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Diário de Sorocaba





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<< Crespo quer revitalização da área central da Cidade

Publicada em 28/09/2016 às 00:55
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(Fernando Rezende)
O candidato à Prefeitura, José Crespo (DEM), é o terceiro da série de entrevistas do DIÁRIO para falar sobre suas propostas de governo. A publicação das entrevistas segue, como critério, a ordem crescente do número do candidato na urna, e o de Crespo é 25. Já foram publicadas as entrevistas com Hélio Godoy, número 10; Gláuber Piva, número 13; e a próxima é de João Leandro (PSDB), número 45.
 
Crespo é natural de Sorocaba, filho do ex-prefeito José Crespo Gonzales, e já demonstrava interesse pelas atividades comunitárias desde pequeno, participando de projetos sociais em bairros carentes e coordenando campanhas culturais ou filantrópicas. Formou-se engenheiro eletricista na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, a princípio, trabalhou como projetista de equipamentos de potência em uma empresa multinacional. Logo, foi admitido na Ferrovia Paulista, onde foi chefe da divisão de manutenção de locomotivas nas oficinas de Sorocaba.
 
A vida pública do candidato à Prefeitura começou em 1989, como presidente da Urbes, e uma das atribuições na empresa foi a gestão do sistema municipal de transportes. Crespo modernizou o serviço, renovou toda a frota de ônibus, integrando novas linhas em novos terminais e introduziu o conceito de caixa-único com catracas eletrônicas. Ainda na Urbes, coordenou a pavimentação de mais de um milhão de metros quadrados de vias públicas, criou o serviço gratuito de transporte em vans para pessoas portadoras de deficiência física e implantou o primeiro programa de coleta seletiva de lixo na cidade.
 
Você sabe que, muitas vezes, a política acaba deixando as pessoas em situações adversas, em situações antagônicas, até constrangedoras. Apesar de você ter participado de uma maneira efetiva da primeira administração do prefeito Antônio Carlos Pannunzio, na década de 90, e também da relação de amizade que vocês sempre tiveram, de família, você nunca deixou de fazer severas críticas a muitas relações da Prefeitura nos últimos anos. Esse tipo de situação deixa você constrangido? Você faria alguma coisa para que esse tipo de situação pudesse ser revertido?
 
Fico constrangido, mais do que isso, fico triste até. É que eu já sofri tantos problemas na atividade política, e quem não se acostuma nisso, não consegue continuar nessa atividade. Aprendi a considerar o seguinte: mesmo que você queira muito alguma coisa, objeto do seu trabalho, acredite nisso. A gente tem de ter sempre esse policiamento de que a gente não deve pautar o trabalho, menos ainda o governo, com base de expectativa só pessoal, não é fácil. Considero o Pannunzio uma boa pessoa, uma pessoa idônea, considero um amigo meu. O prefeito vai ser criticado por todo mundo, não há como escapar, e ele tem demonstrado muita maturidade e não se deixou contagiar no sentido negativo pelas críticas que eu às enderecei, a maioria delas contra o governo dele; então, é um relacionamento em todos os momentos, até o mais recente. Ele nunca nem criticou algum posicionamento da Câmara, o que eu considero um sinal de muita maturidade política da parte dele. Espero que essas coisas acabem depois que terminar o governo dele, que a gente possa continuar amigos, porque uma coisa são as pessoas, outras são as ideias, os partidos, essas questões. Tem algumas pessoas que não conseguem separar e misturam; eu e o Pannunzio até hoje não misturamos, e espero que a nossa amizade sobreviva em respeito dessas questões. A única crítica pessoal que fiz contra o Pannunzio nesses últimos anos, é que eu disse que ele é a Rainha da Inglaterra, foi a única. Por que usei essa expressão? Quando eu critico, estou sendo honesto, acabei chamando de Rainha da Inglaterra, porque só tinha duas alternativas, ou chamava o Pannunzio de chefe da quadrilha. Nunca quis e não penso assim, a minha última alternativa era isso, ele não sabia de nada, por que? Era a Rainha da Inglaterra, uma pessoa um tanto ausente na sua própria administração. Considero que poupei o Pannunzio quando falei isso, mas é óbvio que também machuca, a gente vai ter de aferir isso depois que passar a campanha. 
 
Em relação a Renato Amary, está todo mundo falando, caso você seja eleito,
dá para afirmar que ele vai ser seu braço direito, que ele vai te ajudar no cargo?
 
Para definir o que o Renato vai fazer nesse governo, não foi ele quem me pediu nada, é um sentimento de reciprocidade que qualquer um demonstre conforme evoluir na vida; sabe que é necessário. Mas como encaixar o Renato? A função que eu tive é de colocá-lo como consultor ou captador. Uma pessoa que vai nos ajudar a conquistar dinheiro de fora, ou seja, extra-orçamentário, o orçamento é bom, mas para isso, vamos resolver os problemas do custeio da cidade. Tem de descobrir, fazer um projeto que enquadra e depois acompanhar o processo até que o dinheiro chegue aqui, tem também a área do transporte, tem muitas coisas que não vai dar para fazer, nem começar com o dinheiro do orçamento; para isso, Renato é a melhor pessoa que existe para nós em Sorocaba, porque já foi prefeito duas vezes, tem um trânsito político em Brasília, São Paulo, que vai nos ajudar muito, talvez eu pudesse fazer isso também como prefeito, mas não vou ter tempo, os problemas da cidade serão tantos que eu não conseguiria fazer essas duas coisas; teria que fazer um pouco de cada. Quem vai ser o prefeito é o Crespo e a Jaqueline. O Renato não está exercendo função nenhuma no futuro, ele quer que a gente ganhe a eleição. Eu vou dar tanto serviço para Renato procurar dinheiro extra-orçamentário, que ele nem vai estar por dentro no dia a dia, vai ficar viajando muito, até o custo das viagens, ele vai trazer muito dinheiro que vai compensar até isso. O prefeito não pode se colocar como o dono da cidade, porque quem manda mesmo é o povo que paga dinheiro, tudo que a Prefeitura faz é com o dinheiro do povo. Os conselhos municipais é que vão definir as políticas públicas, o prefeito vai estar subordinado aos conselhos municipais, é um negócio meio revolucionário, inclusive, mas claro que é uma construção que a gente vai ter que fazer. No caso do Renato, o serviço do Renato não vai beneficiar muito o nosso governo, porque esse dinheiro vai levar um ano ou dois, três anos pra aparecer em Sorocaba, nós não vamos ter tempo para gastar o dinheiro do Renato, então pode-se dizer que o Renato vai ser a pessoa que vai estar trabalhando a Sorocaba do Futuro, é o papel mais importante que pode existir.
 
 
Na Prefeitura, o que você
não faria o que Pannunzio fez?
 
Ter feito o que eu vejo do Pannunzio, portanto, eu não pretendo fazer, ele não cobra os resultados da equipe dele. Ele delega, e delegar é bom, é impossível não delegar, mas ele não cobra. Há 25 anos, quando estive com ele, a gente, logo no começo, ficou três dias enclausurados em um hotel discutindo o plano de governo, nós colocamos datas em todas as ações do governo.  E depois, durante os quatro anos, houve um assessor que vinha cobrando a execução das obras, dos serviços e tal, eu cumpri todas as minhas, os outros não me lembro direito; dessa vez, acho que o Pannunzio não fez isso, porque ele delegou mas não cobrou o resultado, então o que acontece? O governo não andou, com crise ou sem crise. Sempre há uma crise por aí, a crise, para mim, não é justificativa para tudo de ruim que aconteceu ou deixou de acontecer. Eu, diferentemente, além de delegar, vou cobrar resultado. Não quero dizer que não vou ouvir as explicações; se eu peço uma coisa, combina, e o companheiro do trabalho não consegue fazer, só que eu não espero acabar o prazo, fico cobrando todos os dias praticamente, se percebo que está havendo algum atraso, eu converso com o meu assessor, meu secretário e questiono o motivo do atraso; ele pode me convencer de que o problema não é com ele, o problema foi o prazo, o prazo foi mal dimensionado, que aquilo ia demorar oito meses, então muda o prazo.
 
Por que você quer ser
prefeito de Sorocaba?
 
Gosto muito de Sorocaba, já fiz opções em favor de Sorocaba várias vezes na minha vida, fui um aluno de Engenharia na Unicamp, mesmo naquela época, pretendia, depois de terminar o curso, voltar para Sorocaba, foi uma opção na minha vida. Eu tive ofertas de emprego depois que terminei a faculdade em lugares do Brasil, até do Exterior, eu optei por Sorocaba. Uma das opções foi a ferrovia aqui; depois, quando me elegi deputado, também podia ter feito um trabalho muito mais abrangente geograficamente e até politicamente, não fiz isso, optei por Sorocaba. Quero dedicar o meu trabalho político aqui em Sorocaba. Obviamente que ser prefeito de Sorocaba é a melhor dessas opções, eu vou poder realizar coisas, caso eleito prefeito. Tudo que eu conseguir realizar é completar esse meu sonho de vida, que é atuar politicamente, socialmente na terra em que nasci. Por que eu gosto tanto de Sorocaba? Para começar, porque nasci aqui, meus pais estão enterrados aqui, meus avós estão enterrados aqui, então acho que essas coisas criam um laço. Não quero dizer que isso me faça melhor do que os outros, eu sou o único dos cinco que nasceu em Sorocaba. Eu tenho um plano de governo que estou gerando há muitos anos, em que acredito que são propostas viáveis de se fazer, mas vou ter de suar muito a camisa. 
 
Com relação à área central
da cidade, você tem algum plano? 
 
Muitas coisas no plano, já sobre isso, basta andar na cidade de dia ou de noite, que a gente vê os problemas. Lamento que o Pannunzio, uma pessoa que gosto tanto, podia ter resolvido isso, não resolveu. Então, precisamos da revitalização do Centro. Ali naquele cruzamento da Barão de Rio Branco com o Bulevar Dr. Braguinha, aquilo já é um calçadão, a ideia é transformar em um shopping popular, um shopping diferente dos outros shoppings, por isso popular, vão continuar sendo duas ruas, o que falta ali é uma cobertura, a ideia também não é minha, eu encampei essa ideia, já várias vezes foi falada até pelos comerciantes. Nós vamos ter de fazer muitas reuniões com a Associação Comercial, eles querem isso, é um nível tático para atrair público, para que seja um shopping. Sem um planejamento prévio, de repente quando inaugurar o shopping, vai ter 20 lojas de calçados; tem de haver um planejamento prévio. Vou fazer isso com a Associação Comercial, nós vamos projetar como é que vai ser esse cruzamento, talvez um pouco mais que esse cruzamento, esse miolinho comercial no Centro é um plano piloto. É para que se tenha uma diversidade de atividades comerciais para atrair público, nós temos de atrair público nesse shopping popular. Mas uma coisa que precisamos atrair é mais é gastronomia, cultura, isso eu já tenho certeza, por exemplo, vou dizer uma coisa pequena, a pérgula na Praça Coronel Fernando Prestes é uma coisa que ninguém mais percebe, porque ela está abandonada completamente, nós vamos ativar aquela pérgula; se você tem uma banda, que é a maior identidade da cidade, ter uma banda tocando na pérgula na praça central. Há um problema apontado faz meses das entidades que distribuem comida no Centro, também não pretendo criar um caso com elas, mas uma proposta interessante é a questão de ser radical, e radical não é ser extremista, radical é a pessoa que vai à raiz do problema, então eu acho que é bom a gente ser radical. O que eu pretendo fazer nesse caso da comida é ser radical, procurar a raiz da reclamação, o lado bom a gente percebe facilmente, mas tem o lado mau, que está sendo criticado. Muitos sentem a necessidade de dar comida para os outros, temos de respeitar isso, é um benefício social que está sendo dado. Nós vamos ser radicais, qual é a crítica? Vem gente de longe dos bairros receber a comida e depois fica por aí e, quando tem a necessidade de ir ao banheiro, naquelas horas não tem banheiro. O banheiro agora na administração Pannunzio fecha às 18 horas, e aí, o que acontece? A comida é distribuída às 20 horas, e a hora que a pessoa precisa ir ao banheiro, não tem banheiro e faz a necessidade na rua, urina na rua; então, aí a questão é uma possível solução. Vamos revitalizar o Centro. Na questão da cobertura, há um problema, talvez pegue fogo, um dia vai pegar fogo em algum estabelecimento comercial. Essas ruas são estreitas, o Buleva um pouco mais estreito até que a Barão, o carro de bombeiros tem de chegar, assim, tem de deixar algum espaço livre para que, se pegar fogo, o carro de bombeiros chegue ao local. Vou pegar a fita métrica, quando for prefeito, e medir o carro de bombeiro, é isso que vai ficar de espaço nesse Bulevar para o caminhão passar, só que tem alguns postes, mas não precisa, vamos fazer a eliminação na cobertura, a iluminação desse lugar vai ser de cima pra baixo, não precisa de poste nenhum embaixo. Quem vai pagar esse custo? Bom, a Prefeitura vai ter algum custo, mas vou cobrar dos comerciantes, logicamente; talvez a Prefeitura nem precise pôr muito dinheiro, a gente pode financiar a obra, põe dinheiro, mas quem vai pagar tudo de volta seja o comércio. Eles vão arrecadar mais, o Centro está degradado e tem gente que não vem mais ao Centro. Claro que quem não vai gostar desse projeto, talvez, sejam os shoppings, vamos tirar um pouco de público dos outros shoppings e trazer ao Centro. Precisa a aprovação dos comerciantes, eles é que vão pagar, talvez tudo até; podemos investir de cara e depois financiar, mas vão ter de reembolsar isso daí. Já senti que eles querem fazer isso, então vou pedir que eles paguem, mas paguem ao longo do tempo, vai ser um financiamento. Acredito que o Centro da cidade ficará lindo, maravilhoso.
 
Em relação à área da saúde, como você pretende acabar com as filas das
Unidades Básicas de Saúde e qual vai ser o tempo mínimo de espera?
 
Tem fila nas UBSs, mas não é o ponto crítico das filas, mas como é que as UBSs vão funcionar? Médico é uma boa ferramenta de trabalho, mas pense bem, se você é uma mãe e seu filho está doente no bairro, e chega lá, não tem médico nenhum, que seja cubano, paraguaio, boliviano, porque, com certeza, sabem mais do que outro que não tenha diploma nenhum. Esse é um problema que a gente vai ter de enfrentar.  Na Unidade de bairro, vamos ter programas de medidas preventivas, principalmente esses, não é exatamente isso, mas a UBS é quem vai atender aos acamados daquele lugar. Hoje não existe mais o Programa de Acamados, só que, quando ele existia, ele vinha na central dos acamados, o médico vinha até a central do bairro para o acamado distante. No nosso governo vai ser diferente, e acredito que melhor. UBS não deverá atender a urgência e emergência, porque por telefone a central da ambulância vai levar direto para a UPH. Na UBS, então, vai trabalhar o médico clínico geral para atender aos assuntos mais simples, os acamados, os programas de diabetes, centro de educação da saúde, tudo isso daí é o que a UBS vai fazer, esse é o grande serviço. A maior quantidade dos médicos na Prefeitura ficará nas UBSs, coisa que eu também não devo ficar falando agora porque eles não querem. É a vocação do médico público. As filas na UBS vão acabar por si só, vai haver uma quantidade grande de médico que estarão nas UBSs para fazer até o acamados, não vai ter fila na UBS, até porque a UBS não vai fazer urgência e emergência, são as UPHs.
 
Qual mensagem você
deixa aos seus eleitores?
 
Eu me considero um candidato preparado, não sou melhor do que ninguém. Entre os cinco, eu estou em primeiro lugar. Estou preparado, mas não quero agora fazer uma crítica para os outros, é o povo quem vai julgar quem é o mais adequado para cada um votar. Com certeza, considero-me preparado pra ser prefeito, até porque já faz 20 anos que estou tentando isso. As minhas derrotas também me ensinaram coisas, veja as minhas derrotas para o Renato, que neste ano vai me ajudar nesse governo, porque eu sou cristão acima de ser político; então, acho que foi Deus quem criou esse destino, porque eu perdi para o Renato, e acho que foi bom, ele fez dois bons governos que servem de referência, vou ter de fazer um governo melhor até do que o dele, é a minha obrigação, porque ele está me ajudando agora, ele vai ser um consultor, um conselheiro. Os outros quatro candidatos não têm nem metade da minha experiência de vida, e também como eu me dediquei à vida política, minha experiência de vida é algo muito parecido com a minha experiência política, porque só fiz isso, há mais de 30 anos, então, tenho a obrigação de ser preparado. E estou com um plano de governo que eu considero melhor, não sou melhor do que os outros candidatos, mas nessa fila, acredito que hoje estou em primeiro lugar. Por que estou em primeiro lugar? Porque estou há mais tempo nessa fila. Para os outros candidatos, espere mais um pouco nessa fila, vai chegar a sua hora. Agora é a minha vez nessa fila. O que vai acontecer quando eu for eleito? Não sei, daqui a quatro anos vão fazer o meu julgamento, pode ser que resulte que eu fui um bom prefeito, ou mais ou menos, mas agora é Crespo.
 
 
Jaqueline Coutinho é única 
mulher entre candidatos a vice
 
Entre os cinco candidatos na corrida ao Executivo sorocabano, a delegada de polícia, Jaqueline Lillian Barcelos Coutinho, do PTB, é a única mulher no cargo de vice-prefeita. Já atuou na Delegacia da Mulher de Fernandópolis, Itapetininga e Sorocaba. Exerceu suas funções no 3o Distrito Policial de Sorocaba e Delegacia do Idoso.
 
Jaqueline era candidata a vice na pré-candidatura de Renato Amary, porém, após sua retirada e a substituição por Crespo, a delegada tornou-se candidata pelo mesmo cargo na coligação Renasce Sorocaba. Em uma das campanhas eleitorais na televisão, Jaqueline afirmou que, em Sorocaba, 57% das carteiras de trabalho assinadas são de mulheres, e, entre as propostas, destaca-se que a mulher que tiver uma medida protetiva da Justiça vai cadastrar-se em um aplicativo da Prefeitura, e caso o agressor aproxime-se, a vítima aperta um botão no celular, que envia mensagem para a Guarda Municipal agir.
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