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<< CULTURA Plano B garante folia para a 28 de Setembro Campeã 20 vezes, escola programa-se para superar obstáculos de falta de verba pública

Publicada em 07/02/2017 às 20:02
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A equipe que trabalha desde março de 2016 para o carnaval (Foto: Fernando Rezende)

“No canto da sereia, me encanto no conto de areia”, diz a camiseta dos foliões da Escola de Samba 28 de Setembro. Neste ano, o samba-enredo homenageia a cantora Clara Nunes. Com desfile ou não, a 28 mantém atividade durante todo o ano para oferecer aos amantes de carnaval uma festa alegre, que passe a tradição popular adiante.

João de Paula Cuba, diretor de relações públicas da escola, atesta a logística correta de planejamento da 28 em todos os anos. “Sempre temos dois planos, e são para fazer o carnaval acontecer”, explica. Caso o desfile na avenida não seja feito, a escola busca firmar parcerias com outras cidades, como Araçoiaba da Serra e Votorantim, para participar de apresentações.

O diretor decepciona-se com a falta de apoio do poder público nas festas populares municipais. “Sorocaba, hoje, é uma metrópole e não pode mais ser tratada como uma cidade do interior paulista.” Esperando colaboração pública apenas com a estrutura do evento, a 28 possui um grupo de cerca de 30 pessoas trabalhando para fazer a festa acontecer; 70% são voluntários e as costureiras, terceirizadas.

A solução apontada por Cuba é que a Prefeitura firme parcerias com, pelo menos, duas grandes empresas da cidade. “Uma entra com o dinheiro para as escolas e outra com a estrutura e tecnologia na avenida. Em troca, elas são divulgadas”, justifica. “Sorocaba tem de caminhar para frente, ser um polo carnavalesco para outras regiões.”

Segundo Cuba, um bom desfile é feito com um valor mínimo de R$ 60 mil; sem o subsídio da Prefeitura, as escolas apostam em festas e patrocínio para atingir a meta financeira. “Diante da dificuldade, estamos reciclando boa parte das fantasias”, conta o carnavalesco Adriano Leite Rodrigues, diante dos adereços no ateliê da Vila Hortência.

Com a delicada situação econômica da cidade, Rodrigues acredita que o carnaval não pode ser deixado de lado. “Trabalhar diante de todos os problemas e ver a alegria de quem participa é lindo”, relata. “Independente de ser o carnaval ou outra atividade, a cultura é a que mais sai prejudicada diante de uma crise. E o povo precisa de cultura. Se não tiver cultura, não tem educação e não tem condições de ir para frente”, avalia.

Os ensaios da bateria da Escola de Samba 28 de Setembro são feitos nos domingos, a partir das 19h30, na Rua Carlos André Isse, 150, na Vila Assis.

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