Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< BRASIL Pagamento de R$ 15 milhões a Temer é apontado por delator da JBS Sigilo das delações do grupo foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (19)

Publicada em 19/05/2017 às 15:06
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Foto: Fotos Públicas)
Segundo delação de Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) teria recebido valores próximos a R$ 15 milhões em pagamentos de vantagens indevidas em 2014. Em contrapartida, a quantia seria para atuação favorável aos interesses do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS.
 
Nesta sexta-feira (19), o sigilo das delações do grupo foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os depoimentos, que também foram feitos por um dos proprietários da JBS, o empresário Joesley Batista, apontam solicitação de vantagem indevida por parte do atual presidente da República, bem como do deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB), no montante de 5% do lucro obtido com o afastamento do monopólio da Petrobras no fornecimento de gás e uma das empresas do grupo.
 
A delação aponta, ainda, que haveria pedido de outros valores relacionados à atuação em benefício do grupo empresarial J&F no tocante ao destravamento das compensações de créditos de PIS/COFINS com débitos do INSS.
 
O pagamento teria ligação com o apoio do PMDB à reeleição de Dilma. Segundo relato de Saud, Temer teria dito o seguinte: “Eu trouxe o PMDB inteiro, como é que não tem nada para mim?” Saud reclamou para o tesoureiro da campanha petista, o ex-minstro Edinho Silva, da cobrança de Temer por verba de campanha. Após avaliar a situação, Edinho teria liberado o repasse a Temer. “Aí veio a ordem para dar os R$ 15 milhões do Temer. Do PT para o PMDB para a campanha do Temer.” 
 
Conforme o delator, com os R$ 15 milhões, ele ajudou os ex-deputados federais Eduardo Cunha (PMDB) e Henrique Eduardo Alves (PMDB) e colocou parte da quantia no PMDB Nacional. 
 
Já o presidente Michel Temer ouviu na noite de quinta-feira (18), na companhia de assessores, o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista que o implicaria na compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e do doleiro Lúcio Funaro, investigados na “Operação Lava-Jato”. Após ouvir o áudio, o entendimento de Temer e sua equipe é de que o conteúdo da conversa não incrimina o presidente, confirmando a nota divulgada pelo Palácio do Planalto na noite de quarta-feira (17) e o pronunciamento da tarde de quinta (18).
 
O áudio tem cerca de 40 minutos. Na conversa, Temer e Batista falam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação de Cunha (PMDB), que está preso em Curitiba. O entendimento do governo é de que a frase dita por Temer “tem que manter isso, viu?” diz respeito à manutenção do bom relacionamento entre Cunha e Batista, e não a um suposto pagamento de mesada pelo silêncio do ex-deputado. Além disso, Temer minimiza a sua fala no trecho no qual Batista diz que está “segurando dois juízes” que cuidam de casos em que o empresário é processado.
 
“O presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem. O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, disse a assessoria do Palácio do Planalto, em nota. A expectativa do governo é de que o STF investigue e arquive o inquérito.
 
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar