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Diário de Sorocaba

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<< SOROCABA Celebrações do Centenário de Fátima iluminam o mundo No mesmo dia que se celebra 100 anos da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, Papa canoniza os pastorinhos Francisco e Jacinta; atos de fé estendem-se por todas as partes, inclusive, em Sorocaba

Publicada em 15/05/2017 às 11:53
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(Foto: Divulgação/Paróquia Nossa Senhora de Fátima/Campolim)
‘A Senhora vestida de branco’
 
“A treze de maio, na Cova da Iria, no Céu aparece a Virgem Maria. Ave, Ave, Ave-Maria! A três pastorinhos, cercada de luz, visita Maria, a Mãe de Jesus. Ave, Ave, Ave, Ave-Maria!” (...). 
 
Esse é o canto que a Igreja, em diferentes partes do mundo, elevou neste sábado (13), quando se celebrou 100 anos da primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos Lúcia de Jesus, 10 anos, Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7, respectivamente, na Cova da Iria, no lugarejo de Fátima, em Portugal. 
 
O acontecimento extraordinário que marcou o século XX, com as seis aparições da Virgem Maria em Fátima, perpetua até os dias de hoje arrastando devotos no mundo todo. Reconhecida pela Santa Sé, a primeira aparição deu-se em 13 de maio de 1917, quando as três crianças, após terem participado de uma Missa na igreja de Aljustrel, em Fátima, foram pastorear um rebanho de ovelhas nas propriedades do pai de Lúcia – uma das videntes, que, através de seu testemunho, confirma a aparição da Mãe de Deus, num céu luminoso, sobre uma azinheira. 
 
“Era uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do Sol mais ardentes”, relata Lúcia em seus registros, apesar de muitos escritos ressaltarem que ela nunca soube dizer ao certo pormenores dos traços da Virgem, porém deixa explícito que o semblante era de “inenarrável beleza, nem triste, nem alegre, mas sério”. 
 
As explicações de Lúcia ainda dão conta de que, em suas aparições, a Mãe de Jesus estava envolvida num vestido mais alvo que a própria neve, assemelhado à luz, com mangas estreitas; era fechado no pescoço e seu comprimento chegava aos pés, os quais eram envolvidos por uma nuvem. Ela diz também que a Virgem não chegava a tocar na azinheira e que, desde a cabeça, um manto branco e orlado de ouro envolvia-lhe todo o corpo. 
 
A visão de Lúcia, os pequenos também também a tiveram. “As mãos, trazidas juntas em oração, apoiadas no peito, e da direita pendia um lindo Rosário de contas brilhantes com pérolas, terminando por uma cruzinha de vivíssima luz prateada. Com único adereço, um fino colar de ouro-luz, pendente sobre o peito, e rematada, quase na cintura, por uma pequena esfera do mesmo metal.” 
 
A partir da primeira aparição, Nossa Senhora pediu às três crianças que fossem seis meses seguidos, no dia 13, no mesmo horário, à Cova da Iria. Também os convidou a se oferecerem a Deus para suportar sofrimentos em reparação pelos pecados e em súplica pela conversão dos pecadores. Ao receber resposta positiva dos pastorinhos, a Virgem adiantou-lhes que sofreriam muito, mas que a graça de Deus seria conforto. 
 
Antes de voltar para o Céu, Nossa Senhora acrescentou aos videntes que rezassem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra, já que, na ocasião, passava-se a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). “E Nossa Senhora elevou-se serenamente, subindo em direção ao nascente, até desaparecer no Céu”, mostram os relatos, que atestam que, nessa ocasião, a Virgem falou apenas com Lúcia.
 
MESES – A notícia logo se espalhou pelo vilarejo e, assim como solicitado pela Mãe de Jesus, os três pastorinhos dirigiram-se à Cova da Iria, no dia 13 de junho, no mesmo horário; contudo acompanhados de 50 pessoas. Novamente, o pedido é para que os pequenos retornem ao mesmo local no mês seguinte e rezem o Terço todos os dias. É também neste dia que a Virgem revela a Lúcia que, em breve, levaria consigo seus primos.
 
A revelação da morte das duas crianças deu-se em resposta a Lúcia, que havia pedido a Nossa Senhora que os levasse para o Céu. “Sim, a Jacinta e ao Francisco, levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-te de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação”, disse  a Virgem, conforme os registros. 
 
E assim, sucessivamente, até a sexta e última aparição, em outubro de 1917, o número de pessoas na Cova da Iria só aumentava. Em 13 de julho daquele ano, mais de duas mil pessoas aguardavam o acontecimento; em setembro, segundo os escritos, entre 15 e 20 mil encontravam-se no local; e em outubro, mesmo em meio à chuva, que transformou a Cova num lamaçal, a multidão era de 50 a 70 mil peregrinos. 
 
PROMESSAS E MILAGRE – Durante as aparições, Maria revela aos três pastorinhos a visão do inferno e o anúncio dos castigos e dos meios para evitá-los. Também veio da Virgem o pedido para que, no local em que aparecia, fosse erguida uma capela em sua honra, sempre com a promessa de que, pela oração do Terço, a guerra acabaria. “Continuem sempre a rezar o Terço, todos os dias.” 
 
Ainda na sexta aparição, por conta da chuva que caíra durante todo o fenômeno, Lúcia pediu para que a multidão presente olhasse para o Sol. E, com o rasgar das nuvens, aparece a Estrela e, mesmo com o intenso brilho, todos puderam olhar sem ferir os olhos; pois começou a girar rapidamente como uma gigantesca roda de fogo, direcionando chamas vermelhas em todas as direções.
 
Conta-se que todos começaram a gritar e cair de joelhos ao chão pensando que seriam consumidos pelo fogo. Na ocasião, muitos dos expectadores começaram a rezar, em voz alta, o ato de contrição, até que, aos poucos, o Sol começou a se elevar ao ponto do horizonte em que havia descido, tornando-se novamente impossível de se fixar os olhos, ou seja, voltou a ser o Sol de todos os dias.
 
 
De pastorinhos a santos da Igreja 
 
Assim como revelado a Lúcia por Nossa Senhora, Francisco e Jacinta morreram logo depois. Por conta da epidemia gerada pela Gripe Espanhola, que atingiu a Europa em 1918, o garoto faleceu em casa, em 4 de abril de 1919, aos 10 anos de idade. Seu corpo encontra-se sepultado na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima; já a menina, pela mesma doença, morreu aos 9 anos, em 20 de fevereiro de 1920, em Lisboa. Na exumação de seu corpo, em 1935, a fim de ser transferido para Fátima, seu rosto conservava-se incorrupto.
 
Eles foram beatificados há 17 anos, também em Fátima, por São João Paulo II, e no sábado (13), na Missa das 10 horas, os dois pastorinhos foram canonizados pelo papa Francisco, durante sua visita a Fátima por conta do Centenário das Aparições de Nossa Senhora. A data foi anunciada no dia 20 de abril, em Consistório. Assim, Francisco e Jacinta serão os santos não mártires mais jovens da história da Igreja.
 
A última etapa para a canonização deu-se no dia 23 de março deste ano, quando o Pontífice aprovou o milagre atribuído à intercessão deles. Trata-se da cura milagrosa de uma criança no Brasil. Com a canonização hoje, chega ao fim um processo iniciado há 65 anos. A festa litúrgica de Francisco e Jacinta Marto é celebrada em 20 de fevereiro, dia da morte de Jacinta. 
 
Entre as revelações aos irmãos canonizados, atribui-se a Jacinta a visão de que um Papa sofreria uma tentativa de assassinato - o que foi revelado pelo Vaticano em 2000. Em 1981, João Paulo II sobreviveu a um ataque e deu a bala que o atingiu ao Bispo de Fátima, que a depositou na coroa da imagem de Nossa Senhora, onde se encaixou perfeitamente.
 
 
De vilarejo a polo de peregrinos
 
Assim como solicitado por Nossa Senhora em sua aparição de 13 de outubro de 1917, a construção de uma capela em sua honra, a pequena igreja foi erguida em 1919 no local das aparições na Cova da Iria, conforme é elencado nos registros de memórias de Lúcia; desde então, o espaço do Santuário foi sendo construído em resposta ao grande número de peregrinos, que não escondem a emoção de estar num território sagrado. 
 
Um dos mais importantes santuários marianos do mundo, o de Fátima chega a receber mais de seis milhões de visitantes por ano. Local de oração, o espaço também recebe peregrinos de diferentes partes do planeta, principalmente, para conhecer, fora os pontos que envolvem as aparições, as rosas de ouro papais. A igreja já foi visitada pelos papas beato Paulo VI, em 1967, São João Paulo II, em 1982, 1991 e 2000, Bento XVI, em 2010, e Francisco, neste fim de semana. 
 
Todo o espaço de visitação é composto por pontos distintos. Na Esplanada, encontra-se a escadaria monumental e colunatas, com a Via-Sacra em quadros de cerâmica policromada. Mas é na Capelinha das Aparições que se situa o coração do Santuário; trata-se do primeiro edifício construído na Cova da Iria, no lugar das Aparições de Nossa Senhora. 
 
Já na Basílica, iniciada em 1928 e sagrada em 7 de outubro de 1953, estão os 15 altares dedicados aos Mistérios do Terço. No altar-mor, o quadro representa a mensagem de Nossa Senhora aos videntes, preparados anteriormente pelo Anjo de Portugal, no seu encontro com Jesus Eucarístico. Do lado esquerdo, encontra-se o bispo da diocese, de joelhos, e as figuras dos papas Pio XII, que consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, São João XXIII e o beato Paulo VI. Os vitrais representam as cenas das aparições e invocações da Ladainha de Nossa Senhora. É também na Basílica onde estão os restos mortais de Francisco e Jacinta. 
 
Na Capela do Lausperene é possível fazer Adoração ao Santíssimo Sacramento; o recinto não é visitável, sendo destinado apenas à Adoração em silêncio. Outro local marcante na história das Aparições é a Azinheira Grande, onde os pastorinhos e os primeiros peregrinos rezaram o Terço, antes de Nossa Senhora chegar. 
 
Ainda na entrada do Santuário, está um monumento constituído por um módulo de betão do Muro de Berlim – começado a ser construído na noite de 12 para 13 de agosto de 1961 e demolido a partir de 9 de novembro de 1989. O bloco foi colocado em recordação da intervenção de Deus, prometida em Fátima, da queda do comunismo; pesa 2,6 mil quilos, mede 3,60 metros de altura e 1,20 largura. 
 
DEVOÇÃO – Heleni Maciel de Goes, residente em Sorocaba, é uma das pessoas que já peregrinou a Fátima, em 2005 e 2014. Devota de Nossa Senhora, a professora aposentada diz sentir a presença de Maria em sua vida diária, em suas viagens e afazeres, principalmente pelo exemplo de Mãe e fortaleza que ela é. “Até me emociono quando penso que Maria nos foi entregue como Mãe por seu próprio Filho, Jesus.” 
 
Ao comentar sua peregrinação a Fátima, ela diz não ser uma historiadora, mas, sim, uma pessoa de fé. Lá, Heleni participou de Missas em diferentes locais do Santuário e enfatiza ter sido uma viagem inesquecível. “Quantas vezes você puder ir, ainda mesmo assim não poderá se realizar; é uma vida! Posso visitar o Santuário quantas vezes for, que sempre haverá algo novo.” 
 
Vera Regina de Oliveira Ribeiro, também professora aposentada e residente em Sorocaba, esteve em Fátima no ano passado. Ela conta que sua relação com Nossa Senhora é desde pequena. “Tanto que minha avó me embalava cantando 'Ave-Maria' de Gounod.” Ao expor sua viagem à Europa, não se limita ao contar a graça de ter visitado o local em que a Virgem apareceu aos pastorinhos. 
 
“Quem entra naquele pátio enorme do Santuário sente uma paz! O que mais me tocou foi à noite, quando nos dirigimos à capela rezando o Terço, que é meditado por pessoas de diferentes países, com os Mistérios rezados em idiomas distintos. Ao sairmos de lá, encontramos o pátio todo iluminado por velas. E meu marido foi agraciado por ter a oportunidade de carregar o andor de Nossa Senhora durante a procissão das velas.” 
 
 
Luzes resplandecem em honra à Virgem 
 
Mais de 5 mil pessoas eram esperadas na noite de sábado (13) no Parque Campolim. As luzes das velas saudaram aquela que trouxe a Luz ao mundo. Com um andor-réplica, que sustenta a imagem de Nossa Senhora como em Fátima, Portugal, a paróquia do Campolim venera a Mãe de Jesus com Missa campal hoje, às 19 horas, na praça ao lado da pista de caminhada. O arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, SAC, presidiu a Celebração, que foi concelebrada pelo pároco, padre Wilson Roberto da Silva. Para a Procissão Luminosa, foram entregues aos devotos cerca de 5 mil velas e lenços, que foram abeçoados ao meio-dia na igreja matriz, situada na Avenida Caribe, 184. Fora isso, às 8, 10, 14 e 16 horas, foram rezados os Mistérios do Terço.
 
De acordo com padre Wilson, o povo reunido, com velas nas mãos, na praça do Campolim, tem a intenção de fazer memória à Procissão Luminosa que ocorre em Fátima, assim como a acenação com os lenços, como fizeram os portugueses na sexta e última aparição de Nossa Senhora, em outubro de 1917. “Hoje, essa devoção toma conta quase que de todo o mundo cristão católico, até porque a imagem de Nossa Senhora mexe muito com a emoção das pessoas.”
 
Padre Wilson ressalta, ainda, que o mesmo pedido da Mãe de Jesus, de oração e conversão, continua até hoje. “É um apelo que a Igreja insistentemente faz, em nome de Nossa Senhora, que é a conversão e a paz no mundo, inclusive, neste tempo tenso em que a humanidade vive, de conflitos e guerras civis. Nossa Senhora vem com um apelo de Deus, como uma anunciadora de uma vontade de Deus; ela não vem por ela própria!” O pároco explica também que os lenços abençoados não se trata de um Sacramento, mas um Sacramental; assim, ele enfatiza a necessidade de que o fiel guarde-o com devoção ou o ofereça a uma pessoa necessitada ou doente. 
 
Já a Missa na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Menges, foi às 19h30, com Procissão Luminosa. Em Votorantim, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida foi a responsável pela celebração às 18 horas, no campo do Parque Jataí, na Avenida Antônio Castanharo, ao lado da pista de bicicross.
 
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