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<< SOROCABA Planejamento abrange mobilidade urbana, corredor de ônibus e uso de linha férrea Urbes lida com déficit orçamentário

Publicada em 25/02/2017 às 23:32
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Unterkircher Filho afirma buscar equilíbrio financeiro para a Urbes (Foto: Fernando Rezende)
O trabalho em conjunto da Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade com a Urbes-Trânsito e Transporte é uma necessidade legal e garante que o secretário e diretor-presidente, Wilson Unterkircher Filho, analise as prioridades do transporte em Sorocaba e passe os levantamentos adiante visando às melhorias.
 
Os primeiros diagnósticos de Unterkircher neste ano foram positivos. “O sistema hoje vem funcionando bem e os níveis de atendimento à população, obviamente, são bons”, afirma. A primeira necessidade verificada é de promover o equilíbrio financeiro do sistema.
 
“Não há grandes previsões em termos de investimentos para o sistema como um todo, pelo menos neste ano, em função desta situação financeira e deste desequilíbrio momentâneo”, declara. “O que a gente vai priorizar, em termos de trabalhos, de estudos e de desenvolvimento, na verdade, são aqueles itens que estão considerados no plano de governo do Crespo.”
 
O secretário conta que, em cerca de duas semanas, o prefeito deve anunciar um plano para cuidar das calçadas do município. “Das calçadas existentes e do futuro”, frisa. Com o projeto aguardando aprovação, se o prefeito anuir, as mudanças devem ser concretizadas ainda no primeiro semestre deste ano.
 
Outro item discutido já foi colocado em prática, a revitalização da Zona Azul terá novidades em relação ao formato e à tecnologia empregada ao longo do segundo semestre.
 
O plano de governo também prevê a utilização da área da antiga Gerdau, uma empresa de fundição nas margens da Avenida Dom Aguirre. “A gente já iniciou alguns estudos. A ideia é de que aquele espaço fosse um grande local de troca de modais”, garante.
 
Com previsão inicial de funcionamento entre 2017 e 2018, o secretário entende que um projeto de tal magnitude não será possível no momento e conta com a parceria com o governo estadual para dar continuidade. “Esse projeto continua na comissão de parceria privada, mas sem nenhuma formatação. Há necessidade de gestão de dinheiro.”
 
MODAIS – Os planos em relação aos sistemas de Bus Rapid Transit (BRT) e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) dependem de empréstimos e decisões do Executivo. “A questão do VLT é um item de plano de governo”, afirma Unterkircher.
 
“Sorocaba tem hoje uma linha férrea que corta no sentido noroeste-leste que pode, potencialmente, ser utilizada para o transporte coletivo no deslocamento de passageiros”, explica. O VLT depende de um estudo de viabilidade, no quesito de demanda. “Há pessoas suficientes para que seja feito um investimento desse porte?”
 
O projeto da gestão anterior previa instalação do BRT sentido leste-oeste, mas tudo indica uma reformulação. “O prefeito esteve em Brasília e nós já enviamos uma documentação para o Ministério das Cidades, que disse que, se a Caixa Econômica entender que não há alteração de objeto, a gente pode permanecer com o recurso”, relata.
 
“Se a gente conseguir uma retenção desse empréstimo de R$ 107 milhões, será feita a implantação do tronco na Itavuvu”, aponta, referindo-se ao corredor centro-norte. “Para demais corredores que poderão existir, serão faixas exclusivas de ônibus.” A decisão permite que o investimento seja menor, mas que possa contemplar outras regiões no futuro caso necessário.
 
CUSTO – Atualmente, o que pesa contra o formato idealizado para o BRT, além da situação de desequilíbrio financeiro da Urbes, é o recurso que terá de ser investido pelo poder público nessa concessão. “Como vai haver uma melhoria substancial do sistema, o custo é correlato”, diz o secretário. “Esse valor não é pequeno, gira em torno de R$ 30 milhões.”
 
Unterkircher conta que, apesar de a proposta inicial ter surgido no governo de Antônio Carlos Pannunzio, não houve dinheiro público injetado. “É óbvio que houve alguns custos, mas é muito mais funcional. Os investimentos ‘pesados’, em termos de projeto, foram feitos pela iniciativa privada”, esclarece.
 
Dois estudos foram considerados aproveitáveis pela Prefeitura e os projetistas seriam pagos apenas após a finalização das obras. “Quaisquer remunerações aconteceriam quando da execução do início efetivo da contratação e diretamente do concessionário para as empresas que projetaram”, explica.
 
Se o BRT for feito, não haverá uma nova concessão nem necessidade dos aportes mensais na proporção do formato visto. “A obra passa a integrar patrimônio público”, aponta. Por enquanto, Unterkircher diz não ser possível aumentar o subsídio em nada mais. “Nós precisamos conseguir fechar o ano.”
 
DÉFICIT – O secretário afirma que a Urbes vive, basicamente, da receita que tem com o transporte coletivo e do valor repassado pelo poder público. As grandes despesas referem-se ao insumo dos ônibus e mão de obra, mas ainda há déficit orçamentário.
 
“A administração passada deixou reservado para o orçamento da Prefeitura o equivalente a R$ 39 milhões; nós precisamos de R$ 70 milhões”, frisa. “Ou tomamos medidas drásticas no sentido de reduzir essa diferença, aí é espremendo ou aumentando a tarifa, ou diminuímos os custos.”
 
É necessário “inverter a curva”, para que a despesa seja menor e a receita seja maior para buscar um equilíbrio a médio e longo prazo, de acordo com Unterkircher. “O número de déficit é relativamente pesado.” Há preocupação em não provocar desconforto financeiro ao usuário, mas, então, seria um prejuízo na utilização.
 
PASSE LIVRE – A ideia não será facilmente discutida neste ano, segundo o secretário. “O que a gente vai ter de fazer sim, é tentar manter o passe livre em patamares de reajuste menores para não penalizar aquele que tem pouco recurso”, comenta. “É óbvio que nessa política tarifária, o prefeito tem essa sensibilidade para a gente atingir o mínimo possível o usuário do passe social e o estudante.”
 
SUSTENTABILIDADE – Unterkircher garante que todos os ônibus da frota usam combustível ecologicamente sustentável, pois gera menos emissões de poluentes ao meio ambiente.
 
Existe também a fiscalização para que os veículos da frota estejam sempre regulares. “A frota, quanto mais nova, tem mais tecnologia embarcada e menos emissão.”
 
Agora que o assunto de ciclovias também passa a ser responsabilidade da Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade, os levantamentos primários estão sendo feitos. Devido à falta de recursos, o montante destinado será menor, mas é um projeto que deve ter sequência ainda no primeiro semestre.
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