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<< BRASIL Em dia de protestos, Temer diz que reforma é caminho para salvar Previdência do colapso Manifestações têm passeatas, paralisação do transporte público e depredação

Publicada em 16/03/2017 às 15:11
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(Foto: Fotos Públicas)
No dia em que houve protestos em várias cidades do País contra as reformas da Previdência e trabalhista, o presidente Michel Temer (PMDB) disse nesta quarta-feira (15) que a proposta de reforma da Previdência, apresentada pelo governo federal, evitará que o Brasil siga o caminho de outros países que, por não se prevenirem dos gastos excessivos com as aposentadorias, tiveram de fazer cortes de grandes proporções, chegando, inclusive, a cortes de salários de pessoas na ativa e aposentados.
 
"Não queremos que o Brasil tenha de fazer o que fez Portugal, ou seja, cortar salário de pessoas na ativa e de aposentados, ao mesmo tempo em que elevava a idade mínima para 66 anos e eliminava o 13º salário. Não queremos chegar a esse ponto. Não podemos fazer uma coisa modestíssima agora para, daqui a 4 ou 5 anos, termos de fazer como Portugal, Espanha e Grécia, que tiveram de fazer um corte muito maior", disse. Segundo o presidente, a proposta representa um caminho para salvar a Previdência do colapso. 
 
"Demos rumo seguro às contas públicas com o teto de gastos, imunizando o Brasil do populismo fiscal", acrescentou Temer durante cerimônia de lançamento do projeto Senhor Orientador, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, no Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília. "Com toda franqueza, tenho feito distinção entre medidas populistas e medidas populares; as populistas são feitas de uma maneira irresponsável; as populares não", afirmou. 
 
Temer também avalia a possibilidade de gravar um pronunciamento para explicar a reforma da Previdência. O pedido foi encaminhado a ele por deputados da base aliada, que pedem ao governo para arcar com o ônus da reforma. Os parlamentares estão sendo pressionados por corporações para que se posicionem contra as mudanças na concessão dos benefícios e querem que Temer vá à TV para explicar o que está em jogo. Por enquanto, porém, Temer decidiu apenas divulgar vídeos nas redes sociais.
 
PROTESTOS - Grande parte das agências bancárias da Avenida Paulista, na área central da Capital paulista, amanheceram fechadas nesta quarta-feira. As que abriram as portas tiveram faixas colocadas com mensagens relativas ao Dia Nacional de Paralisação contra a reforma da Previdência. Apesar de a mobilização ter atingido uma área simbólica da cidade, com alta concentração de agências, em outros bairros, o atendimento ocorreu normalmente. 
 
De acordo com a presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, a paralisação atingiu alguns centros administrativos de bancos públicos e privados. "Os bancários estão muito insatisfeitos, preocupados e vão cobrar os deputados por essa reforma", disse. Para a sindicalista, o governo deveria buscar outras formas de equalizar os problemas de financiamento das aposentadorias, como cobrança das empresas que estão em débito com o sistema de seguridade social. 
 
As paralisações contra a reforma da Previdência também afetaram o sistema de transporte público da Capital. Os trens do metrô, que normalmente começam a circular às 4h40, só iniciaram a operação, parcialmente, por volta das 6h25, e quase toda a frota de ônibus, que soma 14,6 mil unidades para o transporte médio diário de 9,6 milhões de pessoas, permaneceu parada até as 9 horas; só nos trens do metrô, viajam, todos os dias, cerca de 3,2 milhões de passageiros.
 
Outros protestos bloquearam o trânsito em diversas partes da cidade. Manifestantes interromperam a passagem de veículos no Viaduto Dona Paulina, no Centro; na Ponte Santos Dias da Silva, na Avenida Teotônio Vilela, zona sul, e na Rua Alvarenga, no lado sudoeste, próximo à entrada para o campus da Universidade de São Paulo (USP). Como resultado, às 9h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego registrava 201 quilômetros de congestionamento na região do centro expandido.
 
METALÚRGICOS - Milhares de metalúrgicos do Estado de São Paulo também fizeram paralisações e protestos ontem. Em São José dos Campos (SP), houve passeatas, atrasos e greve de 24 horas, organizadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. As manifestações, que mobilizaram cerca de 10 mil trabalhadores, começaram por volta das 5h30, com servidores em passeata na Rodovia Presidente Dutra. Eles seguiram cerca de dois quilômetros até a Refinaria Henrique Lage, da Petrobras. 
 
Os metalúrgicos da General Motors também fizeram uma passeata e ocuparam a Via Dutra, no sentido do Rio para São Paulo. Houve atraso de três horas no início da produção. Na montadora Chery, em Jacareí, os trabalhadores decidiram entrar em greve de 24 horas. Na Embraer, a produção teve um atraso de um hora. Também houve manifestações de metalúrgicos da JC Hitachi e Prolind. Os trabalhadores acompanharam a operação tartaruga promovida pelo Sindicato dos Condutores de São José dos Campos. 
 
Na região do ABC paulista, houve greve de 24 horas dos 11 mil funcionários que trabalham no pátio principal da Volkswagen, no quilômetro 23,5 da Rodovia Anchieta. O plano inicial, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, era fazer uma concentração no local e seguir até o posto da Previdência Social, no centro de São Bernardo, para um ato público. No entanto, como os ônibus fretados não passaram pela manhã para levar os trabalhadores à fábrica, o quórum da assembleia foi pequeno, com 700 pessoas. 
 
ESTADOS - O Sindicato dos Bancários informou que mais de 60 agências bancárias estiveram fechadas no centro do Rio, área que concentra o maior número de bancos. A paralisação, de 24 horas, teve o objetivo de pressionar a Câmara a travar a reforma para que outros direitos trabalhistas não sejam retirados, e também para que bancos públicos não sejam extintos. Bancos e escolas são as únicas instituições que parecem ter aderido à paralisação no Rio pela manhã.
 
Já a 1ª Vara Federal de Porto Alegre determinou a suspensão da veiculação de publicidade pelo governo federal relacionadas ao programa de reforma da Previdência. A decisão foi tomada pela juíza Marciane Bonzanini, em resposta a uma ação civil pública de autoria de nove sindicatos trabalhistas do Estado do Rio Grande do Sul. A juíza analisou os conteúdos no site do governo federal e concluiu que a campanha publicitária retratada não possui caráter educativo, informativo ou de orientação social.
 
A magistrada apontou, ainda, o uso inadequado de recursos públicos e desvio de poder que leva a sua ilegalidade. Ao fundamentar a decisão, ela disse, também, que não há normas aprovadas que devam ser explicadas para a população; não há programa do governo que esteja amparado em legislação e atos normativos vigentes. Há a intenção do partido que detém o poder no Executivo federal de reformar o sistema previdenciário, que desenvolve campanha publicitária financiada por recursos públicos. 
 
Em Brasília, no Distrito Federal, milhares de manifestantes protestaram na Esplanada dos Ministérios. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o ato reuniu cerca de 10 mil pessoas. Os dois sentidos do Eixo Monumental foram interditados pela polícia, entre a Catedral e o Congresso. Um grupo espalhou cruzes em frente ao Congresso para simbolizar pessoas que vão morrer sem poder aposentar-se caso a reforma seja aprovada. 
 
Na madrugada, o Ministério da Fazenda tinha sido invadido por manifestantes, por volta das 5 horas. Segundo o Movimento Sem-Terra, 1,5 mil pessoas participaram da ocupação; já a Polícia Militar contabilizou 200. Durante o ato, vidraças do prédio foram quebradas. Os manifestantes também levantaram faixas contra a reforma na parte de fora do edifício. Entre os participantes, estavam integrantes do MST, da Central Única dos Trabalhadores, do Movimento de Luta pela Terra e Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto.
 
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