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<< SAÚDE Com desentendimentos, pacientes aguardam transferência na UPA Éden

Publicada em 22/01/2017 às 11:17
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(Fernando Rezende)
Três pacientes passaram a madrugada deste sábado (21) na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro do Éden, esperando resultados de exames e transferência para a Santa Casa de Misericórdia e para o Hospital Regional. A partir de conversas com funcionários, acompanhantes receberam o comunicado de que os hospitais não tinham vagas e buscaram o DIÁRIO para relatar o atendimento que tiveram.
 
Por volta das 20 horas de sexta-feira (20), Maria José Pereira de Souza começou a tossir e percebeu que sangue saía junto às secreções. Na UPA Éden, fez exames de sangue e o raio X constatou alargamento do tórax. Com pneumonia, Maria José passou a noite em observação no local, mas no dia seguinte seria dispensada, pois apenas a Santa Casa ou o Regional poderiam tratá-la adequadamente.
 
João Martins, genro de Maria José, exaspera-se ao contar do atendimento recebido na UPA. “Não tinha leito e tive de trazer cobertor para minha sogra por causa do ar-condicionado ligado no máximo”, fala. “Esses funcionários são mal-educados, não falaram direito com a gente.”
 
Devido à falta de leito, Manoel Egídio Moya teve de passar a noite em uma cadeira. “Cheguei às 15 horas de sexta, foi feito raio X, eletro e exame de sangue, então os médicos viram necessidade em ficar internado. Hoje, veio uma médica me examinar e disse que não precisava ficar, porque os exames não deram nada, então por que queriam repetir tudo hoje?”, questiona.
 
Segundo Moya, ele não recebeu nenhuma alimentação, a UPA não deixou disponível o resultado de seus exames e ainda pediram que ele assinasse um termo de responsabilidade antes de deixar o local. Com pneumonia, Moya precisava fazer ecocardiograma e outros exames para levar a um cardiologista, mas não conseguiu. “Procurei a rede pública porque são exames caros, mas chega aqui e é uma palhaçada”, desabafa.
 
A Prefeitura manifestou-se em nota para explicar que não houve dispensa de pacientes, mas, sim, evasão por conta própria, sem orientações médicas ou definição clínica. Devido à demanda, pacientes são direcionados aos leitos hospitalares quando disponíveis, de acordo com prioridade. “Mas é importante ressaltar que, enquanto aguarda vaga, o paciente tem toda a assistência na UPA, pois ela tem toda infraestrutura para tratamento e acomodação.”
 
Funcionários da UPA Éden relatam, ainda, que as Unidades de Pronto-Atendimento são entidades filantrópicas, que prestam serviço a Sorocaba de modo terceirizado. Dos dois pacientes que se evadiram, Manoel Egídio Moya não teve alta e Maria José Pereira de Souza buscava vaga em um hospital particular. “A gente dá todo o suporte para aguardar até que a vaga saia, mas não podemos fazer mais que isso”, reitera.
 
Preocupado com o estado de saúde da sogra, João Martins não se contentou com as explicações. “Mesmo que não seja responsabilidade da Prefeitura, o Regional é e a Santa Casa é. Se tivessem vagas, essas pessoas estariam lá. Essa situação é desumana.”
 
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