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Diário de Sorocaba

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<< EDITORIAL Modelo rigorosamente falido

Publicada em 24/01/2017 às 06:51
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Não há como negar que, diante da dramaticidade de uma conjuntura penitenciária extremamente caótica, o que se impõe, como dever primeiro, é que se informe à população a situação a que se chegou pelo absoluto desprezo com que essa área foi tratada nos últimos governos, inclusive com a falta de ação do Ministério Público e do Poder Judiciário. Sabe-se que foi demais o silêncio diante da chaga penitenciária. A par da defasagem de vagas no sistema prisional de todo o País, as administrações passadas praticamente não aplicaram nada para que as coisas pudessem melhorar, quer em investimentos, quer em equipamentos. Diante disso, não poderiam ser outras as consequências de tudo aquilo de pior que vai acontecendo nos presídios brasileiros. 
 
Dessa forma, cedo ou tarde o agravamento e a deterioração do sistema iriam fazer tudo explodir, exatamente como está acontecendo agora, com mais de 130 mortos e muitos feridos nos confrontos entre presidiários ocorridos neste ano. Se já não bastasse o horror à que a situação chegou, a pena de prisão como instrumento de defesa social e de recuperação dos delinquentes também não deixa de ser uma instituição rigorosamente falida. Nisso certamente concordam todos aqueles que, com seriedade, se debruçam sobre o problema.                    
 
Apesar de toda a falência que se constata no sistema, ele ainda resiste a serviço de uma desaparelhada Justiça Penal e de uma sociedade que pouco se interessa em enxergar os dramas que acontecem no interior dos presídios. O pior de tudo é que ninguém sabe ao certo como proceder para que o rumo das coisas possa mudar para melhor. O fato é que as penitenciárias, da maneira como são hoje, não podem recuperar os criminosos nem ser recuperadas para tal fim, permanecendo sempre do mesmo jeito, por mais desanimador que seja, diante da incapacidade de todo mundo em substituir o que existe hoje. São poucas as exceções.
 
Por mais que a perplexidade tome conta de todos, não existe consenso em torno do que deve ser feito para eliminar os horrores que há muito tempo vêm ocorrendo, ameaçando de maneira cada vez mais violenta todos os brasileiros. Não existe por parte dos governantes, da classe política e da sociedade brasileira boa vontade e perseverança para que um novo sistema prisional possa ser colocado em prática. Infelizmente, da maneira como as coisas estão, ainda levará muito tempo para que o modelo existente hoje traga resultados positivos para os que cumprem penas e para o Brasil. Muito dinheiro ainda continuará sendo jogado fora até que algo de melhor aconteça.                            
 
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