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<< POLÍTICA 'Operação Lava-Jato' denuncia Lula por corrupção e lavagem de dinheiro

Publicada em 16/12/2016 às 08:12
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Em denúncia oferecida na quarta-feira (14), pela força-tarefa da "Lava-Jato" do Ministério Público Federal em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de praticar os crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro, desta vez em razão de contratos firmados entre a Petrobras e a Construtora Norberto Odebrecht S/A.
 
Esta é a segunda acusação formal da força-tarefa do Ministério Público Federal, no Paraná. A Procuradoria denunciou o petista, em setembro, também por lavagem de dinheiro e corrupção no caso do tríplex e no pagamento de armazenagem de bens pessoais do ex-presidente. 
 
Lula é apontado como o responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar. A denúncia aponta que esse esquema ocorreu nas mais importantes diretorias da Petrobras, mediante a nomeação de Paulo Roberto Costa e Renato Duque para diretorias de Abastecimento e Serviços da estatal, respectivamente. 
 
Por meio do esquema, esses diretores geravam recursos que eram repassados para enriquecimento ilícito do ex-presidente, de agentes políticos e das próprias agremiações que participavam do loteamento dos cargos públicos, bem como para campanhas eleitorais movidas por dinheiro criminoso. 
 
Também foram denunciados o empresário Marcelo Odebrecht, acusado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Antônio Palocci e Branislav Kontic, denunciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e Marisa Letícia, acusados de lavagem de dinheiro. 
 
Nesta denúncia, a propina, equivalente a 2 e 3% dos oito contratos celebrados entre a Petrobras e a Construtora Norberto Odebrecht S/A, totaliza R$ 75.434.399,44. Este valor foi repassado a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Lula, especialmente o PT, PP e PMDB, bem como aos agentes públicos da Petrobras. 
 
Parte do valor das propinas pagas pela Construtora Norberto Odebrecht S/A foi levada mediante a aquisição, em benefício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do imóvel localizado na Rua Dr. Haberbeck Brandão, 178, em São Paulo, em setembro de 2010, que seria usado para a instalação do Instituto Lula. 
 
O acerto do pagamento da propina destinada ao ex-presidente foi intermediado pelo então deputado federal Antônio Palocci, com o auxílio de seu sucessor parlamentar Branislav Kontic, que mantinham contato direto com Marcelo Odebrecht, auxiliado por Paulo Melo, a respeito da instalação do espaço institucional pretendido pelo ex-presidente. 
 
A compra desse imóvel deu-se em nome da DAG Construtora Ltda., mas com recursos comprovadamente originados da Construtora Norberto Odebrecht, em transação que também contou com a interposição de Glaucos da Costamarques, parente de José Carlos Costa Marques Bumlai, sob a orientação de Roberto Teixeira. 
 
O valor total de vantagens ilícitas empregadas na compra e manutenção do imóvel, até setembro de 2012, chegou a R$ 12.422.000, como demonstram anotações feitas por Marcelo Odebrecht, planilhas apreendidas na sede da DAG Construtora Ltda. e dados obtidos em quebra de sigilo bancário, entre outros elementos. 
 
Parte das propinas destinadas a Glaucos da Costamarques, por sua atuação na compra do terreno para o Instituto Lula, foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua a sua residência em São Bernardo do Campo (SP). De fato, R$ 504.000 foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura do ex-presidente. 
 
A nova cobertura, que foi utilizada pelo ex-presidente, foi adquirida no nome de Glaucos da Costamarques em transação que também foi concebida por Roberto Teixeira, em nova operação de lavagem de dinheiro. Na tentativa de dissimular a real propriedade, Marisa Letícia chegou a assinar contrato fictício de locação com Glaucos da Costamarques. 
 
"Esta denúncia reafirma o compromisso do Ministério Público Federal com o cumprimento de suas atribuições constitucionais e legais, independentemente das tentativas de intimidação dos acusados e de seus defensores, dos abusos do direito de defesa em respeito ao Poder Judiciário", diz nota da Procuradoria da República. 
 
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