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<< CULTURA Biblioteca Infantil recebe hoje lançamento de biografia da sambista Clementina de Jesus Obra resgata a trajetória da menina simples de Valença, região serrana do Rio de Janeiro

Publicada em 22/02/2017 às 15:01
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(Foto: Divulgação)
“Quelé, a Voz da Cor”, livro de autoria dos jornalistas Felipe Castro, Janaina Marquesini, Raquel Munhoz e Luana Costa, terá lançamento oficial em Sorocaba na noite desta quarta-feira (22), na sede da Sociedade Cultural e Beneficente “28 de Setembro”, à rua Machado de Assis (atrás do Fórum Velho), no Centro, integrando a agenda de Carnaval preparada pela Secretaria de Cultura e Lazer da Prefeitura. Trazendo o selo da Editora Civilização Brasileira, a obra resgata a trajetória da menina simples de Valença, região serrana do Rio de Janeiro, e que ficou conhecida no mundo da música apenas depois dos 60 anos de idade. Sua docilidade, que contrastava com a imensa força da sua voz, foram os elementos principais para a composição do livro, que Janaina Marquesini e os demais autores irão também discutir em Sorocaba nesse evento de resgate da memória de Clementina. 
 
O lançamento do livro, que contará com apresentação da cantora Márcia Mah, acontece a partir das 20 horas, com entrada franca, e segundo o secretário municipal de Cultura, Werinton Kermes, tem importância ímpar, pois traz para o centro do debate a vida e a obra de uma das nossas maiores sambistas. “O lançamento ocorre em um ambiente histórico e de muito simbolismo, que é o 28 de setembro”, destaca o secretário.
 
A autora Janaína Marquesini aponta, por sinal, a influência do secretário de Cultura de Sorocaba, Werinton Kermes, em sua obra: “Foi a partir do documentário que o Werinton produziu e dirigiu, de forma independente, em 2011, que nós nos interessamos em ampliar e prosseguir no resgate de informações sobre a vida e a obra de Clementina. Nesse sentido, Werinton foi pioneiro e influenciou muito o nosso trabalho”, destaca. 
 
A cantora Márcia Mah se apresentará cantando as obras consagradas pela sambista carioca, intercalando a apresentação e o debate sobre a obra de Clementina.
 
A SAMBISTA CLEMENTINA DE JESUS - A leveza no olhar e o sorriso expansivo, de ponta a outra do rosto, sempre foram marcas de Clementina de Jesus, assim como a voz forte, marcante dessa negra do início do século XX e cantora de pulmão cheio. Nascida em 1901 em Valença, pequena cidade do Estado do Rio de Janeiro, Clementina se mudaria, logo aos 8 anos de idade, para a então Capital Federal junto com a família. De Valença ao bairro de Osvaldo Cruz, berço da Escola de Samba Portela, e onde a menina começou a cantar, o universo do samba tomou conta rapidamente de Clementina. Tendo se casado em 1940 e, até então, desconhecida no mundo do samba, Clementina mudou-se com o marido para a Mangueira, outro clássico reduto da música carioca, tendo passado vinte anos da sua vida trabalhando como doméstica. Em 1963, foi descoberta pelo maestro Hermínio Bello de Carvalho, que a alçou à condição de estrela do espetáculo “Rosas de Ouro”, junto com os então músicos iniciantes Paulinho da Viola e Nélson Sargento. Dois anos depois, a sambista seria o destaque em apresentações no I Festival Mundial de Artes Negras no Senegal, no continente africano, e no Festival de Cannes, na França.
 
A importância de Clementina de Jesus para o samba brasileiro é tão grande que, em vida, recebeu dos colegas de ofício o título de `rainha do partido alto´ ou `rainha ginga´ e causou uma intensa fascinação em variados artistas da MPB. Gente tão diferente como Alceu Valença, Milton Nascimento e João Bosco, que registraram sua voz em seus álbuns. Sem ser uma figura de grande vendagem, sua presença de palco era impressionante. Sobre ela, Paulinho da Viola chegou a afirmar: “Parece que flutuava, a voz te trazendo pra realidade, mas o corpo flainando”. 
 
A sambista faleceria aos 86 anos em Inhaúma, Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1987, vítima de um derrame, deixando poucos registros, o que torna o livro “Quelé, a voz da cor” ainda mais importante.
 
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