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<< SOROCABA Parceria une quatro gerações Gratidão e abdicação são os pontos-chave para o convívio

Publicada em 11/05/2017 às 11:48
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Lúcia, Marilei, Mariana e Iolanda encontram-se todos os dias (Foto: Germano Schonfelder)
DIA DAS MÃES
 
As quatro paredes brancas do pequeno quarto no bairro Além Ponte, zona leste de Sorocaba, guardam mais histórias do que uma pessoa poderia contar. Quando entes que se amam estão juntos, há risadas e lágrimas, conversas e brigas; momentos que marcam no fundo da alma das mulheres fortes que ali habitam.
A história começa com Iolanda Escobar Rossetto, 86 anos, matriarca de uma família que, agora, retribui todos os cuidados que um dia ela já ofereceu. “Agradeço a Deus em todas as noites quando me deito”, conta. “Se não fosse pela minha família, eu não estaria viva”.
 
A atenção vem da filha, a aposentada Marilei Rossetto, 69 anos. Como Iolanda tem a mobilidade reduzida por conta da idade, Marilei trata de garantir que a mãe tenha tudo o que queira e possa ocupar a mente com atividades que lhe são cabíveis.
 
Mesmo morando em outra casa, Lucia Helena Peres Leite, 49 anos, neta de Iolanda, tem participação ativa no cotidiano das duas. “Há uma época em que a gente deixa de ser mãe dos filhos e a coisa se inverte”, explica.
 
O hábito passou para a estudante Mariana Peres Leite, 20 anos, que comparece à casa da bisavó todas as tardes, após sair do trabalho. “A gente convive com famílias muito próximas, mas vemos que é diferente e mais forte o laço que temos”, comenta.
 
“São quatro gerações; é muito conflito por conta dos modos de pensar”, prossegue Mariana. “Mas vejo minha bisa e avó, e como minha mãe tem a doçura de uma e a garra da outra; se eu for metade disso que elas são ficarei muito feliz”.
 
SEGREDO – A união das mulheres ultrapassa a consciência do que elas podem explicar; mas tentam. “Acho que é ter gratidão”, arrisca Mariana. “Enxergo minha bisa e tenho muita gratidão. Se não fosse ela, não teria minha avó e minha mãe não seria assim. Minha bisa é mãe da família inteira”.
Já Lucia sugere que a troca seja o elo de ligação entre elas. “Quando minha mãe precisou, minha avó cuidou de mim. Quando eu precisei, foi o mesmo”, lembra. “Agora, fazemos por ela o que ela fez pela gente. E faço com amor”, garante.
 
“Todo mundo aqui faz com amor”, acrescenta Iolanda. “Nosso amor e nosso convívio”, explica Marilei. “A gente não sabe fazer nada deixando a outra de lado”.
 
Mariana exemplifica citando a festa de aniversário do pai, com a temática de balada, na qual a avó e bisavó estiveram presentes. “Elas super acompanham!”, revela. “Vou arrastada, mas vou”, brinca Iolanda.
 
TATUAGEM – Companheira de Mariana e da filha caçula Ana Carolina, 17 anos, Lúcia aceitou fazer uma tatuagem que simbolizasse a conexão entre elas. No pulso, cada uma das três desenhou um coração. No entanto, não foi a primeira de Mariana. “Fiz num momento em que minha bisa ficou muito mal no hospital”, conta. “Decidi que, se eu tivesse que marcar algo na minha pele, tinha de ser tão forte quanto o que eu sentia por ela”.
 
Segundo a bisneta, Iolanda não gostara da ideia, mas chegou a chorar na primeira vez em que viu. “Achei muito bonita, fico agradecida”, afirma a bisavó. “Assim como ela tem amor por mim, tenho por ela”.
 
 
Maternidade baseia-se no amor e religião
 
Neste domingo (14), as quatro mulheres passarão o Dia das Mães em família. “A gente celebra todo mundo junto”, conta Lúcia. “Nos reunimos, almoçamos e damos risada. Sempre agradecemos a Deus por tudo que a gente tem”.
 
“Celebro com muita alegria”, adianta Marilei. Para a aposentada, Maria, mãe de Jesus, é a representação da importância do dia. “Nossa querida Mãe do Céu é nosso alicerce, é tudo para nós. Quando o sofrimento aperta, lembramos do sofrimento de Maria em ver o filho sacrificado na cruz e temos amor. O exemplo dela é demais”, declara.
 
Marilei menciona o falecido pai: “Mesmo sendo Dia das Mães, sinto a ausência dele”, diz. “Sempre que arrumamos a mesa, tem um lugar vago com um prato, que era o dele”.
 
Iolanda também se torna saudosa durante a data. “Lembro da minha mãe, que é falecida, com muita saudade”, relata. “Era uma pessoa bondosa e com muita paciência”.
 
SER MÃE – Lúcia, Marilei e Iolanda partilham do mesmo sentimento quanto à maternidade. “É uma vocação”, afirma Marilei. “A gente é chamada para ser mãe; já começa no primeiro dia de gestação, quando sente aquele amor louco”.
 
Sua filha, Lúcia, acredita que o amor das mães acompanha todas as fases de uma pessoa. “Crescer, casar e ter filhos; é um amor incondicional”, frisa.
“É muito amor”, concorda Iolanda. “A gente tem de aceitar e não reclamar, passe o que for para passar”.
 
Marilei ainda observa que a recusa em responder ao chamado da maternidade é o que faz com que haja o abandono de crianças ou as desavenças familiares. “Tem de fazer bem feito”, conclui.
 
Atualmente, a união das famílias é um obstáculo a ser vencido diariamente e as mulheres lutam por isso. “Uma precisa apoiar a outra”, explica Lúcia. “É uma questão de adaptação; temos de ter consciência e abrir mão de algumas coisas”.
 
Mariana garante que tem muito guardado em sua memória e que poderá levar para a vida. “Sempre vou lembrar de nós quatro neste quarto, rindo e chorando, mesmo daqui a 70 anos”, divaga. “Se essas paredes falassem...”.
 
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