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<< POLÍCIA Primeiro Comando da Capital torna-se ameaça para o Brasil Facção criminosa, que começou em 2001, tem este lema: 'Paz, justiça e liberdade'

Publicada em 22/01/2017 às 11:25
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A facção criminosa Primeiro Comando da Capital - PCC apresentou-se para a população brasileira em 18 de fevereiro de 2001. A data ficou marcada pela maior rebelião da história do sistema penitenciário brasileiro: a facção orquestrou motins simultâneos em 19 presídios do Estado. A ação envolveu mais de 25 mil presos, deixou cinco detentos mortos e mostrou um poder de organização inédito no crime do País. 
 
Atualmente, a facção comanda o crime em todo o Estado de São Paulo e outros Estados a partir das unidades prisionais. Ela é a maior parte do bomba-relógio que está explodindo aos poucos nas constantes rebeliões de cadeia e massacres de detentos há duas semanas. "Paz, Justiça e Liberdade" é o lema do PCC.
 
O faturamento anual é estimado em R$ 200 milhões, com sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro em bancos na China e nos Estados Unidos. 
 
Olhando direto para o domínio absoluto do mercado interno de drogas e das rotas internacionais de tráfico no País, o PCC briga com outras facções, como a Família do Norte, que se opôs ao batismo [recrutamento] de integrantes do PCC no Amazonas. Apenas neste ano, 106 detentos já foram mortos nos presídios do País, a maioria em função do conflito entre os dois grupos - quase um terço do total ocorrido no ano passado inteiro. 
 
O caso mais recente ocorreu na Penitenciária de Tupi, em São Paulo, com o assassinato de dois presos. As autoridades, no entanto, não veem relação entre o episódio e a rixa de facções. A tendência é até negar a existência de facções.
 
Para o PCC, na região Norte o foco são os Estados que fazem fronteira com países produtores de cocaína, como Bolívia, Peru e Colômbia; e na Região Sul e Centro-Oeste, nos Estados que têm fronteira com o Paraguai, que produz apenas maconha. 
 
É justamente no Mato Grosso do Sul e no Paraná, que fazem fronteira com o país vizinho, que a influência do PCC é mais forte fora de São Paulo. Da fronteira com o Paraguai, a facção traz carregamentos de droga para abastecer o mercado interno na Região Sudeste e Sul do Brasil, e também para exportar até a Europa e África.
 
Um dos homens do PCC responsáveis por articular os contatos internacionais do grupo é Fabiano Alves de Souza, conhecido como "Paca". Após cumprir pena de mais de 11 anos na penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, ele ganhou a confiança da Sintonia Geral, a cúpula da facção. 
 
Após ser solto, Souza foi para o Paraguai, onde se articulou com grupos locais, entre eles o Exército do Povo Paraguaio, que atua no norte do país e fornece drogas e armas aos criminosos brasileiros. As informações são de uma reportagem do portal de notícias "El País".
 
 
Alerta de possíveis ataques
circulou nas polícias na semana
 
Um alerta disseminado na semana passada entre policiais civis e militares informou que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) estava se preparando para fazer ataques em série em diversas localidades de São Paulo. 
 
As informações foram repassadas por meio de uma mensagem oficial direcionada aos agentes pelo Centro de Inteligência Policial de Araraquara, e acabou se espalhando em diversas outras unidades policiais, como Deinters e Seccionais. 
 
Dizia o documento encaminhado para todas as unidades policiais: “Para conhecimento e demais providências, informo que chegou ao conhecimento deste Centro de Inteligência que comunicado entre os membros do PCC dão (sic) conta de que armas de fogo foram distribuídas aos integrantes da facção para possíveis ataques. Consta que no próximo dia 17 de janeiro, o comando do PCC irá ordenar aos executores o tipo de ataque e o local onde cada um terá que agir”. A reportagem chegou a receber uma mensagem por via WhatsApp.
 
O motivo do possível ataque seria uma retaliação à "Operação Ethos", deflagrada no dia 23 de novembro do ano passado. Dezenas de advogados formavam uma organização criminosa que atuava no sistema penitenciário do Estado de São Paulo. 
 
A região de Sorocaba também foi alvo. Segundo as investigações, a organização é formada por advogados e presidiários. Entre os detidos, o vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), Luiz Carlos dos Santos. Ele é suspeito de ter recebido R$ 130 mil de uma facção para "desestabilizar a Secretaria da Segurança Pública (SSP) por meio de falsas denúncias aos organismos de proteção dos direitos humanos". 
 
A "Operação Ethos" foi desenvolvida simultaneamente em cerca de 20 municípios, com 33 suspeitos já presos – a maioria advogados. São 41 mandados de prisão e 65 mandados de busca e apreensão contra advogados e outros investigados suspeitos de ligação com o PCC. São 19 homens e 22 mulheres.
 
Depois da prisão dos acusados, houve a transferência de 12 lideranças do PCC para presídios federais ou pela extensão dos prazos de permanência delas na penitenciária de Presidente Bernardes, onde prevalece o cumprimento do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). 
 
Esse tipo de punição tem o prazo máximo de 60 dias e é dado a detentos que cometeram penas graves nas prisões, como ordenaram a prática de crimes mesmo estando presos. Parte desses líderes, inclusive o principal deles, Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", está cumprindo pena nele desde dezembro e, em princípio, seria transferido para outro presídio em fevereiro.
 
 
Delegado de Sorocaba
trabalharia para a facção
 
No dia 17 de dezembro, foi divulgado que um delegado de Sorocaba estaria envolvido com o PCC. A apuração faz parte da "Operação Ethos". Não foi divulgado o nome nem detalhes da participação do delegado sorocabano no esquema. Na época, a Delegacia Seccional de Sorocaba tinha informado que nenhum mandado de prisão fora cumprido por policiais civis daqui. 
 
A Secretaria de Segurança Pública de SP não divulgou qualquer detalhe da ação que foi cumprida na Região Metropolitana de Sorocaba também. A corregedoria da Polícia Civil informou que ainda acompanha os trabalhos da operação, e não pode falar sobre o assunto, já que o caso está em segredo de Justiça. O delegado não está preso, mas está sendo investigado.
 
São 1.001 detentos que funcionam como gerentes do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsáveis por cartas com ordens, decisões e pagamentos em nome da facção criminosa em todo Estado de São Paulo, onde comandam a criminalidade. 
 
Os investigadores de uma força-tarefa composta pela Polícia Civil e o Ministério Público chegaram à lista durante o inquérito que apurou o envolvimento de advogados com a organização criminosa. Esses advogados recebiam cerca de R$ 6 milhões anuais para fazer serviços jurídicos escusos para o PCC. O valor mantinha a chamada "sintonia dos gravatas" ou "célula R", como passou a ser chamado o grupo, que passava por uma "reestruturação organizacional" neste ano.
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