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Diário de Sorocaba

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<< EDITORIAL Com os nervos à flor da pele

Publicada em 01/02/2017 às 07:49
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O Supremo Tribunal Federal (STF), através de sua presidente, ministra Cármen Lúcia, homologou nesta semana as delações premiadas dos 77 executivos do Grupo Odebrecht à Operação Lava-Jato. Sabe-se que o alvoroço no Congresso Nacional deverá ser grande a partir desta quarta-feira, dia 1º de fevereiro, quando os congressistas estarão retornando do recesso parlamentar, já que entre eles, segundo consta, estão os nomes de mais de 200 políticos. Tudo indica que vão dar o que falar as denúncias que serão feitas pelos executivos da empresa, provavelmente a partir do início de março, envolvendo deputados federais e senadores que receberam propinas ao longo dos últimos anos.               
 
Tudo leva a crer que esta será a fase decisiva da Lava-Jato em busca de todos aqueles que tiveram algum tipo de envolvimento nos atos ilícitos que foram praticados. O próprio juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condenação de inúmeros empresários, talvez esteja encerrando sua participação na apuração de todos os casos. Há alguns meses, inclusive, ele chegou a dizer que a sua atuação contra a corrupção só iria até dezembro do ano passado. Todo mundo sabe do trabalho eficiente e eficaz que desenvolveu em todas as fases da Lava-Jato. Ele sempre foi rápido em condenar quem estava sob sua esfera de atuação, ao contrário do que ocorre quando se trata de foro privilegiado para apurar os deslizes de deputados e senadores, entre outras autoridades privilegiadas.    
 
O que se espera é que o STF possa dinamizar suas atividades e apressar as decisões a respeito dos julgamentos que serão feitos. Claro que, nesses casos, a morosidade acaba sendo até normal, já que a Corte é a última possibilidade de fazer justiça, lembrando que sua função primordial é garantir o respeito à Constituição. O fato, porém, é que a demora não deixa de ser prejudicial ao desenvolvimento das atividades da Lava-Jato, daí a razão de se esperar que as coisas possam caminhar de maneira mais rápida daqui para frente, embora a falta de celeridade não deva ser vista como uma maneira intencional de se proteger os políticos investigados e que daqui para frente estarão ainda mais com os nervos à flor da pele. 
 
Sabe-se, também, que as delações podem ter suas limitações, mas elas não deixam de ser um procedimento dos mais eficazes no combate à corrupção, devendo ser protegidas contra as tramas que são levadas a efeito contra elas. Via de regra, quando a população bate panela ou sai às ruas em grande número, os políticos nunca deixam de tremer nas bases. Daí a importância de todo mundo ficar atento aos acontecimentos para que a Lava-Jato possa continuar seguindo em frente como se deve, e nada venha a interromper o desenvolvimento de suas atividades de passar o Brasil a limpo.
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