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Diário de Sorocaba

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<< ECONOMIA Crise chega aos brechós Promoções em lojas convencionais e negociações na internet são obstáculos na venda de usados

Publicada em 06/02/2017 às 20:20
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Garimpando, encontram-se roupas de marca e boa qualidade (Foto: Fernando Rezende)

A Rua Padre Luiz é um tradicional ponto de brechós na região central, porém muitas lojas deste segmento estão enfrentando dificuldades por causa da falta de demanda. Com as queimas de estoque da virada do ano, os estabelecimentos convencionais diminuem os preços, fazendo com que consumidores deem preferência aos produtos novos.

Em uma caminhada pela rua, é fácil observar o movimento inexistente nos brechós. “Este ano está bem ruim, não sei se porque a turma está sem dinheiro ou se porque é janeiro e precisam economizar”, lamenta Noeli da Silva. A gerente conta que, mesmo com as roupas baratas e de qualidade, o público está fraco.

A vendedora Luiza Barros tem ouvido reclamações de clientes. “Lá em cima, eles estão dando uma abaixada nos preços”, justifica, referindo-se a outras lojas do Centro. “Mas, aqui, vem muita roupa de marca que são boas, porque as pessoas usaram pouco”, explica.

“É a crise do Brasil”, simplifica Benedito Leonel Pedroso, dono de um brechó exclusivo de roupas masculinas. Atuante há 40 anos e primeiro a estabelecer um brechó na rua, Pedroso diz que as novidades oferecidas não sustentam o fraco movimento. “Mas sou aposentado e só fico aqui até quando der”, brinca.

O Sebrae-SP, que repassa dados do Portal Empresômetro, identifica 130 micro e pequenas empresas de comércio varejista de artigos usados em Sorocaba até 29 de janeiro - três a mais que em 2016; em todo o Estado, são 6.199.

O relatório de março de 2015 do Sebrae-SP mostra que o segmento movimentava R$ 5 milhões por ano, sendo que o consumo consciente e o menor preconceito em relação aos itens foram o motivo de movimentação do mercado no período.

PÚBLICO – Em um ponto, todos os comerciantes concordam com a ideia de que o perfil de pessoas que frequentam os estabelecimentos mudou nos últimos meses. Mais jovens passaram a buscar os locais em busca de itens antigos e de marcas conhecidas.

“A ‘molecada’ prefere vir aqui para comprar coisas diferentes”, fala Noeli. Segundo Luiza e Pedroso, os jovens que participam de companhias de teatro são clientes fiéis, já que roupas de décadas mais antigas são facilmente encontradas.

Luiza aponta, ainda, a mudança que tem acontecido desde o último ano. “Antigamente, vinha gente de Araçoiaba da Serra e os aposentados, mas, agora, parou tudo.” Quando questionada quanto ao motivo, a vendedora diz acreditar que as vendas na internet dão comodidade aos compradores.

ON-LINE – Em uma rede social, o grupo fechado Bazar das Mulheres de Sorocaba possui mais de 74 mil participantes. Produtos usados ou não são anunciados com fotos, descrição e sugestão de preço ou itens aceitos para troca. Todos os dias, diversas pessoas efetuam negociações sem precisar sair de casa.

A estudante Samanta Martins, 19 anos, já vendeu roupas e calçados no grupo e o descobriu por acaso, quando uma amiga a adicionou. “Acho uma ótima ideia, porque o resultado é muito rápido”, comenta.

Ela observa que a maior parte das participantes do grupo é de classe média baixa, visto o que é discutido em comentários das publicações. Samanta cita o exemplo de uma amiga que postou peças para vender com valor máximo de R$ 30. “E a gente sabe como adolescente é, quer tudo novo; então, o bazar é uma ótima solução para essas meninas.”
 

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