Sexta-Feira, 3 de Julho de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< EDITORIAL O povo nas ruas

Publicada em 06/12/2016 às 08:45
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Depois de sossegadas por uma boa temporada, milhares de pessoas voltaram às ruas de todo o Brasil, no último domingo (4), para se manifestar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, que virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por peculato, e a favor das dez medidas contra a corrupção elaboradas pelo Ministério Público Federal e apoiadas por um documento assinado por dois milhões de pessoas. Com bandeiras, faixas e cartazes, as manifestações também ovacionaram o juiz federal Sérgio Moro que vem tendo uma participação notável em toda a operação que vem sendo desenvolvida. O ruído das ruas, no entanto, procurou poupar o presidente Michel Temer. Sabe-se que o Congresso Nacional, com raras exceções, pretende barrar as atividades da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, até porque, segundo consta, cerca de 250 políticos deverão figurar nas delações que o presidente da Odebrecht e os executivos da empresa começarão a fazer a partir de janeiro do ano que vem. 
 
Resumindo, os aproveitadores de sempre, entre deputados federais e senadores, querem continuar com suas atividades delituosas e colocar um freio nas  investigações da "Lava-Jato", que se tornou um tormento para os políticos e os grandes empreiteiros do País.                              
 
Apesar de ter sido poupado nas manifestações de domingo, o presidente Michel Temer também já percebeu que o povo brasileiro está cada vez mais cansado com tudo aquilo de pior que há anos vem ocorrendo na confraria política nacional. Daí a necessidade de se mexer com mais desenvoltura para tirar o Brasil do atraso e da caótica situação econômica e social em que se encontra. O que se espera dele e de seus assessores imediatos é o máximo de seriedade e de atitudes que possam diferenciá-los daqueles que os antecederam por quase 15 anos.  
 
Na verdade, o que está faltando é a adoção de medidas que correspondam às expectativas da sociedade, cada vez mais saturada pelas práticas políticas já execradas pela grande maioria dos brasileiros. Para tanto, a retomada do crescimento, com mais oportunidades de emprego para todos, é de fundamental importância. A gestão pública precisa ter muito mais racionalidade em benefício do povo e não dos políticos espertalhões que não se cansam de legislar em causa própria e ficam ouriçados com a atuação dos agentes da "Lava-Jato". Sem que haja uma perspectiva favorável de que alguma coisa vai mudar a curto prazo, certamente as manifestações da população voltarão a ser muito mais frequentes daqui para frente.    
 
O fato é que o governo e as lideranças políticas precisam ter em mente, uma vez por todas, que existe, no meio da população brasileira, uma descrença crescente em relação ao sistema político e sem representação popular à altura. Trata-se de um sistema que, cada vez mais, vai empurrando a Nação para o caos e desprezando, com tanta corrupção, as necessidades da população cada vez mais carente.       
 
Tudo indica que as manifestações de domingo tiveram grande influência na decisão do Supremo de afastar Renan da Presidência do Senado.
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar