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<< SOROCABA DIÁRIO caminha para os 60 anos rejuvenescido DIÁRIO completa neste 6 de julho 59 anos de fundação

Publicada em 06/07/2017 às 11:30
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Vitor Cioffi de Luca, fundador do DIÁRIO
O DIÁRIO completa neste 6 de julho 59 anos de fundação. Há três meses passou por uma grande reformulação. Com o objetivo de se adequar ao novo panorama do setor e atender à demanda dos leitores, mudou o sistema de distribuição do jornal impresso. Os leitores, agora, podem obter os exemplares gratuitamente em vários pontos de distribuição.
 
O DIÁRIO também mudou visualmente, adotando o formato conhecido como “germânico”. Trata-se de um tamanho reduzido, mais prático para leitura e mais adequado à distribuição grátis. Editorialmente, traz textos mais curtos e objetivos, mas continua com suas colunas de análises e opiniões, mantendo a profundidade no debate de temas que interessam à cidade e à região. Ganhou também um visual moderno e esteticamente mais bonito.
 
A imprensa do mundo inteiro está testando novos modelos de negócios, que se ajustem ao crescimento acelerado da leitura on line e às mudanças no mercado publicitário. Nos últimos anos, como ocorre com a maioria dos jornais, o DIÁRIO ampliou consideravelmente o alcance de suas notícias e já tem mais leitores nas suas plataformas de internet – site, Ttwitter, Facebook e edição digital (edição impressa reproduzida fielmente para leitura em computadores e tablets). Por outro lado, a entrega das edições impressas em residências tornou-se um ônus pesado para os jornais, pelo elevado custo e pela complicada logística de distribuição nas grandes cidades.
 
A distribuição grátis foi implantada por vários diários de grande circulação que surgiram no Brasil e em outros países nas últimas duas décadas. A cidade de São Paulo tem dois veículos diários importantes que adotam esse sistema, "Destak" e "Metro". Atualmente, os jornais de maior circulação no País e no mundo são gratuitos. O DIÁRIO é o primeiro jornal diário gratuito da Região Metropolitana de Sorocaba.
 
Com a circulação grátis, houve um aumento importante no número de leitores do jornal e na diversificação do público. Isso representa também um ganho para os anunciantes, já que o potencial de retorno da publicidade feita no jornal torna-se muito maior.
 
LINHA EDITORIAL – O diretor do DIÁRIO, jornalista Maurício de Luca, filho mais novo do fundador do jornal, Vitor Cioffi de Luca, afirma que “apesar das mudanças, o DIÁRIO mantém-se fiel aos seus princípios". Ele ressalta alguns trechos do primeiro editorial (os editoriais são textos em que o conteúdo expressa a opinião do jornal) publicado na primeira edição em 1958: “Independentes, absolutamente independentes, nossa norma de trabalho terá, sob o ponto de vista moral, por base os postulados cristãos. Politicamente manteremos equidistância dos partidos. Não temos compromisso com ninguém, quer político, quer econômico... Estamos inteiramente à vontade para advogar os interesses da coletividade e para batalhar pelas grandes causas de Sorocaba. Fazemos questão de frisar que o espaço de nossas colunas está à venda dentro do setor de publicidade, mas nenhum preço existe para nossa consciência”.
 
Para finalizar, Maurício se diz muito orgulhoso por toda a trajetória do DIÁRIO. “São quase 60 anos de atividade ininterrupta. As dificuldades foram e são muito grandes, principalmente por causa de nossa linha independente. Mas isso é muito recompensador, pois nos dá a liberdade de praticar o verdadeiro jornalismo, defendendo os interesses da comunidade, fiscalizando os outros poderes e instituições da sociedade”, justifica. 
 
 
Vitor Cioffi de Luca, um jornalista idealista
 
É impossível escrever sobre o DIÁRIO sem contar a trajetória de Vitor e Tereza de Luca, já que eles são até hoje a alma do jornal. Os pais de Vitor, Fernando e Angelina, tiveram 11 filhos. Vitor saiu de Piraí do Sul (Paraná), sua terra natal, aos 14 anos, tendo se mudado com o seu irmão, João, para a Capital paulista. Mais tarde, decidiu estudar Jornalismo na faculdade “Cásper Líbero”, formando-se na segunda turma da instituição, em 1951.
 
Para sustentar seus estudos, começou a trabalhar em uma agência bancária, onde chegou a subgerente. Por ser árbitro de tênis de mesa, também escrevia, como colaborador, artigos esportivos para o jornal “Gazeta Esportiva”, entre outros.
 
Vitor conheceu Tereza em uma festa de casamento e logo se casaram, tendo quatro filhos: Fernando (falecido em 1996), Leila, Walter e Maurício. Os meninos seguiram os passos do pai e decidiram ser jornalistas, já a filha optou pela Medicina.
 
Em 1952, Vitor foi convidado para vir para Sorocaba, dirigir o jornal “Folha Popular”, que pertencia à Cúria Metropolitana. Após seis meses na cidade, morando em uma pensão, casou-se com Tereza. Em 1958, Vitor decidiu deixar a “Folha Popular” e fundar o seu próprio jornal. Seu sonho era fazer um veículo de comunicação imparcial e independente. Assim nasceu o DIÁRIO DE SOROCABA
 
NÚMERO UM - Um prédio na rua da Penha, na esquina com a Maylasky, foi a primeira “residência” do DIÁRIO. O local não tinha muitas divisões e era ao mesmo tempo escritório, redação e setor de distribuição. Vitor dividia-se entre a máquina de escrever e as oficinas, que estavam instaladas nos fundos do prédio.
 
Na véspera da primeira edição, no dia 5 de julho de 1958, o jornal estava movimentado. Um grupo de repórteres e gráficos, comandados por Vitor, ia de um lado para o outro na árdua tarefa de fazer um novo jornal. O jornalista cuidava de todos os detalhes da primeira edição, redigindo as matérias e orientando a composição e paginação do número histórico, que deveria estar nas ruas no dia seguinte. Apesar da ansiedade, tudo saía conforme o roteiro previamente estabelecido. 
 
Vitor estava sem dormir há 48 horas. Mas, por volta das 23 horas daquele 5 de julho, quando o jornal já estava pronto para começar a ser impresso, uma comitiva, de cerca de 45 pessoas, entrou no casarão da rua Maylasky, tendo à frente o então governador do Estado, Jânio da Silva Quadros, e o prefeito de Sorocaba, Gualberto Moreira, para uma visita de cortesia. E dessa visita saiu o primeiro “furo” do jornal, já que o governador anunciou que o Hospital Regional receberia verba para ampliação e seria construído um viaduto na cidade, que acabou levando o nome do ex-governador.  
 
O DIÁRIO cresceu rapidamente. Isso em parte pelo prestígio que Vitor tinha por conta da “Folha Popular”. Junto com Vitor, também deixou a “Folha” o agente publicitário e “fiel escudeiro”, Heitor Nunes, falecido em 2000, que também foi trabalhar no DIÁRIO, onde ficou até morrer. Outra grande força de trabalho que impulsionou o jornal foi Tereza de Luca, que, além de ser uma administradora nata, tinha grande experiência na área editorial, tendo trabalhado na Editora Melhoramentos. Ela também era jornalista.
 
SOLIDARIEDADE - Vitor e Tereza eram cristãos dedicados, tanto que a solidariedade sempre era expressa pelo casal. Fazer o bem era algo rotineiro e o matutino tinha por obrigação participar da vida da comunidade. O casal desenvolveu várias campanhas de apoio a entidades e pessoas necessitadas,  sempre se preocupando em ajudar aqueles que mais precisavam. 
 
O sucesso do DIÁRIO foi tanto que no terceiro ano já estava sendo construída a sede própria na rua da Penha. Um dos motivos do sucesso do jornal é que ele trouxe um conceito mais técnico de jornalismo para uma cidade do Interior, principalmente relacionado à ética.
 
A MORTE DE FERNANDO - Vitor e Tereza estavam sempre atentos às inovações. Em 1993, o jornal entrou na era do offset, a diagramação também sofreu uma transformação, porém o jornal afirmava em editorial que manteria a mesma linha de seu início.
 
O ano de 1996 ficou marcado pela morte de Fernando de Luca Neto, vítima de câncer. Fernando era o responsável pela administração do DIÁRIO DE SOROCABA e sua morte abalou o casal Vitor e Tereza de Luca. Fernando formou-se em Jornalismo na mesma faculdade do pai, a "Cásper Líbero", em São Paulo. Especializou-se também em artes gráficas e foi diretor-executivo do jornal, acompanhando sempre de perto toda a parte gráfica, comercial e administrativa. 
 
A morte de Fernando foi um transtorno, mas o lado religioso prevaleceu no casal, que buscou superar o acontecimento. Já Vitor teve de, aos 70 anos, voltar a administrar o DIÁRIO, tendo de encarar os avanços tecnológicos. No mesmo ano, surgiu o DIÁRIO DE SOROCABA ON LINE, um dos primeiros jornais do Brasil na internet. O atual diretor do DIÁRIO, jornalista Maurício de Luca, era o responsável pela nova empreitada 
 
ACIDENTE FATAL  - No final de outubro de 1998, Vitor e Tereza resolveram tirar alguns dias de férias no Paraná, onde a família também possuía um jornal, “O Piraiense”. No dia 13 de novembro de 1998, eles estavam voltando e, a poucos quilômetros de Sorocaba, Thereza telefonou para o filho Maurício, dizendo que estavam em um posto e que dentro de meia-hora estariam em casa. Pediu para ele esperar para almoçarem juntos. A poucos metros do posto, uma erosão na estrada fez Vitor perder o controle do veículo, que se chocou de frente com um caminhão que seguia em sentido contrário. Thereza morreu na hora. Vitor ficou preso nas ferragens por quase uma hora. Faleceu no caminho do hospital. 
 
A notícia causou grande comoção na cidade e região. No enterro, era possível ver o grande carinho que todos possuíam pelo casal. Dezenas de coroas de flores foram entregues e uma multidão compareceu ao velório e ao enterro.  
 
Vitor e Tereza deixaram muita saudade. Mas devem estar orgulhosos pelo fato de o DIÁRIO DE SOROCABA continuar representando a população, com ética e solidariedade, fazendo um jornalismo sério, imparcial e independente. 

 

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