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Diário de Sorocaba

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<< COTIDIANO Pele artificial ajuda a reconstruir pálpebras de cachorra Sofia, uma cadelinha sem raça, foi atacada por outros cães em uma briga e tinha perdido parte da pele da cabeça e as pálpebras

Publicada em 30/01/2017 às 09:33
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“Nós estamos transformando um sonho em realidade”, é assim que o cientista e empresário João Ferreira de Lima Neto costuma apresentar o seu projeto de produção de membranas sintéticas, que podem ter aplicações em vários campos da Medicina e da Veterinária. João é parceiro de outros pesquisadores que foram acolhidos pelo Parque Tecnológico de Sorocaba. Juntos, João, Mário Henrique Scarpelli Calejo, Andreas Kaasi e Renato Murta, são responsáveis por uma história emocionante de superação e recuperação de uma cadelinha com a obtenção de resultados impressionantes no campo da biotecnologia.
 
As empresas Call4Tech e a Eva Scientific, incubadas em projeto pioneiro do Parque Tecnológico, foram informadas pelos veterinários Mário Scarpelli Callejo e Renato Murta que a pequena Sofia, uma cadelinha sem raça que havia sido atacada em uma briga com outros cães, tinha perdido parte da pele da cabeça e as pálpebras. Calejo viu a possibilidade de ajudar o animalzinho e comprovar o sucesso do seu projeto de pele artificial, dando-lhe uma primeira aplicação: a reconstrução das pálpebras da cachorra, sem a qual a sua qualidade de vida estaria extremamente afetada. A decisão pelo implante só surgiu depois que Calejo avaliou que um procedimento tradicional de reparação não seria suficiente para Sofia.
 
A cachorra recebeu a membrana desenvolvida pelos cientistas sorocabanos e teve um tempo de recuperação rápido. Quarenta dias após o procedimento, ela já se recupera em casa e a área afetada apresenta nascimento de pelos e normalização na circulação de sangue. Sua rotina exige apenas o acompanhamento dos especialistas.
 
Não houve a rejeição do tecido e o organismo da cadelinha reconheceu rapidamente a área implantada, o que pode ser um avanço para processos similares aplicados a humanos.
 
APLICAÇÃO EM SERES HUMANOS - As pálpebras foram confeccionadas a partir de biomembranas absorvíveis sintetizadas, processo dominado por Andreas. Altamente ricas em colágeno e biocompatíveis, as duas membranas tem 7,3 cm de dimensão e foram confeccionadas a partir de impressão 3D, no Laboratório do Instituto Nacional de Biofabricação da Unicamp, em Campinas.
 
O implante gerou melhora sensível na qualidade de vida da cadelinha, e além de contribuir com a saúde e bem-estar animal, a médio e longo prazo, esse tipo de técnica poderá ser expandida e ganhar novas aplicações, inclusive para procedimentos em seres humanos. As membranas desenvolvidas pelas empresas incubadas podem revolucionar procedimentos médicos e devem ser utilizadas, futuramente, para o tratamento de queimaduras ou outras aplicação. 
 
A produção desse material deve atender ao mundo todo, já que somente outra empresa, com comercialização restrita ao Canadá e Estados Unidos, desenvolve um insumo similar.
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