Terça-Feira, 25 de Abril de 2017 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< SOROCABA Trabalhadores da Educação e transporte participam de paralisação nacional Sindicatos protestam contra reforma da Previdência em trâmite no Congresso

Publicada em 14/03/2017 às 15:10
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Ônibus ficam sem circular das 3 às 8 horas de amanhã
O Dia Nacional de Paralisação em protesto contra a reforma da Previdência contará com a paralisação de professores estaduais e de motoristas do transporte coletivo nesta quarta-feira (15), cujas categorias estiveram em assembleia nos últimos dias.
 
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) chama os trabalhadores para uma assembleia estadual na Praça da República, em São Paulo, às 14 horas, para discutir a reforma da Previdência. A paralisação será durante todo o dia, segundo a coordenadora da Apeoesp Sorocaba, Magda Souza. “Um grande número de escolas vai fechar em protesto contra essa reforma”, afirma.
 
Fora a pauta principal, os professores pedem por reajuste salarial, há três anos sem reposição da inflação, e debatem a reforma do Ensino Médio. “Tornará mais precária a formação do estudante de escola pública”, aponta Magda. “Professores de matérias técnicas não precisarão mais de licenciatura; isso é uma ‘desprofissionalização’.”
 
A Secretaria Estadual da Educação reafirma manter uma mesa de negociação aberta com os sindicatos da categoria. “Cabe ressaltar, inclusive, que na terça-feira (7) já foi pago o salário com acréscimo de 10%, incorporado no salário de mais de 18 mil professores de educação básica I”, informa. Com isso, nenhum professor do Estado receberia menos que o piso nacional de R$ 2.298,80, segundo a pasta, explica a Secretaria da Educação.
 
Os trabalhadores em transportes da região de Sorocaba também vão aderir à paralisação, interrompendo atividades das 3 às 8 horas desta quarta-feira (15). O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região informa que 30% da frota manterá a circulação no período. Os funcionários permanecerão em frente às garagens das respectivas empresas.
 
MOVIMENTO – O Dia de Paralisação Nacional foi convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), demais centrais e as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com o objetivo de informar a população sobre a retirada de direitos que representam as reformas da Previdência e Trabalhista, que tramitam no Congresso Nacional.
 
Para as categorias que convocam o movimento, existe hoje no Brasil uma disposição do atual governo federal e do Congresso de desmontar toda a estrutura de direitos sociais e trabalhistas que já estavam consolidados, e foram frutos de inúmeras lutas da classe trabalhadora ao longo das décadas, de acordo com o Sindicato dos Rodoviários.
 
A entidade ainda afirma que a reforma trabalhista faz com que as leis trabalhistas existam sem ser utilizadas na prática, além da dificuldade que a reforma da Previdência ofereceria ao acesso do trabalhador e da população em geral à aposentadoria e pensões.
 
ASSINATURAS – Os sindicatos filiados à CUT em Sorocaba coletaram 10.548 assinaturas contra a reforma da Previdência. Coordenada pela subsede regional da central, a coleta de adesões encerrou-se ontem. O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região levou abaixo-assinado nas assembleias em portas de fábricas. De acordo com o diretor-executivo da entidade, Sílvio Ferreira, na Flex, empresa de eletroeletrônicos, foram coletadas centenas de assinaturas. 
 
LADOS - A reforma da Previdência proposta pelo governo Temer tem o objetivo oculto de desmontar e privatizar o setor, afirmam sindicalistas. As exigências de idade mínima de 65 anos e a necessidade de contribuir durante 49 anos para garantir o benefício integral incentivam a procura do trabalhador por fundos de previdência privada complementar. Entre os mais jovens, está se disseminando a ideia de começar a poupar por conta própria, deixando de contribuir para o sistema público.
 
"O governo não pretende reformar a Previdência, mas, sim, acabar com a aposentadoria pública e entregar como ativo financeiro para os bancos privados", diz Vágner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). "Não é novidade, já aconteceu em países como Chile e México, mas não deu certo e eles tiveram de voltar atrás."
 
O problema, segundo o sindicalista, é que apenas 20% da população brasileira teria condição de comprar um plano de previdência privada. Os outros 80% ficam fora. "O que o governo não fez e precisa fazer é um amplo debate para saber se a sociedade brasileira concorda ou não com a ideia de não ter Previdência como política pública", afirma o presidente da CUT. 
 
Já o economista Paulo Tafner, consultor do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), está convencido de que o Brasil vai cair na armadilha do crescimento baixo caso a proposta de reforma da Previdência não seja aprovada nos pontos centrais propostos pelo governo. Nas suas contas, o Produto Interno Bruto (PIB) seria negativo no segundo semestre, um pouco positivo no primeiro, fechando 2017 em torno de zero, e no ano que vem ficaria em torno de zero também. 
 
Por uma razão simples. A despesa previdenciária, que cresce num ritmo três vezes maior que a receita tributária, vai comer o orçamento da União. "Vamos entrar numa enorme crise fiscal e o governo vai ter de ou emitir títulos públicos, ou imprimir dinheiro, ou simplesmente cortar benefícios", diz o especialista em sistema previdenciário e contas públicas.
 
O presidente Michel Temer (PMDB) disse, na semana passada, que a reforma da Previdência vai evitar que o País acabe na mesma situação do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, Estados que decretaram calamidade financeira.
 
Temer disse que o Brasil não pode, daqui a quatro ou cinco anos, transformar-se em uma figura como está acontecendo com os Estados brasileiros. "O governo manda aquilo que acha necessário para que o Brasil não se transforme, vou citar aqui com toda a liberdade porque já está 'publicizado', a história do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, Estados que estão passando por grandes dificuldades em função do fenômeno previdenciário", declarou o peemedebista.
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar