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Diário de Sorocaba

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<< EDITORIAL Indiferença às prisões medievais

Publicada em 12/01/2017 às 06:34
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De repente, na virada do ano, 2017 começou com as ações perniciosas do crime organizado em vários presídios do País, quando quase 100 detentos foram mortos e feridos numa guerra das facções criminosas, que não é de hoje agem dentro do sistema penitenciário brasileiro. Apesar disso, só quando as ações das quadrilhas fogem ao controle das "autoridades competentes", deixando todo mundo estarrecido com os festins das mortes, é que todos correm atrás de providências que há muito já deveriam ter sido colocadas em prática. Nessa hora, tudo é feito de improviso para que uma resposta seja dada de imediato à sociedade estarrecida com os acontecimentos.                                   
 
Na verdade, apesar de tudo aquilo que já se falou nos últimos vinte anos sobre a falência do sistema prisional brasileiro, nenhuma política pública mais efetiva foi adotada para evitar que as coisas continuassem caminhando de mal a pior. Com suas ações paralelas contra as normas constitucionais, o que os criminosos fazem de melhor é disparar contra toda a sociedade, ferindo gravemente a democracia. Nesta onda de violência, o que fica estabelecida de maneira muito clara é uma linha divisória entre o estado de direito e o crime. Assim sendo, o que vem faltando ao longo dos anos é uma união, sinergia, competência e perseverança na defesa dos valores do civismo, da paz social, da lei e das instituições democráticas.                          
 
O que se espera é que as tragédias que vêm ocorrendo possam, de maneira definitiva, acordar os governantes, os políticos e demais autoridades do País para tudo aquilo de pior que acontece no sistema penitenciário brasileiro. Os  horrores que proliferam a partir das masmorras do inferno que não servem para nada, a não ser revoltar ainda mais os que cumprem penas, precisam de uma providência urgente para que as carnificinas não continuem acontecendo.       
 
Nunca é demais lembrar o que disse no ano passado o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre os desgovernos que sempre assolaram o Brasil com relação a esse tema: "Prefiro morrer a cumprir pena em algum presídio brasileiro". Nunca é demais perguntar a quem se deve o descalabro das fábricas de monstros do País, senão a todos os partidos e governantes que, desde Pedro Álvares Cabral, com raras exceções, sempre fizeram questão de infelicitar o povo brasileiro. Pode-se dizer que o resultado de tudo isso são as ações dos mortos-vivos que habitam as prisões medievais contra os que morrem de medo no dia a dia da vida nacional.     
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