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<< SAÚDE Funcionários do Vera Cruz entram em greve por falta de pagamento Profissionais da Saúde não teriam recebido dinheiro repassado pela Prefeitura

Publicada em 13/01/2017 às 12:40
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(Fernando Rezende)
Trabalhadores do Hospital Psiquiátrico Vera Cruz estão em greve desde a manhã desta sexta-feira (13) por falta de pagamento do salário referente ao mês de dezembro. O movimento iniciou-se às 7 horas, de acordo com aviso protocolado no hospital e na Secretaria Municipal de Saúde. A greve será mantida até que a Associação Paulista de Gestão Pública (APGP) faça o pagamento com o dinheiro repassado pela Prefeitura.
 
O vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Sorocaba (SinSaúde), Elielson Farias, confirma que a Prefeitura fez o repasse, mas a APGP não. “Não dá para saber o que eles fazem com o dinheiro”, diz.
 
Fora o hospital, situado na Rodovia Raposo Tavares, também entraram em greve um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e cinco Residências Terapêuticas (RTs). Patrícia Lima, auxiliar de enfermagem no Vera Cruz, conta que 70% dos cerca de 200 funcionários interromperam as atividades nesta sexta-feira.
 
Há por volta de 80 pacientes para cada profissional e a demanda está sendo atendida em uma escala de revezamento. “Estamos fazendo o básico, como alimentação e medicação”, ressalta Patrícia. A prioridade é dada ao atendimento, e a área burocrática será feita se houver tempo hábil. “Bom não está, mas eles estão fazendo de tudo para dar atenção ao paciente”, observa Farias.
 
A Prefeitura comprova os pagamentos por meio de documento e, em nota, lamenta a paralisação. “O último pagamento ocorreu em 15 de dezembro de 2016 e o próximo será efetuado no dia 15 de janeiro, conforme programação”, atesta. Para os próximos quatro meses, R$ 4.496951,14 estão destinados às despesas do Vera Cruz e R$ 2.257.336 a um Caps e 15 RTs.
 
Já a Associação Paulista de Gestão Pública (APGP) explica que o último pagamento feito pela Prefeitura ocorreu em dezembro de 2016, na gestão do ex-prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB), após acordo firmado no Ministério do Trabalho e Emprego com a Secretaria da Saúde e o SinSaúde.
 
“Na época, a verba liberada destinou-se tão somente ao pagamento dos vencimentos de novembro e do 13º salário dos funcionários, sendo que, após a liberação deste recurso, não foi feito nenhum outro repasse por parte da Prefeitura, inviabilizando a regularização total dos ordenados em atraso”, alega a APGP, por nota.
 
Mediante o cenário inconclusivo, Herbert de Oliveira Franco, diretor do SinSaúde, mantém o posicionamento. “Em algum momento houve erro administrativo. A greve permanece até o pagamento de todos os salários; caso contrário, vamos entrar judicialmente para tomar medidas”, declara.
 
 
Médicos da Santa Casa 
continuam sem receber 
 
Embora o Sindicato dos Médicos de Sorocaba e Região (Simesul) tenha denunciado o problema no dia 3 deste mês, os médicos que atuam na Santa Casa de Misericórdia continuam sem receber os salários integrais de novembro e dezembro da Prefeitura. Do mês de novembro, regularizou-se apenas uma parte do vencimento. 
 
De acordo com Eduardo Vieira, presidente do sindicato, a situação tem trazido insegurança aos médicos. "A incerteza da remuneração está gerando muita ansiedade nos profissionais. Não bastasse o estresse da profissão, eles têm de lidar com mais este problema. Isso é inadmissível e o sindicato continuará fazendo sua parte", disse.
 
Eduardo Vieira recorda-se de que os vencimentos deveriam ter sido quitados durante a gestão do ex-prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB). "A administração anterior ficou responsável pela Santa Casa até o dia 22 de dezembro, ou seja, Pannunzio deveria ter regularizado a situação dos médicos antes de entregar a cidade para o novo gestor, mas não o fez", observou.  
 
Ainda segundo Vieira, a mesa-redonda promovida no Ministério do Trabalho e Emprego com a Irmandade da Santa Casa, no dia 4 deste mês, terminou sem acordo. Diante do impasse, o sindicato entrou com um pedido de fiscalização no órgão. "A solução foi acionar o Ministério a fim de que os direitos trabalhistas dos médicos sejam garantidos", disse.
 
Procurada para comentar o caso, o Município esclarece: "Esta Prefeitura reconhece os atrasos em relação aos repasses para a Santa Casa nos meses de novembro e dezembro e informa que estes são débitos do governo anterior. Esses débitos deveriam ter sido quitados antes da devolução da Santa Casa para a irmandade que está no comando do seu gerenciamento atualmente. A relação com a Santa Casa no governo de José Crespo está condicionada a repasses mensais pré-estabelecidos, que serão cumpridos conforme o cronograma. Mesmo não sendo dívidas deste governo, há um esforço da administração no sentido de regularizar essas demandas à medida que os recursos financeiros forem sendo arrecadados". 
 
 
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