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<< SOROCABA Casamentos diminuem enquanto divórcios aumentam na Cidade Quem busca flexibilidade no relacionamento opta por união estável

Publicada em 25/01/2017 às 06:58
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(Divulgação)
Sorocaba celebrou 4.419 enlaces matrimoniais em 2016, 1.270 a menos que no ano anterior. O número de divórcios, no entanto, cresceu; os 1.578 de 2015 foram superados pelos 1.636 no ano seguinte. A informação divulgada pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP) e pelo Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo mostra que, em época de crise econômica, não é apenas a carteira da população que fica vazia; o dedo anelar, também.
 
“A crise econômica realmente pode afetar um casamento, mas tem de ver qual setor da sociedade seria atingido”, atenta Sílvio Luiz Sant’Anna, professor de Sociologia na Esamc e doutor em Antropologia pela PUC/SP. Em visão mais ampla, o professor afirma que há muitos fatores que compõem a consolidação de um casamento, não apenas o financeiro.
 
A união estável é vista pelo docente como razão pela qual o número de casamentos diminuiu. “Hoje em dia, a relação está mais pautada em uma parceria de igual para igual”, aponta. Sant’Anna enumera os fatores afetivos, a parceria financeira e a política, no sentido de tomar decisões em conjunto. “Não há mais a figura do patriarcalismo, do provedor, que se unia com alguém para prover a esposa e os filhos”, justifica.
 
Entretanto, para encerrar uma relação, as pessoas pensam duas vezes antes de ir para o cartório. “Fazer o divórcio é razoavelmente caro; tem custo, divisão de patrimônio e honorário de advogado”, explica. “Então, as pessoas separam-se na prática, mas não necessariamente consolidam judicialmente. Divórcio não é estimulante do ponto de vista econômico.”
 
Sant’Anna esclarece que o pluralismo religioso torna mais tolerante a possibilidade de separação e deve isto a dois motivos. “Há a secularização, com costumes ocidentais e a influência americana, que dão outro paradigma à sociedade urbano-industrial; e a lei do divórcio, que entra no Brasil de maneira atenuada, vendo a separação como a chance de voltar atrás”, relata. 
 
A norma ocidental que ditava a cerimônia fica de lado após a década de 1950, mas o professor acredita que o casamento não será esquecido. “Apesar da sociedade mais urbana e secularizada, há forte tradição católica”, observa. Mas as uniões estáveis, mais flexíveis no quesito moral, ganham cada vez mais espaço. “Porque é muito relativo o encantamento de se entrar na igreja de véu e grinalda.”
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