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<< EDITORIAL Reformas sempre difíceis

Publicada em 13/12/2016 às 07:27
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Num primeiro momento, com a eleição do aliado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara Federal e com a permanência do senador Renan Calheiros no Senado, a impressão era de que o governo passaria a contar com uma maioria folgada no Congresso Nacional, com o presidente Michel Temer (PMDB) podendo controlar com tranquilidade as votações de projetos polêmicos e aprovando todas as reformas que julgasse necessárias até o final deste ano. O fato, porém, é que a situação não está tão simples assim. Recebendo pressões de todos os lados, principalmente das centrais sindicais e do empresariado, o Palácio do Planalto já admite rever pontos de várias reformas, pretendendo, por exemplo, aprovar alterações menos profundas na Previdência e nas legislações trabalhista e tributária. 
 
Uma das principais prioridades, abraçadas nos últimos dias, é mudar as regras para aposentadoria dos trabalhadores. Cientes das imensas resistências, Temer e a cúpula da administração federal agora querem direcionar o foco para a questão da idade mínima para se aposentar, que seria de 65 anos para a concessão do benefício a homens e mulheres. Por óbvio, a ideia vem sendo rejeitada pelos sindicatos, que foram chamados pelo governo para compor o grupo de trabalho que vem debatendo o assunto nos últimos meses.
 
Na verdade, a coisa mais difícil para o presidente da República é ter de lidar com os interesses que envolvem os congressistas. O grande problema é que muitos deles estão distantes de tudo, como se vivessem em algum outro planeta, esquecendo-se de que a sociedade brasileira, inconformada com tudo, cada vez mais vem exigindo seriedade de todos os políticos. Ainda ontem, num discurso inflamado na tribuna do Senado, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) fez severas críticas pela conduta de grande parte dos legisladores, inclusive de seu próprio partido, que via de regra sempre estão mais preocupados com seus interesses particulares do que com os interesses da Nação.       
 
Outro item polêmico é o que diz respeito a mudanças na legislação trabalhista. A pressão dos empresários é pela flexibilização da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) para poder dar mais competitividade a alguns setores, como a indústria. O governo estuda as propostas e tenta encontrar um meio-termo que não cause tanta insatisfação aos trabalhadores nem aos empresários. 
 
Neste momento, ainda que o cenário imponha a necessidade das reformas vislumbradas pelo governo, a precipitação de algumas medidas sem que haja a discussão necessária pode aprofundar muito mais a crise que se agrava sem parar, notadamente agora com as delações dos executivos da "Lava-Jato". Do jeito que estão as coisas, tudo está indicando que nem mesmo as mudanças superficiais terão condições de sair do papel.            
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