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Diário de Sorocaba

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<< EDITORIAL Os excluídos sem fim

Publicada em 27/01/2017 às 06:47
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Divulgado nos últimos dias no Fórum Econômico Mundial de Davos, o relatório "Uma economia humana para os 99%", da ONG Oxfam, trouxe dados estarrecedores sobre a desigualdade que persiste manter-se em todo o mundo. Baseado em dados do banco Credit Suisse, o estudo aponta que os oito homens mais ricos do planeta concentram um patrimônio equivalente ao de 3,6 bilhões de pessoas, ou seja, a metade mais pobre da humanidade, que detém apenas 0,25% da riqueza global líquida. 
 
Na verdade, estamos diante de uma realidade extremamente constrangedora e absurda. De acordo com o relatório, nunca se produziu tanta riqueza, mas ela está concentrada cada vez mais no grupo formado por 1% mais rico da população mundial, cuja renda aumentou mais de 180 vezes que os 10% mais pobres entre os anos de 1998 e 2011. E as projeções indicam que nos próximos 20 anos cerca de 500 bilionários deverão deixar mais de US$ 2,1 trilhões para seus filhos e herdeiros. Como se constata pelo ritmo atual de acumulação da riqueza, é previsto que em 25 anos deverá surgir o primeiro trilionário em dólares, sendo que essa pessoa poderá gastar cerca de US$ 1 milhão por dia durante quase 2.740 anos antes que o dinheiro acabe. 
 
Tudo isso parece ficção ou brincadeira, mas não é, já que os números expostos mostram a gravidade da situação. Claro que não se trata de combater o enriquecimento lícito, que por si só nada tem de condenável e que, muitas vezes, é o resultado do empreendedorismo, inclusive com todas suas consequências positivas no que diz respeito à geração de emprego e renda para milhões de pessoas, além do recolhimento de tributos que proporcionam a realização de serviços públicos e programas sociais.                    
 
O fato é que o número de excluídos não para de aumentar em todo o mundo, com o problema extrapolando na dose e no exagero. Por sinal, o Fórum de Davos já havia identificado o aumento excessivo da desigualdade econômica mundial há quatro anos, alertando tratar-se de uma verdadeira ameaça à estabilidade social do planeta. Pior de tudo é que atualmente as coisas continuam bem piores.     
 
Da mesma forma, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial elaboraram documento advertindo que tal desigualdade extrema prejudica o crescimento ao suprimir a demanda, com milhões não tendo como comprar nada, o que acaba por comprometer seriamente a economia como um todo. 
 
Diante de tudo isso, a própria elite econômica mundial está fazendo questão de discutir esse assunto em Davos. E tudo indica que será proposta uma nova agenda de crescimento e desenvolvimento. O que se espera é que todos tenham um enorme bom senso em favor da humanidade, que sempre leva a pior.
 
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