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Diário de Sorocaba

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<< EDITORIAL Mais responsabilidade e menos desculpas

Publicada em 22/12/2016 às 07:38
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Apesar dos anos que passam, se há algo que não muda no Brasil é o sacrifício de tantos contribuintes em conseguir com que seus direitos sejam atendidos pelos órgãos públicos de todas as esferas do poder. No caso do INSS, por exemplo, quantos não são aqueles que passam anos e anos implorando para que suas reivindicações, inclusive já deferidas, sejam atendidas? São muitos os sorocabanos que se encontram nessa situação, aguardando com muita paciência a solução de seus problemas. Alguns esperam por dois, três anos ou mais, porque tudo depende de uma decisão de Brasília. Muitas vezes, como os funcionários não têm competência para resolver o que já está definido, a conclusão é de que não passam de simples enfeites nas repartições públicas. 
 
Na verdade, os percalços que as pessoas enfrentam acabam se transformando em grandes humilhações, evidenciando o desprezo e a falta de respeito para com os contribuintes. A burocracia, o despreparo e a incompetência nunca deixam de atrapalhar o trâmite dos processos, mesmo que este ou aquele benefício já esteja autorizado.
 
Uma outra grande prova do desrespeito aos cidadãos sempre é dada por todas as esferas do poder. Quando se trata dos precatórios que devem ser pagos, por exemplo, inclusive com sentenças já transitadas na justiça, a demora nos pagamentos chega a dez anos. Neste caso, o descaramento também não tem tamanho. Muitas vezes eles são quitados a perder de vista e o beneficiário, não raras vezes, acaba morrendo antes de receber tudo aquilo a que tem direito. Toda a irresponsabilidade governamental que se vê serve apenas para revoltar as pessoas. Agora, novas medidas foram editadas, prevendo que todos os precatórios já transitados em julgado devem ser pagos até 2020. Resta saber se isto realmente vai acontecer. 
 
De fato, é preciso ter muita paciência para aturar o desprezo a que tanta gente é submetida. O descaso é revoltante e nunca deixa de aviltar o princípio da dignidade humana, além de sinalizar para as futuras gerações que não vale a pena trabalhar de maneira séria no Brasil. Infelizmente, para os contribuintes eternamente esquecidos e escorchados pelos órgãos públicos, o pessoal dos direitos humanos nunca aparece para dar uma ajuda. Nessa hora todos desaparecem. E o interessado tem de se virar por conta própria, muitas vezes sendo obrigado a contrair dívidas para pagar algum advogado para tratar de seus direitos. 
 
O sistema só pensa em arrecadar, ignorando tudo aquilo de pior que o contribuinte sofre, mesmo que seus direitos estejam consagrados na Constituição Brasileira. É inaceitável o que acontece no País em prejuízo dos trabalhadores, dos contribuintes, dos aposentados e de todos aqueles que estão à espera de que os órgãos públicos cumpram as decisões judiciais. O que falta é mais responsabilidade e menos desculpas.
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