardo para ajudar nos custos da viagem é oferecer produtos aos amigos: “Quando fui para o Chile, anunciei nas redes sociais que estava vendendo perfume importado e original. Cobrei 20% de comissão e arrecadei uma ‘graninha’”.
 
Assim, o casal aconselha programar a viagem em tudo, seja época, passagem aérea, hospedagem e alimentação. “Hoje, com a Internet, você tem acesso a todo tipo de informação e existe uma infinidade de aplicativos e sites que facilitam a vida de quem quer viajar”, afirma Leonardo. “Basta ter disposição e energia!”.
 
Mas Juliana alerta que, por mais programada que seja a viagem, algo sempre dá errado: “O bom de sair de férias é que você não tem tanta preocupação e as coisas podem ser remediadas”.
 
O administrador de empresas, aliás, espera que a próxima viagem dos dois seja um intercâmbio de um mês para o Canadá, em 2018. “Para aprimorar o inglês e poder aproveitar melhor as viagens seguintes”, diz. “Vai conciliar turismo e estudo”, projeta. 
Juliana preferia não ter de estudar durante as férias, mas está animada para conhecer a América do Norte, além de vislumbrar destinos mais distantes: “Mais longe ainda e que vai exigir mais coragem e muito mais dinheiro são Japão e China”!
 
 
Casal revela passo a passo para montar viagem
 
Com experiência de sete anos em viagens internacionais por conta própria, Juliana Yumi e Leonardo Pereira listaram o que deve ser feito para que um turista organize a viagem sozinho. O passo a passo elencado por Leonardo é este:
 
1. Defina o local – “Veja para onde vai viajar e conhecer”.
 
2. Agende as férias – “A gente vê a nossa disponibilidade para quando pode viajar. Geralmente definimos isso com oito meses de antecedência”.
 
3. Defina o roteiro – “Por exemplo, se vai para a Europa, veja o que vai conhecer lá, quais cidades e países”.
 
4. Pesquise e compre a passagem – “Sempre com, no mínimo, quatro meses de antecedência”.
 
5. Reserve o hotel – “Com a passagem comprada, a gente já sabe por onde vai passar e quantos dias vai ficar. Seja em hostel ou hotel, o que for mais conveniente e acessível”.
 
6. Defina formas de se deslocar – “Se vamos andar de metrô, locar um carro ou ir de trem”.
 
7. Cuide da parte burocrática – “São os detalhes. Organizar passaporte e documentos e separar quanto vamos gastar por dia”.
 
 
Agências de turismo oferecem conforto
 
As viagens por conta própria não são garantia de passeio econômico, de acordo com o gerente de uma agência de turismo do Centro, Francisco Athayde. Ter assessoria para resolver todas as questões antes de uma viagem pode ser vantajoso.
 
“Temos provas diárias de que comprar pacotes por conta não é necessariamente mais barato. É um pouco de lenda”, conta Athayde. “’Batemos’ preços da internet diariamente.”
 
O gerente dá como exemplo a compra de passagens aéreas que, segundo ele, chegam a representar 60% do valor do pacote. “As operadoras e companhias conseguem acordos através de volume”, explica. Apesar de o agente de viagens ter de 7 a 9% de comissão, Athayde acredita que o custo equivale ao encontrado on-line.
 
VANTAGENS – O gerente frisa que a agência acompanha todo o procedimento da compra até o momento da viagem, proporcionando conforto e comodidade àqueles que buscam um passeio tranquilo.
“A gente dá a garantia do nosso trabalho”, enfatiza Athayde. “Temos site, Facebook, WhatsApp e Instagram. Estamos com o cliente.”
 
A economia do viajante vem através da negociação de pacotes, na qual as vendedoras conseguem adaptar o passeio ao bolso de quem faz a compra. “Vemos o período de baixa temporada, damos todas as informações do que tem e não tem no hotel e orientamos sobre documentação”, esclarece o gerente.
 
Além de tudo, a agência preocupa-se em agradar. “Tentamos conseguir cortesias, como almoço ou jantar grátis, e pedimos para colocar bombons e flores no quarto do hotel quando há aniversário.”
 
OPÇÕES – Os destinos mais procurados são as cidades do Nordeste brasileiro, como Fortaleza, Natal, Maceió e Porto Seguro. Este último, Athayde revela que o passeio que inclui hospedagem com café da manhã, aéreo, traslado e city tour sai por menos que R$ 900 em sua agência.
 
Já para quem dispõe de um pouco mais de dinheiro, a recomendação é de resorts. “Eles têm estrutura e é um sistema all-inclusive (tudo incluso, em tradução literal). É para usufruir com toda a família”, explica.
 
A venda de pacotes de viagens cresceu entre 10 e 12% de janeiro a maio deste ano, após quase três anos com retração, de acordo com o gerente. “É um resultado auspicioso, pois está crescendo sob uma comparação baixa de 2016”, afirma. “Mas esperamos que volte a melhorar logo.”
 
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar