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<< ECONOMIA Floriculturas devem se adaptar ao novo mercado Comercialização de flores pelo canal supermercadista cresce entre 15 a 20% ao ano no Brasil

Publicada em 06/02/2017 às 20:30
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Consumidor pode encontrar desde arranjos a um botão de rosa (Foto: Fernando Rezende)

A redução de faturamento e o fechamento de um número expressivo de lojas no País devido à entrada do varejo de autosserviço na distribuição florícola nacional impactou o segmento de comércio de flores, de acordo com pesquisa do Sebrae. O investimento em redes sociais e a oferta de variedades em floriculturas são os meios encontrados para sobrevivência e desenvolvimento da modalidade.

O Estado de São Paulo possui 5,9 mil floriculturas, equivalente a 32,8% de todo o País, segundo dados de 2015 do Sindicato do Comércio Varejista de Flores e Plantas Ornamentais do Estado de São Paulo (Sindiflores). O Sebrae ainda aponta que o consumo médio per capita paulista de flores e plantas ornamentais está estimado em R$ 35,52.

“Nós costumamos dizer que a crise não atingiu a gente”, brinca Gisele Viana, gerente em uma floricultura do bairro Santa Rosália. “As pessoas estão mais apaixonadas e querem presentear”, justifica. Jovens do sexo masculino são o público mais cativo do local.

Com R$ 3 já é possível comprar um botão de rosa na floricultura, mas há flores e arranjos para qualquer nível de poder aquisitivo. A gerente atende também por WhatsApp, utilizando o aplicativo como um meio de receber endereços e mensagens que serão anotadas em cartões. “Todo mundo quer facilidade”, explica.

Gisele torce para que o comércio de flores continue em expansão. Além de prezar a tradição, vê a área como uma realização pessoal; ela deixou o trabalho de 12 anos em uma multinacional para dedicar-se ao negócio familiar. “Sou muito mais feliz hoje; digo que flor é minha paixão.”

Janeiro teve movimento acima da média em uma floricultura na Vila Hortência, mas a gerente Suzana de Fátima Reis sentiu a queda de vendas nos meses anteriores. “Eu não sei se é a crise, mas as pessoas estão gastando menos”, observa.

Cestas de café, vinhos, pelúcias e chocolates são itens dispostos na loja, pois costumam acompanhar encomendas de arranjos de flores. “Você vai presentear, você sempre tenta dar o melhor”, diz.

A faixa de preço das flores varia entre R$ 5, para a rosa nacional, e R$ 200 para a orquídea. Há 30 anos no segmento, Suzana afirma que arranjos bem elaborados são os mais vendidos. “Acho que a pessoa que gosta de dar flores sempre vai comprar. O amor faz continuar. Aqui sempre entra um apaixonado.”

Carolina Fratti, designer, comprou flores para a irmã que acaba de inaugurar uma sala. “É simbólico e alegra o ambiente”, comenta. Carolina não costuma dar ou receber arranjos, mas acha um gesto válido. “Gosto muito de ganhar e ter em casa.”

MODERNA – Augusto Aki, consultor do Sebrae e com trabalhos em foco na Inovação do Modelo de Negócios, escreve para informativos do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) e é articulista no Boletim Sindiflores.

Em uma de suas publicações, retratou o “Manifesto pela salvação das floriculturas”, em que cita os 10 Mandamentos da Floricultura Moderna. São eles, criar clientes frequentes, marcar presença digital, adequar-se ao tratamento da equipe mais jovem e com ideias diferentes, melhorar a arte floral, tornar-se uma loja de conveniência, ter responsabilidade social, empreender, vender soluções e não apenas produtos, criar parcerias e manter o aprendizado constante.

“Existem muitos casos de floriculturas que são tradicionais e estão passando por sucessão familiar. Isso gera um conflito de ideias entre os mais jovens e os mais antigos”, esclarece Aki. A recomendação é de que uma consultoria externa seja aplicada para mediar as propostas de inovações à experiência. “É terapia empresarial”, conclui.

A outra possibilidade de mudança chega com jovens que buscam a área para empreender, porque são amantes de flores. “Muitas vezes pegam a oportunidade porque perderam o emprego, mas não têm experiência no varejo”, conta. Em tais casos, a solução vista pelo consultor é a autocapacitação. “É preciso fazer uma jornada de conhecimento para levantar todo o conteúdo disponível, mas ter uma visão ampla e foco para saber onde agir.”

Com a democratização do consumo de flores, Aki acredita que a lista de 10 Mandamentos vale para o processo de subida nos negócios do setor. Segundo o consultor, a menção à transformação de floriculturas em lojas de conveniência é o que causa mais estranhamento. “O termo está associado à loja 24 horas de posto de gasolina, mas se trata do segmento de presentes e produtos correlatos.”

Aki percebe que as flores estão menos valiosas como presentes, mas mais valiosas como lembranças. “As pessoas querem transformar a casa em uma bolha de segurança para a família, mas ainda se importam em ter um vaso de flores para lembrarem do exterior”, exemplifica.

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