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<< SOROCABA Concerto marca início da restauração artística da igreja do Mosteiro de São Bento Condephaat libera os trabalhos junto ao principal patrimônio histórico-arquitetônico da cidade e que começam pelo retábulo, fixado atrás do altar-mor

Publicada em 19/06/2017 às 11:43
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(Foto: Arquivo)
Fechada há quatro anos para reformas, a igreja de Sant’Ana, do Mosteiro de São Bento, reabriu suas portas neste domingo (18) para um concerto do Coral Ars Mvsica Sacra, de Sorocaba, que marca, agora, o início dos trabalhos de restauração artística do principal patrimônio histórico-arquitetônico da cidade. A Igreja de Sant’Ana nunca correu sérios riscos estruturais, mas em agosto de 2013 foi necessário seu fechamento para o início das obras de estabilização das paredes de taipa, testauro do coro, forro e telhado. As imagens de inestimável valor histórico igualmente e diversas outras peças e mobiliários litúrgicos, como candelabros, lustres, confessionários e telas sacras, foram embaladas e adequadamente armazenadas.
 
Concluída a última etapa do processo de restauração das estruturas e com o novo forro e telhado da Igreja e também do Mosteiro terminados, com recursos do Programa de Ação Cultural (Proac) do Governo do Estado e patrocínio da Flex, faltava apenas a aprovação do Condephaat (Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Arquitetônico e Turístico) para a restauração artística. Aprovada em maio pelo Condephaat, a restauração artística terá início ainda neste mês de junho, com a desmontagem do retábulo, que é a estrutura ornamental que fica atrás do altar-mor, confeccionado em madeira dourada com finíssimas camadas de ouro. Depois do retábulo, serão restaurados os altares laterais, o arco cruzeiro e, finalmente, os púlpitos, num processo que durará aproximadamente de oito meses a um ano de trabalho.
 
Após a restauração artística da igreja, informa dom Rocco, OSB, monge beneditino atualmente responsável pelo Mosteiro, faltará ainda a restauração das imagens sacras e do mobiliário, que demandará outro projeto de intervenção a ser aprovado pelo Condephaat.
 
CONCERTO - As pessoas que foram assistir ao concerto do Coral Ars Mvsica Sacra no domingo encontraram, assim, a igreja de Sant’Ana em pleno processo de restauração, com diversas mostras da ação dos cupins no madeiramento, a taipa do arco cruzeiro e também a já recuperada balaustrada do coro (grade de apoio e proteção), obra do carpinteiro Joaquim Xavier dos Santos, que os fez entre 1776 e 1778 para o Mosteiro de São Bento, de São Paulo. Também puderam ver as lápides tumulares evocativa do fundador de Sorocaba, o bandeirante Baltazar Fernandes, e de Frei Baraúna. “Foi uma oportunidade rara de entrar na igreja do Mosteiro neste ano, uma vez que, após o concerto, ela será novamente fechada para que restauradores possam executar seu trabalho com a tranquilidade necessária. Poderá, entretanto, ser aberta em ocasiões especiais para visitas previamente agendadas”, acrescenta dom Rocco.
 
O Coral Ars Mvsica Sacra, que iniciou suas atividades há 13 anos nas dependências do complexo do próprio Mosteiro e tem como sede para seus ensaios um imóvel localizado ao lado da igreja, comemora cada etapa do processo de restauração e o retorno de seus concertos neste local histórico. É ele, aliás, um coral voltado para o desenvolvimento de repertório da música sacra erudita e, com isso, revelar a emoção e a elevação espiritual de obras de diversos compositores dos diferentes períodos da história da Música e que fizeram parte dos ritos e cerimônias religiosas com toda sua beleza e originalidade e que são desconhecidas das novas gerações, resgatando uma prática antiga, quando muitos concertos eram feitos exclusivamente para que os fiéis apreciassem a música sacra como meio de se aproximar da Essência Divina.
 
Para o repertório deste concerto especial, foram selecionadas pelo seu fundador e regente Lúcio Martini obras de Charles Gounod, Edgar Elgar, Lous Lambilotte e Antonio Salieri, entre outros compositores de diversos períodos da história, numa mostra da riqueza da música sacra erudita. O Coral contou ainda com a participação da soprano solista Maria Augusta Mont’Alvão e acompanhamento ao órgão de Luciane Nagy Cação.
 
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