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<< COTIDIANO Acervo de jornais de SP vira exposição virtual

Publicada em 11/12/2016 às 09:49
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O Arquivo Público do Estado de São Paulo (Apesp) lançou a exposição virtual 'Diários Associados', formada pelo acervo dos jornais paulistas da rede: o Diário de São Paulo e o Diário da Noite.
 
A coleção, sob custódia do Apesp desde 1999, foi doada pelo Grupo Folha e abriga cerca de 1,5 milhão de documentos. O conjunto, composto principalmente de recortes de jornais e ampliações fotográficas, era utilizado como um banco de dados para auxílio do trabalho de jornalistas e editores das duas publicações.
 
A exposição elaborada pelo Núcleo de Acervo Iconográfico é dividida entre "Cidades" e "Olimpíadas". A mostra cobre os Jogos de 1932, em Los Angeles, até os de Montreal, em 1976. A categoria "Cidades", uma das especialidades na cobertura dos Diários Associados, apresenta o dia a dia e o crescimento desordenado da metrópole paulistana.
 
Este imenso acervo contém material não só da Rede Diários Associados, mas também de várias publicações como Folha, Estadão, revista "O Cruzeiro", Jornal da Tarde e revista "Manchete". No meio destes arquivos foram encontrados desenhos técnicos, pesquisas, jornais da esquerda clandestina, mapas, plantas, ilustrações, folhetos turísticos, cartões-postais, encartes de publicações nacionais e estrangeiras, matérias censuradas, documentos pessoais, gravuras, entre outras diversidades. "Nós não fazíamos ideia da riqueza do material e das possibilidades que existem para o pesquisador", afirma a jornalista Dóris Fleury, integrante da equipe idealizadora da exposição.
 
Através do projeto "Imagens do Jornalismo Brasileiro: Preservação e Difusão do Acervo dos Diários Associados", patrocinado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e executado por convênio entre o Arquivo Público e a Associação dos Amigos do Arquivo do Estado de São Paulo, foi possível construir um banco de dados e fazer o levantamento físico de todo o acervo, ajudando na criação de dois catálogos: um nominal e outro temático. Os catálogos identificam mais de 200 mil pastas divididas em 4.377 caixas do acervo e disponíveis no site do Apesp.
 
Em uma parte selecionada do acervo foi desenvolvido um trabalho mais minucioso: higienização, acondicionamento, catalogação e digitalização de aproximadamente 20 mil documentos. "Cerca de seis mil documentos já estão disponíveis para consulta online e o restante iremos disponibilizar gradativamente", conta o diretor, César Campioni, do Núcleo de Acervo Iconográfico.
 
A coleção Diários Associados está disponível para consulta presencial na sede do Arquivo Público do Estado de São Paulo e, nos próximos meses, está prevista a publicação de um e-book sobre o acervo.
 
HISTÓRIA - Em 2 de junho de 1925, Assis Chateaubriand assumiu o controle de seu primeiro jornal paulista, O Diário da Noite; em 1929, fundou o Diário de São Paulo. Os dois jornais paulistanos tinham perfis diferentes: enquanto o Diário de São Paulo era um veículo sério, abordando principalmente a área de Cidades, o Diário da Noite adotava uma linha mais popular, focada no noticiário policial.
 
A década de 30 representou um período de rápida expansão dos Diários: é fundada a Agência Meridional de Notícias (1931), uma das primeiras na área de radiodifusão; a aquisição da tradicional revista feminina "A Cigarra" (1934); e a fundação da Rádio Tupi AM (1935).
 
Em 1950, Chateaubriand fundou a primeira emissora de TV da América Latina, a TV Tupi. Em 1957, os Diários Associados assumiram o controle do tradicional Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro, e refundaram, em 1960, o histórico Correio Braziliense (publicado pela primeira vez de 1808 a 1822).
 
No final da década 70, a crise que afetava o grupo Diários Associados agravou-se. Em 1979, o Diário de São Paulo encerrou suas atividades e em 1980, o Diário da Noite. No mesmo ano, foi fechada a TV Tupi, que interrompeu sua programação e fechou as portas.
 
O grupo chegou a reunir 90 empresas em diversas regiões do Brasil, entre jornais, rádios e até laboratórios farmacêuticos. Por seus veículos passaram grandes jornalistas, como Samuel Wainer, David Nasser, Jean Manzon, Carlos Castelo Branco, Ziraldo, Millor e Nelson Rodrigues.
 
Por tudo isso, o acervo dos Diários Associados oferece uma amostra rica e diversificada da vida brasileira, em uma época de grandes mudanças no País.
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