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<< SOROCABA Ônibus param contra reformas da Previdência e trabalhista e afetam usuários mais que o previsto Circulação do transporte deveria voltar às 8 horas; contudo retornou três horas depois

Publicada em 16/03/2017 às 15:04
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(Foto: Germano Schonfelder)
A paralisação de transporte público em Sorocaba, nesta quarta-feira (15), deixou muitas pessoas na mão em cumprir seus compromissos. Em um ponto na zona oeste, usuários das linhas Santa Bárbara e Júlio de Mesquita Filho ficaram mais de uma hora esperando o ônibus e, quando eles chegaram, estavam lotados e não podiam embarcar. Foi o caso da doméstica Edinéia Aparecida Borba, 44 anos. "Se não conseguir embarcar, volto para casa, fazer o quê, 'né'? Fiquei aqui mais de 40 minutos", disse, conformada, ao ver o ônibus aproximar-se já com gente na porta de embarque. 
 
O primeiro ônibus da linha apareceu às 7h45; depois, mais um às 8h23 e outro às 9h30, mais de uma hora depois. Muitas pessoas desistiram de esperar e chamaram um carro do Uber para cumprir seus compromissos, outros pediam carona para familiares e amigos ou, simplesmente, desistiam. O que era para ser cinco horas de paralisação tornou-se mais de nove horas, tirando os coletivos das ruas sorocabanas a manhã toda. A circulação ficou normal apenas no começo da tarde. 
 
Muitas pessoas ficaram presas nos pontos esperando e dentro dos terminais Santo Antônio e São Paulo também. A previsão inicial do movimento seria de que os ônibus voltariam a circular a partir das 8 horas; fato que não ocorreu. Apenas depois das 10h30, após assembléias com os motoristas, os ônibus saíram das garagens. Somente 30% da frota circularam, atendendo à força da Lei da Greve. 
 
A paralisação dos ônibus do transporte coletivo deu-se em Sorocaba e cidades da região. Os terminais de ônibus amanheceram com movimentação tranquila, mas não demorou e relatos de demoras de ônibus em diversos outros pontos da cidade começaram a ocorrer. Os próprios terminais ficaram cheios de pessoas que estavam sem condução para sair dali e chegar aos seus destinos. 
 
A paralisação teve início às 3 horas. Por volta das 6h30, o auxiliar de produção Fernando Gabriel Veiga, 30 anos, estava em um ponto na Avenida Américo Figueiredo, na esperança de conseguir chegar ao Centro. "Quero ir ao banco, sacar meu FGTS. Como os ônibus estão em greve, mas sei que tem 30% circulando, espero que consiga chegar. Estou indo bem antes para ter certeza de que consigo, pois só posso fazer isso hoje, no meu dia de folga", explicou. Ele estava há mais de uma hora esperando no ponto.
 
O sistema de transporte sorocabano possui 106 linhas de ônibus. Os veículos percorrem todos os pontos e cantos da cidade, levando mais de 120 mil pessoas de lá para cá; cerca de 80 mil delas só no Terminal Santo Antônio, e 40 mil no Terminal São Paulo. A média mensal alcança 4,5 milhões de passageiros.
 
LADOS – Em nota, o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região afirma que trabalhadores em transportes urbano, intermunicipal e rodoviários no municípios de Sorocaba, Votorantim, Itapetininga, Tatuí, Araçoiaba da Serra, Capela do Alto, Salto de Pirapora, Piedade, Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Pilar do Sul, São Roque, Mairinque, Alumínio, Itararé e Itapeva participaram do Dia de Paralisação Nacional e cruzaram os braços da madrugada até as 11 horas contra as reformas da Previdência e trabalhista e contra a terceirização da atividade-fim. Durante o protesto, a entidade reforça ter mantido 30% da frota em circulação. 
 
Houve assembleias para conscientizar os trabalhadores em todas as garagens das empresas nesses municípios. Em Sorocaba, o presidente do Sindicato alertou para a importância da luta contra o desmonte dos direitos trabalhistas e sociais. “O projeto dos empresários é retirar todos os nossos direitos para nos transformar em miseráveis, para sermos humilhados e ficarmos nas portas das empresas implorando para trabalhar por qualquer trocado ou prato de comida. Se não dermos uma resposta agora, imediata, depois pode ser tarde demais”, alertou Paulinho.
 
“Nós precisamos nos preocupar com nossa família, com nossos filhos e nossos netos. A obrigação de lutar é nossa. Não podemos nos acovardar diante de uma luta tão importante e determinante de nossos futuros”, completou Paulinho. O vice-presidente do Sindicato, Francisco França, explicou à categoria os prejuízos que representa a reforma da Previdência. “A reforma da Previdência é o fim da aposentadoria no Brasil. Ao elevar a idade mínima para 65 anos, independente de ser homem ou mulher, e exigir 49 anos de contribuição para receber aposentadoria integral, a reforma fará com que ninguém mais se aposente. Quem consegue contribuir por 50 anos? Quem consegue passar a vida toda sem ficar um dia sequer desempregado?”, questionou França.
 
O auxiliar de produção Alex Moraes de Oliveira, 31 anos, estava num ponto no Jardim Ipiranga e concorda com o movimento grevista. "Assim, e só assim, é que nós podemos fazer alguma coisa para chamar a atenção do governo para esses problemas", opina. A estudante Larissa Bárbara Liuti, 22 anos, concorda. "É assim que faremos a nossa reivindicação ser notada." Ela estava esperando um ônibus para ir ao protesto de estudantes que ocorreu no Centro ontem. Quem discorda é o encarregado de segurança Maurício Santana Fagundes, 30 anos. "Meu carro está quebrado, então tenho de usar ônibus. Não acho que é parando o transporte que a ajuda vai vir. É a minha opinião", explica.
 
CONFUSÃO - Devido à paralisação do Sistema de Transporte Coletivo Urbano, a Urbes – Trânsito e Transportes confirma que cerca de 30% da frota circulou em Sorocaba, o que representou aproximadamente 130 ônibus (incluindo o transporte especial) de um total de 401 veículos, prejudicando os usuários do sistema. 
 
“Segundo o sindicato da categoria, responsável pela paralisação, os ônibus retornariam a circular normalmente às 8 horas, porém isso não ocorreu, já que eles realizaram assembleias nas principais empresas de transporte após este horário. Os ônibus saíram das garagens apenas a partir das 11h07 e, às 12h20, 100% da frota estavam nas ruas da cidade”, salienta a empresa pública.
 
A Urbes registrou, ao longo da manhã, um grande número de pessoas aguardando ônibus no Terminal Santo Antônio e no Terminal São Paulo. Somente por volta de meio-dia, após o retorno da circulação dos ônibus, é que o movimento nestes espaços foi normalizado. Ainda nesta quarta-feira, entre as 13h30 e 13h50, houve um protesto de merendeiras das escolas estaduais no Terminal Santo Antônio. O grupo interditou o Ramo A, o que obrigou a Urbes a desviar a saída de algumas linhas de ônibus pela Avenida Dr. Afonso Vergueiro durante o período.
 
FÓRUM - Servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo em Sorocaba também pararam suas atividades. Escreventes e oficiais de justiça concentraram-se em frente ao Fórum entre as 11 e 12 horas. 
 
ESTUDANTES - Alunos de diferentes escolas estaduais de Sorocaba reuniram-se na manhã desta quarta-feira (15), na Praça Coronel Fernando Prestes, no Centro, onde fizeram protesto contra as normas da Previdência e trabalhista. O ato integra o Dia Nacional de Paralisação, que ocorreu em vários municípios do Brasil. Com um carro de som, um grupo de alunos partiu da Avenida Itavuvu, zona norte, e caminhou à praça central, junto aos demais manifestantes. O protesto seguiu para a Praça da Bandeira e também contou com a participação de professores. O ato provocou, ainda, bloqueio de algumas ruas do Centro. 
 
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo lamentou que alunos da rede estadual de ensino tenham sido prejudicados por uma mobilização que, mais do que pautas educacionais, também abordou temas nacionais, como a reforma da previdência. “Mesmo com mais de 93% das escolas em funcionamento, o conteúdo perdido por alunos devido à ausência de professores será reposto e faltas não justificadas pelos profissionais serão descontadas. Sobre os dias 28, 29 e 30 a secretaria acredita no compromisso dos professores com os estudantes”, salienta a pasta, reforçando que, em Sorocaba, seis escolas paralisaram as atividades.
 
“A pasta reafirma que mantém uma mesa de discussão com o sindicato, com interlocução direta do secretário José Renato Nalini. Mesmo diante dos desafios econômicos enfrentados pelo País, a Secretaria da Educação divulgou ontem que pagará para professores e servidores o bônus por mérito no valor de R$ 290 milhões. Além disso, no dia 7 deste mês foi pago o salário com acréscimo de 10% para mais de 18 mil professores de Educação Básica I. Com isso, nenhum professor do Estado de SP recebe menos que o piso nacional (R$ 2.298,80). O salário-base dos professores da rede estadual de ensino PEB II é R$ 2.415,89, ou seja, 5% superior ao piso nacional e acrescido de benefícios”, diz em nota. 
 
TRÂNSITO - Com relação ao trânsito, a Urbes registrou transtorno apenas durante a manifestação de estudantes, que iniciaram um protesto na Avenida Itavuvu por volta das 8 horas e seguiram para a Praça da Bandeira, na região central. Agentes de trânsito acompanharam todo o trajeto e interditaram as ruas para a passagem dos manifestantes, o que acarretou lentidão nessas vias.
 
A Urbes salientou que continuaria mantendo esquema de trânsito, com agentes posicionados em pontos estratégicos de tráfego para minimizar os efeitos da paralisação também no início da noite de ontem, já que alguns trabalhadores que se utilizam do transporte coletivo tiveram de se locomover de carro, e isso deveria refletir no trânsito no final da tarde. A central semafórica operou em esquema diferenciado para dar fluidez às vias arteriais, e os agentes que trabalham no CCO Trânsito (Centro de Controle Operacional) também auxiliaram no monitoramento do trânsito através das câmeras instaladas na cidade.
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