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<< ECONOMIA Expectativa de vendas para Quaresma não anima donos de peixarias da Cidade Consumidores fazem substituições e optam pelos mais baratos

Publicada em 13/02/2017 às 15:22
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(Foto: Fernando Rezende)
As peixarias da cidade não criam grandes expectativas para vendas para os 40 dias entre o fim do carnaval e a Páscoa deste ano, período chamado de Quaresma, quando a Igreja prepara-se para a Semana Santa. A crise econômica, pela qual o País atravessa, é a causa apontada por comerciantes e justificada por consumidores.
 
A balconista Joseane Cristine Pereira Caetano relata que o maior movimento se dá apenas na Semana Santa. “Todo ano é diferente, mas a crise está dificultando”, diz. Os peixes mais procurados no estabelecimento situado no Centro são sardinha, cavalinha, corvina e tilápia, encontradas na faixa de R$ 13,90, o quilo, e merluza, por R$ 27,90.
 
Até a Páscoa, a peixaria não pretende aumentar os preços. “O produto só sobe quando está em falta.” Mesmo mantendo o valor, Joseane afirma que o tradicional bacalhau é comumente substituído pela merluza.
 
Deslocando-se de Votorantim a Sorocaba em busca de qualidade e preços baixos, o aposentado Giovani Bezerra de Melo é adepto ao almoço com bacalhau na época. “Comprei um semana passada por R$ 13,69 o quilo; do Porto, sem espinha e prensado”, comemora.
 
Melo também gosta de comprar salmão, mas já percebe o aumento. “Era R$ 30 e pouco; agora, pulou para R$ 70”, exclama. “A gente tem de analisar o que é melhor e qual é a oferta do dia.”
 
O bacalhau na Sexta-feira Santa é uma tradição familiar na residência de Isabel Teixeira, dona de casa. “Gosto muito, a vida toda comi”, conta. Independente do valor ao qual chegar na semana da Páscoa, Isabel garante que comprará o peixe.
 
A situação pode ser contornada desde que o consumidor faça pesquisa de mercado e considere substituições em receitas, segundo Carla Giuliane, professora de Economia da Esamc.
 
“Tem de pesquisar e olhar nos grandes supermercados; às vezes, a diferença é de 250%. É muito grande”, aponta a professora. Entretanto, Carla espera bons números para as vendas na Semana Santa. “Nos últimos anos, a procura aumenta por volta de 30%.”
 
No período da Quaresma, Carla acredita que haja cerca de 8 a 10% a mais de vendas. A diferença não é alta, pois são poucas as pessoas que respeitam os 40 dias sem carne vermelha. “A grande procura é por bacalhau, mas dá para substituir e fazer a mesma receita com peixes mais baratos”, recomenda.
 
O consumo de peixe não é necessariamente a ordem repassada pela Igreja, de acordo com Henrique Cavalcanti de Albuquerque, professor de História da Esamc. “É uma tradição muito antiga fazer jejum entre carnaval e Páscoa”, explica Albuquerque. “A Igreja recomenda não comer carne vermelha por remeter à carne de Jesus Cristo, e até hoje indica que seria desejável não consumi-la em toda sexta-feira.”
 
O professor conta, ainda, que o período de Quaresma inspira a 40 dias de reflexão e introspecção. Com isso, Albuquerque questiona a tradição em consumir alimentos como bacalhau e camarão na Sexta-feira Santa. “É um dia de refeição mais contida. Um banquete enorme e caro acaba indo contra a ideia de penitência.”
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