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Publicada em 08/01/2017 às 08:14
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(Fernando Rezende)
A falha técnica em um elevador do Rio de Janeiro na terça-feira passada (3), que provocou ferimento em seis pessoas, e a posterior morte de uma mulher durante sua retirada do local, reacendeu as preocupações com as medidas tomadas por empresas especializadas e responsáveis quanto à segurança que elevadores podem oferecer, assim como os procedimentos em caso de problemas.
 
A manutenção dos equipamentos fica sob a responsabilidade de empresas técnicas. Alison Wellington Bertholino é engenheiro em uma companhia do centro de Sorocaba e afirma que a cada seis meses um relatório de inspeção deve ser emitido para a Prefeitura. “A empresa tem de ter sede na cidade em que atua devido ao tempo de resposta”, conta. “Os elevadores devem ter um sistema de comunicação com a empresa ou os apartamentos”, acrescenta. Então, no caso de falha, a pessoa confinada pode pedir ajuda, e os técnicos conseguirão agir mais rapidamente.
 
De acordo com o 1º tenente Paulo Vinícius dos Reis, do 15º Grupamento de Bombeiros, há estes dois tipos de ocorrência: a retenção de vítima, em momentos de falta de energia ou apresentação de algum problema, e membro preso no equipamento, quando o elevador está fora do andar correto ou há falha técnica. Em Sorocaba, as chamadas referem-se à retirada de pessoas de elevadores.
 
Em tal situação, a orientação é para que tanto o Corpo de Bombeiros quanto o técnico sejam contatados, pois cada equipe pode tratar de uma parte do problema. “Um membro preso, foge à competência do técnico, enquanto nós, bombeiros, contamos apenas com um protocolo básico”, exemplifica Reis. Ocorrências do tipo costumam acontecer em prédios antigos da cidade. “Às vezes, o síndico nem conhece a pessoa responsável pela manutenção ou há problemas financeiros no edifício”, conta.
 
A Prefeitura é a responsável pela fiscalização da manutenção de elevadores nos prédios da cidade. De acordo com o arquiteto da Secretaria de Mobilidade, Desenvolvimento Urbano e Obras, Heliandro Ricardo Menegon, a instalação de um elevador deve ser feita mediante aprovação da planta, que tem de estar de acordo com a norma técnica NBR 14712 e com a legislação municipal. Todo prédio com mais de quatro pavimentos deve ter um elevador, junto a leis afixadas em local visível, identificação de número de pessoas e limite de peso.
 
REAÇÃO – O 1º tenente Reis e o engenheiro Bertholino afirmam que, em uma situação de falha no elevador, o ideal é manter a calma. “A gente sabe que é difícil”, confessa Reis. O bombeiro também diz que controlar a respiração ajuda a não tornar o ambiente mais quente e pode aliviar o estresse de quem está preso. Já Bertholino aconselha que, quem está do lado de fora, busque algo a fazer. “Jamais ponha a mão, pois pode machucar a si mesmo ou a quem está dentro. É igual a um acidente de carro; o ideal é conversar e acalmar”, diz.
 
Cláudio Antônio da Silva é zelador em um prédio de apartamentos no bairro Trujillo e afirma que a manutenção é feita uma vez por mês e a única recomendação dada aos moradores é não permitir a entrada de crianças desacompanhadas em elevadores. Mariana Vitória Martins, 19 anos, estudante, nunca teve problemas do tipo e tem muito medo de que aconteça, mas sabe o que faria. “Eu manteria a calma e aguardaria o socorro, acho que é a única solução”, conta. Moradora de um prédio no Parque Campolim, ela tem a garantia de que o síndico do prédio mantém a atenção. “Tinha dia em que eu chegava da faculdade e encontrava o elevador parado, pois o moço da manutenção estava olhando tudo.”
 
CLAUSTROFOBIA – O medo é recorrente quando o assunto é falha mecânica em elevadores, mas quando o sentimento é opressivo, trata-se de um transtorno psicológico. “Medo e ansiedade todo mundo tem, mas quando passa dos limites, vira uma questão patológica”, explica Ana Paula Antoneli Ribeiro, médica com especialização em Psiquiatria. A claustrofobia é a fobia de estar em locais fechados e tem como característica o coração disparado, frio, sensação de morte, tontura e ânsia. “Um claustrofóbico talvez deixe de aceitar um emprego por medo de entrar no elevador todos os dias”, conta a médica.
 
Pessoas que já tiveram problemas com elevadores podem desenvolver sintomas de ansiedade e sofrer de estresse. Mesmo que não seja claustrofobia, quando o medo passa a interferir no dia a dia de uma pessoa, deve-se procurar tratamento psiquiátrico com a ingestão de medicamentos. “E por mais difícil que seja, é preciso lembrar que a ajuda vai vir. Quanto mais medo tiver, mas vai passar mal. Tem de respirar fundo e ficar quieto”, recomenda Ana Paula.
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