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Diário de Sorocaba

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<< EDITORIAL As gangues e o poder público

Publicada em 20/12/2016 às 07:19
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Como todos sabem, assaltar os cofres públicos virou uma rotina no Brasil, com a agravante de que, hoje em dia, político que não rouba acaba sofrendo retaliação dos demais. É uma farra, uma coisa patética. Conforme a imprensa registra quase que diariamente, as coisas estão cada vez mais fora de controle. Por isso mesmo, tem sido muito elucidativas toda a podridão que não para de vir à tona através do trabalho desenvolvido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Os bons políticos estão sofrendo a ação predadora dos maus políticos. Um deles, por exemplo, há alguns anos chegou a dizer, diante da mídia eletrônica, sem qualquer vergonha na cara, que estava em Brasília para ganhar dinheiro.
 
É de se lamentar a existência das gangues que há vários anos tomaram de assalto o poder público sem que providências efetivas fossem colocadas em prática para conter o avanço dos espertalhões em cima do dinheiro pago pelos contribuintes. As agremiações partidárias que, a princípio, deveriam zelar pelo bom nome de suas legendas, sempre preferiram fechar os olhos para o que vem acontecendo. Só depois que as maracutaias passaram a ser demais, saltando à vista a partir de 2005, é que alguma alguma coisa passou a ser feita para dar uma satisfação à indignação da sociedade.
 
É justamente por causa da inércia dos parlamentares com relação aos abusos praticados pelos seus pares que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário foram obrigados a intervir cada vez mais na vida legislativa para cassar políticos que se locupletaram ao sabor de muitas improbidades administrativas. Na maioria das vezes, porém, os Tribunais Eleitorais também sempre foram omissos, pouco fazendo para melhorar a situação. Ainda hoje, falta mais rapidez e determinação para a elucidação de muitos casos. 
 
Como a morosidade é que sempre imperou, a impunidade é que acabou ganhando força e alimentando a corrupção, cujos protagonistas sempre estiveram muito atentos para a aplicação de golpes de toda natureza. Se a justiça agisse com mais firmeza, com certeza os efeitos pedagógicos de suas sentenças contribuiriam para reduzir a delinqüência no cenário político.      
 
Por mais que muitos agora não concordem com a interferência do Judiciário no Executivo e Legislativo, principalmente aqueles envolvidos com tanta podridão, o fato é que, no Brasil, diante dos absurdos praticados, a postura dos tribunais não pode ser diferente. É preciso interferir mesmo, isto para que a dignidade do povo brasileiro possa ser resgatada, nem que seja apenas de vez em quando. Sem um pouco de moralização, o Brasil estará condenado a servir de deboche eterno para todo o mundo civilizado.                        
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