Quarta-Feira, 26 de Julho de 2017 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< ECONOMIA Empreender com chocolate ganha destaque com aproximação da Páscoa Redes sociais impulsionam venda de ovos artesanais

Publicada em 13/03/2017 às 14:18
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Criatividade e variedade de produtos são essenciais para fidelizar clientes
Investir na produção de ovos de chocolate é uma tendência anual com a chegada do período de Páscoa. Pessoas conciliam horários de trabalho com cozinha para garantir uma renda extra no final da temporada. Neste ano, o cenário é favorável aos empreendedores.
 
“Sou muito apaixonado por culinária”, garante Édipo Henrique Oliveira, 28 anos. “Depois que casei, quis agradar minha esposa e fiz o primeiro ovo de colher. Postei na rede social e, de repente, começaram a me pedir!”, conta.
 
Oliveira fez cursos e começou, há quatro anos, a produzir e vender a preço de custo, enquanto ganhava prática. Ao ver potencial no negócio, passou a investir no chocolate o pouco tempo que tem após chegar do trabalho na indústria. “Acredito que, em virtude das redes sociais, tudo é facilitado.”
 
Os recheios mais requisitados pelos amigos são os de bombons e barras de chocolates em alta. O de mousse de maracujá é o mais procurado. “Mas deixo a opção de me pedirem algo diferente caso eu possa fazer”, adianta.
 
A produção apenas não é maior por falta de tempo. “Pensei em terceirizar, mas não posso garantir que a pessoa que eu contratar vai ter o cuidado que tenho”, afirma. Sair do emprego atual, no entanto, ainda não é uma opção. “Mas se eu sair por vontade da empresa, com certeza, vou aplicar meu tempo na culinária.”
 
Heloíza Peixoto, 22 anos, estudante, tem o apreço pela cozinha no sangue da família e decidiu juntar-se a uma amiga para fazer ovos de Páscoa em 2015. A produção sai à noite, e Heloíza aposta que a tendência deste ano serão as barcas de brigadeiro.
 
Com os universitários como público-alvo, a maior preocupação são os preços. “Além de pagar barato, eles querem um valor. Aquela coisa de ‘relação profissional vendedor-cliente’ não é atrativa para eles”, conta. “Procuro conversar, entender o que ele quer mesmo e mostrar que fiz o produto especificamente para ele.” A expectativa é de que as vendas deste ano sejam boas o suficiente para que Heloíza possa investir no negócio próprio. “Minha empresa está virando uma coisa séria agora”, diz.
 
Em 2007, Márcia Gongora Lopes começou a produzir brindes de chocolate para os alunos da escola de informática em que trabalhava. Não demorou muito para que colegas e amigos pedissem que a professora fizesse os doces também sob encomenda. “Era chocolate o ano todo”, recorda.
 
Aos 45 anos e uma década após arriscar-se na cozinha, Márcia deixou o antigo emprego para se dedicar a um ateliê que montou no quintal de sua casa, na Vila Garcia, em Votorantim. “Parti para outro ramo porque a informática não é uma área tão procurada como antigamente”, explica. “Então, fui atrás de curso para me aperfeiçoar.”
 
A empreendedora considera-se mais satisfeita agora e já oferece uma variedade de 30 produtos, com valores de R$ 8,50 a R$ 35. A maioria de seus clientes é escolas em busca de agrados para os alunos na Páscoa. “Tenho 12 escolas fechadas e já vendi 200 quilogramas em chocolate.”
 
Aos que imaginam que Márcia atém-se à produção de chocolate, engana-se. “Os ovos industrializados têm brinquedo dentro. No meu, o ovo é o presente”, garante. Ela terceiriza a produção de artesanatos para acompanhamento, como bancos em madeira, enfeites em feltro e aventais para cozinha, além de oferecer oficinas de culinária. “Acho que, se a gente ficar pensando na crise, aí é que ela vai chegar mesmo”, brinca. “Tem de arregaçar as mangas. O pessoal dá uma ‘apertadinha’ para não deixar de comprar chocolate.”
 
PREÇO – Uma observação comum aos produtores de ovos caseiros é o aumento no valor do chocolate e itens para recheio nos mercados. “Subiu bastante em relação ao ano passado”, comenta Márcia. “No ano passado, eu pagava R$ 32 em uma barra de dois quilos e agora está R$ 48. Os produtos estão mais caros e os clientes querem comprar barato”, declara Heloíza.
 
Édipo Henrique Oliveira concorda que o investimento saiu mais caro. “E se sair para procurar, tem o custo do combustível”, explica. “Há produtos que mantenho em estoque, como embalagens, porque, quando está chegando a Páscoa, você não encontra.”
 
A situação faz com que os empreendedores tenham de adaptar o preço do produto final sem encarecer para o cliente. Oliveira, por exemplo, sempre fica atento a promoções. “Gosto de produtos de linha A, porque quero cuidado com qualidade além do valor.”
 
DICAS – Há cinco dicas essenciais para quem deseja aventurar-se no mercado de chocolates, de acordo com a analista do Sebrae-SP, Beth Proença Bonilha. Tudo começa com o planejamento. “É preciso saber quanto vai produzir no período, qual a capacidade diária”, explica.
 
O segundo conselho é calcular corretamente os preços. “Quanto está a matéria-prima, os insumos, a energia elétrica, o gás, a embalagem e até a entrega”, aponta. “O preço do mercado deve ser checado, além de saber o que ofereceu no ano anterior e qual o valor estimado.”
 
Iniciar a divulgação com antecedência é a dica de número três. “No boca a boca e nas redes sociais”, sugere. “Importante também é começar a pegar os pedidos. Se não bater a meta estipulada, tem de intensificar a divulgação.”
 
“Cuidado para não exagerar no estoque”, frisa Beth na quarta dica. “Sairá do lucro e perde matéria-prima.” A analista explica ser importante comprar com antecedência para não ficar refém do mercado, mas pede cautela na verificação de produtos necessários.
 
Por último, o conselho é priorizar o investimento em qualidade, personalização, bom atendimento e diversidade. “Se fez no ano passado, tem de fazer melhor agora. Preste atenção na segmentação dos clientes. Dê opções para os fidelizar e tente descobrir algo novo”, enumera.
 
Beth acredita que a venda de chocolates é um negócio que pode durar o ano todo caso o empreendedor esteja disposto a investir tempo e atenção. “A Páscoa é o Natal dos confeiteiros, mas chocolate serve para presente, enfeite em festa de aniversário e venda em restaurante.”
 
INDÚSTRIA – A Associação Paulista de Supermercados (Apas) acredita que o setor supermercadista deve registrar crescimento real em torno de 2% nas vendas de Páscoa, principalmente diante da desaceleração da inflação que se deu no fim do ano passado. O crescimento nominal deverá ser aproximadamente de 8%.
 
Depois do Natal, a Páscoa é a melhor data para vendas nos supermercados. A situação apenas não será melhor em decorrência do índice elevado de desemprego e da redução de renda das famílias.
 
Espera-se que as vendas de chocolate tenham crescimento nominal de 12%. Segundo Rodrigo Mariano, gerente de Economia e Pesquisa da Apas, com a renda das famílias comprometida, os consumidores tendem a procurar outras opções de chocolates, como caixas de bombons e chocolates em barra. A medida favorece a venda de chocolates em geral, porém prejudica a de ovos de Páscoa.
 
Uma das estratégias da indústria para não perder as vendas é investir em ovos menores, o que reduz o preço do produto para o tornar mais acessível aos consumidores. O preço dos chocolates, em geral, deve ser reajustado entre 6 e 8%.
 
“Isso se dá por diversos fatores, entre eles, o preço do açúcar, que subiu em 2016; o alto custo de mão de obra; e o preço da energia elétrica e combustíveis, fatores que impactam diretamente nos custos de produção dos chocolates e ovos de Páscoa”, afirma Mariano.
 
Além dos chocolates, o setor supermercadista também observa o aumento na venda de produtos como pescados, vinhos e azeites. Outro destaque é a Colomba Pascal. “A indústria de alimentos vem aumentando o mix de produtos ofertados e o consumidor tem experimentado cada vez mais”, comenta.
 
Mariano também destaca que o setor supermercadista negocia exaustivamente com os fornecedores para conseguir preços mais competitivos nos itens de Páscoa, o que resulta em aumento nas vendas e atendimento ao consumidor.
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar