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<< ECONOMIA Dificuldade financeira impulsiona troca de carro por transporte público Especialista aconselha a analisar todos os fatores de custo

Publicada em 13/03/2017 às 14:24
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Mediante o cenário econômico do País, cada vez mais pessoas buscam alternativas para que a crise não chegue ao próprio bolso. Uma ideia válida, que requer mudanças de hábito e adaptação, é a troca do uso de carro pelo transporte público, medida tomada por alguns sorocabanos neste ano.
 
Larissa Figueiredo, 21 anos, estudante, deixou o conforto do carro após perder a vaga de estágio no mês passado. Agora, faz uso do ônibus para chegar à faculdade. “Eu gastava R$ 10 de ida e volta, totalizando R$ 200 no mês. Agora, com o passe, dá R$ 1,60; gasto R$ 50 por mês; então economizo R$ 150”, explica.
 
Usuária das linhas Santa Rosália, Expresso e Cidade Universitária, Larissa lamenta as condições do transporte público na cidade. “Já cheguei atrasada, porque o ônibus passou direto, pelo fato de estar lotado e o horário ser de bastante movimento.”
 
A estudante de Arquitetura reconhece a economia, mas, se pudesse, manteria o carro. “Com certeza, se eu estivesse trabalhando, não pensaria duas vezes!”, brinca. “O fato de eu poder ir e vir sem depender de horário, chegar antes e a segurança de estar na porta de casa. Tem mais comodidade. No ônibus é ruim o conforto e a demora por parar nos pontos.”
 
O desemprego também atingiu o casal Gabriela Stéfany dos Santos e Luiz Felipe de Campos, ambos com 21 anos. A economia para os recém-casados mostrou-se essencial e o uso de ônibus tornou-se obrigatório. “Nós vamos ao curso de ônibus”, conta Campos. “Não é muito boa a experiência, mas é mais econômica.” O estudante considera o transporte razoável e gostaria de que mais linhas fossem colocadas para circular.
 
O carro do casal ficou parado na garagem após eles perceberem todos os custos implicados. “Não é somente o valor da gasolina, tem também o estacionamento, que temos de pagar todos os dias”, explica Gabriela. Moradores de Votorantim e estudantes de Sorocaba, eles usam as linhas Senac, Expresso, Nove de Julho e Barcelona. A economia é grande, segundo Gabriela. “Quando vamos de carro, gastamos em torno de R$ 26 por dia; já com o ônibus, gastamos uns R$ 6 usando o passe de estudante.”
 
O transporte público poderia ser melhor, de acordo com a estudante. “Acho precário. Vários ônibus com danos, feitos pelos próprios passageiros, pichações nos bancos e algumas vezes sujos. Sem contar a superlotação, que em algumas situações temos de esperar outro ônibus, porque não tem mais espaço”, revela. Gabriela ainda diz que o casal está aprendendo a administrar a casa e as contas. “É preciso cortar todos os gastos possíveis para que essa crise não nos afete tanto”, observa.
 
Ana Paula Moura, 38 anos, instrutora de autoescola, enfrenta o desemprego há alguns meses e passou a usar o carro apenas em fins de semana. “Com ônibus, você perde muito tempo, não consegue fazer tudo; nem sempre vai sentado. Quando vai de pé, ainda é perturbado por ‘engraçadinhos nojentos’”, observa.
 
Usuária da linha Ouro Fino, Ana Paula encontrou na moto outra opção para driblar o alto custo do automóvel. “Mais econômica e rápida, mas tem a preocupação com acidentes”, conclui.
 
Ben Zruel, consultor financeiro, declara que tudo é relativo. “De fato, é mais barato usar transporte público; mas depende do tempo e da condução; nem sempre compensa”, pontua. “É necessário, sim, colocar na ponta do lápis quanto gasta com gasolina, mas não é só. Tem imposto, manutenção e quilometragem”, justifica. Para quem não quer deixar de usar carro, Zruel sugere pesquisar veículos mais econômicos e dispensar excessos. “Quem tem dois carros, por exemplo, deveria ficar com apenas um, pois não há necessidade.”
 
MOBILIDADE – A Urbes – Trânsito e Transportes, no entanto, informa ter registrado em janeiro deste ano uma queda de 4,64% na demanda do transporte coletivo, em comparação ao mesmo período de 2016.
 
Já o sistema de bicicletas públicas, o Integrabike, registrou aumento de 141% nessa mesma comparação, de acordo com a empresa. A Urbes ressalta que o sistema passou por reformulação na metade do ano de 2016, com a ampliação de 19 para 25 estações e de 152 para 200 bicicletas.
 
Os dados ainda revelam que o cadastro de estudantes no período de janeiro e fevereiro de 2017 registrou a mesma variação do mesmo período de 2016, o equivalente a 36 mil novos cadastros.
 
A empresa pública constata que, de maneira geral, a dificuldade financeira afetou todos os deslocamentos, seja individual ou coletivo, diminuindo consideravelmente o número de usuários no transporte coletivo da cidade.
 
Contudo, com o retorno das aulas, a empresa afirma que algumas linhas do sistema apresentaram oscilações na demanda de passageiros, com concentração em determinadas linhas e períodos.
 
Para ajustar essa oscilação e manter um bom nível de serviço, a Urbes diz estar atuando com reforço na oferta através de viagens extras diárias, bem como avaliando a necessidade e viabilidade de implantação de novas programações horárias ainda neste primeiro semestre.
 
“Independente disso, a fiscalização do transporte monitora os terminais e os principais corredores da cidade, e sempre que constatado a necessidade, é solicitado às empresas concessionárias as providências cabíveis”, garante a empresa.
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