Sexta-Feira, 3 de Julho de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< EDITORIAL As punições postergadas

Publicada em 03/12/2016 às 07:26
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Se há algo que nunca deixa de se entralaçar é a fusão da lavagem de dinheiro, da organização criminosa e da corrupção sem fim. Apesar de ter entrado em vigor há quase quatro anos, a lei que dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública até hoje não é aplicada como se deve, apesar de, na época, ter sido apelidada de Lei Anticorrupção. Todos sabem que, no Código Penal, já existem artigos para punir a prática de corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, prevaricação e concussão. Nesses casos, quem responde à sanção penal é a pessoa física, ou seja, aquele que for condenado por um desses crimes contra a administração pública.
 
O grande problema é que no Brasil as coisas nunca funcionam a contento, principalmente quando os crimes são praticados nas grandes esferas políticas. A lei da "cumpanheirada" nunca deixou de vigorar entre eles, com todo mundo procurando se proteger mutuamente. O que via de regra nunca deixou de imperar foi o "hoje sou eu, mas amanhã poderá ser você". Daí a razão de, especialmente neste século, a corrupção ter se institucionalizado como nunca no País.     
 
Ainda agora, no Congresso Nacional, não são poucos aqueles que fazem questão de trabalhar pelo afrouxamento das leis e de sua execução, tudo com o intuito de fragilizar a 'Operação Lava-Jato' contra todos aqueles que atentam contra a soberania nacional, não pensando duas vezes em se apropriar do dinheiro do povo brasileiro. A democracia que todos sonhamos e buscamos não inclui deixar impunes os criminosos de colarinho branco, pois, a partir daí, cria-se a paralela ditadura da bandidagem, que escraviza toda a população. O País possui um invejável ordenamento jurídico, mas sua prática é lenta, demagógica e ineficiente, tendo melhorado apenas nos últimos três anos com a decisiva participação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do juiz Sérgio Moro. É preciso acabar de vez com a impunidade.            
 
Ao longo dos anos, com os casos do mensalão e da Petrobras, o desvio de bilhões dos fundos de pensão e das estatais, como a Eletrobrás, do BNDES, dos Correios, das obras superfaturadas e inacabadas, como a transposição do rio São Francisco, a construção de estádios de futebol, de todo o dinheiro que foi mandado a título de "empréstimo" para outros países, enquanto o atendimento à saúde no Brasil está um verdadeiro caos, enfim, por causa de todas as falcatruas que foram praticadas no País por governantes e políticos é que o desemprego avança sem parar e a falência ronda todos os organismos sociais de assistência hospitalar, dentária, educacional e de segurança, só para citar os mais graves. Tudo envolve um efeito cascata sem precedentes, que atinge os órgãos públicos que devem prestar atendimento de qualidade à população.        
 
O fato é que os brasileiros não podem ignorar tudo isso, sendo decisiva a participação de todos para que a impunidade não continue a prevalecer e o País possa sair da triste situação em que se encontra. As punições não podem continuar sendo eternamente postergadas.           
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar